A ESCRITA QUE TRANSFORMA: ESCREVIVÊNCIAS AFRO FEMININAS EM UMA ESCOLA PÚBLICA DO ENSINO MÉDIO - SALVADOR-BA
Escrevivência; Juventude negra; Empoderamento; Colégio Estadual Edvaldo Brandão Correia; Projeto Escolar; Escrevivências Afro-Baianas.
Essa pesquisa se propõe a refletir sobre as práticas de leitura e escrita - de histórias de vida de jovens negras estudantes do Ensino Médio e seus entrelaçamentos com o processo de escrevivências afro femininas como empoderamento socioeducacional. Inspirada pela noção de Escrevivência cunhada pela escritora Conceição Evaristo (1996), a investigação tem como objetivo principal compreender como as escrevivências de jovens negras podem contribuir para os seus processos de autoafirmação e empoderamento. As jovens são oriundas do Colégio Estadual Edvaldo Brandão Correia (CEEBC), integrantes do Projeto Escolar Escrevivências Afro-Baianas. A questão investigativa se delineia em: como as escrevivências de jovens negras do Colégio Estadual Edvaldo Brandão Correia (CEEBC), podem contribuir para os seus processos de autoafirmação e empoderamento? O estudo também se propõe a inventariar o caminho realizado pelo Projeto, e de que forma estudantes negras percebem e expressam suas identidades raciais através de escritas poéticas. No que diz respeito à escrita literária de mulher negra, apoia-se em: Evaristo (2005, 2007, 2016, 2017, 2020); Felisberto (2020); Sousa (2020); Kilomba (2019), Lima (2020); hooks (2000, 2013, 2019), dentre outras. A metodologia qualitativa da pesquisa empírica, utilizou o dispositivo das Escrevivências, como aporte teórico-metodológico, que traz a escrita afro-feminina de um grupo de quatro jovens negras, considerando trajetórias existenciais de leitura e de escrita, produções e seus percursos educacionais. Por meio da análise dos textos produzidos, buscamos compreender como as escrevivências poéticas reverberam nos processos de autoafirmação e empoderamento das jovens negras que participam do projeto. Outrossim, as análises serão respaldadas em epistemologias feministas negras (Collins, 2019) e para a análise do corpus elegeu-se a crítica feminista negra (Christian, 2002). Conclui, reafirmando a escrita e a literatura como lugar de luta, memória, identidade e resistência, a escola pública e a juventude negra como usina e potência.