TRANÇANDO IDENTIDADES: LETRAMENTOS RACIAIS E ENSINO DE LINGUAGENS
Linguagens; educação das relações étnico-raciais; sequências didáticas.
Considerando que há uma pedagogia das ausências (Gomes, 2017) na escola quando se trata da dupla cabelo crespo e corpo negro – haja vista que representam índices de abandono, extermínio, exclusão, criminalização –, cabelo e corpo também podem representar o reinventar-se de um povo que há muito tem sua humanidade e subjetividade roubadas, apagadas, negadas, negligenciadas e invalidadas. Nessa perspectiva, não é possível separar o corpo e suas trajetórias identitárias do processo de ensino-aprendizagem, sob pena de não se alcançar uma educação libertadora e emancipatória. Assim sendo, esta pesquisa objetiva traçar caminhos para construção de uma pedagogia antirracista, em que a linguagem do corpo e do cabelo crespo é considerada como elemento principal para um letramento racial que emancipe e empodere estudantes negros e negras, bem como promova uma reeducação das relações étnico-raciais. Trata-se de uma pesquisa que tem a ousadia de falar de amor e de autoestima como pressupostos para uma aprendizagem significativa e como forma de aceitação e afirmação da negritude. Em termos metodológicos, o corpus dessa pesquisa é formado pelo acervo pedagógico da pesquisadora, composto por atividades de avaliação realizadas pelos estudantes, a partir de um projeto de leitura. Além disso, há anotações e impressões da pesquisadora obtidas durante duas tertúlias literárias que compuseram o Projeto de leitura intitulado O trançar da identidade a partir do cabelo crespo: metamorfoses, realizado em torno do livro paradidático Esse Cabelo, da autora luso-angolana Djaimilia Pereira de Almeida. O projeto foi realizado em uma sala do 2º ano do Ensino Médio, na disciplina “Saberes Literários”, do Itinerário Formativo do novo ensino médio. A partir desses materiais de análise, visa-se elaborar sequências didáticas, em uma proposta de aproximação entre o Interacionismo sociodiscursivo (ISD) e o letramento racial, teoria essa bastante presente nas práticas de linguagens. Pautamos as sequências didáticas como abordagem metodológica para o letramento racial. Defendemos que as contribuições do ISD, alinhadas a um letramento racial, podem produzir uma pedagogia antirracista tão necessária à educação das relações étnico-raciais.