EXISTIR E RE-EXISTIR NO CHÃO DA ESCOLA: ESCREVIVÊNCIAS DE PRÁTICAS AFROCENTRADAS NA EDUCAÇÃO INFANTIL
Escrevivências; Silenciamento; Educação Infantil; Afrocentricidade
A presente pesquisa tem como tema central a Escrevivência de uma professora negra sobre práticas afrocentradas na Educação Infantil, entrelaçando o seu ‘eu-pessoal’ com o seu ‘eu-profissional’, suas memórias ancestrais, suas histórias e suas experiências como coordenadora pedagógica em uma escola situada no município de São Francisco do Conde - Bahia. Neste contexto, a questão investigativa reside na seguinte indagação: de que forma as escrevivências narradas por uma Coordenadora negra da Educação Infantil, corrobora para uma Prática pedagógica na perpectiva afrocentrada que estimule a autoestima das crianças em sua itinerância escolar? Tem como objetivo Geral: Analisar a escrevivência da própria pesquisadora acerca das práticas pedagógicas afrocentradas vivenciadas em uma escola da Educação Infantil da rede municipal de educação de São Francisco do Conde – BA. E como objetivos específicos para melhor elucidar os caminhos da pesquisa: a) Refletir sobre as itinerâncias de vida e formação da proponente da pesquisa; b) Problematizar sobre o silêncio que legitima as práticas racistas no cotidiano escolar, das crianças negras da Educação Infantil; c) Identificar as contribuições da Lei 10.639/03 para o desenvolvimento de práticas pedagógicas afrocentradas em uma escola da Educação Infantil; d) Analisar a autoestima das crianças, considerando as relações entre elas e os profissionais da escola. Para o alcance dos objetivos, se apoia em estudos que fundamentam e embasam a estrutura teórica-conceitual alicerçada por: Cavalleiro (2000; 2001) Gomes (1995, 2001, 2017), Ferreia (2021), Evaristo (2021), Asante (2009; 2019), Nogueira (2010; 2019), Romão(2001), hook ́s (2017), Kilomba (2019) dentre outras referências. A abordagem qualitativa trilha o caminho metodológico, tendo como ‘pano de fundo’ a escrevivência, referenciada pela intelectual escritora negra Conceição Evaristo. Reflete sobre as concepções de criança, infância e educação infantil, articuladas a problematização do racismo estrutural e institucional e seus desdobramentos nas práticas racistas para com as crianças negras, a partir das observações da autora, enquanto Coordenadora Pedagógica da instituição. As unidades de análise estão ancoradas nas práticas curriculares afrocentradas e no silenciamento escolar frente as atitudes explícitas e sutis de discriminação racial presentificadas na escola. Como resultados, destaca as experiências positivas que reverberam na autoestima das crianças negras. Conclui apontando que a prática pedagógica curricular afrocentrada coloca a criança negra como protagonista da sua história, a partir do agenciamento dado a elas, por meio de um trabalho de valorização da sua cultura ancestral no ambiente escolar.