CHULA E RELATIVO: A TROVA ANCESTRAL NA TRADIÇÃO ORAL NO RECÔNCAVO BAIANO
(Reflexões sobre chula e relativo, mote e glosa)
Literatura-terreiro, Oralidade, Chula/Relativo, Mote/Glosa.
Esta dissertação tem como foco o estudo da poesia oral ligada aos cantadores de samba chula do Recôncavo Baiano que utilizam em seus versos os termos cunhados com o nome de “chula e relativo”. Dentro deste estudo faremos reflexões se essas expressões dialogam e se relacionam com os que fazem os poetas e cantadores de viola do Nordeste que utilizam os termos “mote” e “glosa”. Além de questionar e discorrer sobre a temática, serão imprescindíveis para o trabalho incursões sobre literatura e oralidade, considerando-se os conceitos de literatura-terreiro (Santos, 2017), de contracolonização (Bispo, 2023), terreiros de samba-chula (Ferreira, 2024), bem como a revisitação da história do samba e de seus subestilos, tendo o Recôncavo Baiano como um dos centros difusores de cantos e ritmos afrodiaspóricos mesclados às tradições europeias, além de um breve estudo sobre a viola no Brasil e sua importância na construção dessa poética. Este trabalho, para além do estudo sobre mote e glosa, chula e relativo, tem como foco a percepção das nuances criativas dos “gritadores de chula” que utilizam suas textualidades poéticas, juntamente com a viola machete, o coro, as palmas e os pandeiros, para contar seu canto de labor e existência, de amores e dores, marcados pelos sons dos tambores ancestrais.