CONTAÇÃO DE HISTÓRIAS AFRICANAS E AFRO-DIASPÓRICAS: CONSTRUINDO UMA EDUCAÇÃO AFRORREFERENCIADA NOS ANOS FINAIS DO ENSINO FUNDAMENTAL
Contação de Histórias. Literatura Africana e Afrodiaspórica. Educação afrorreferenciada. Lei 10.639/2003. Oficinas Pedagógicas.
Este estudo integra o Programa de Pós-Graduação, Mestrado em Estudos de Linguagens: Contextos Lusófonos Brasil-África (UNILAB / MEL Malês), vinculado à linha de pesquisa “Estudos das Linguagens em Contextos Educacionais”. Tem como objetivo geral é Elaborar uma proposição teórico‑metodológica de contação de histórias africanas e afrodiaspóricas, com vistas a uma prática pedagógica afrorreferenciada para estudantes do 9º ano do Ensino Fundamental. A questão investigativa se delineia a partir da seguinte indagação: Como a contação de histórias africanas e afrodiaspóricas pode contribuir para uma prática pedagógica afrorreferenciada e para o processo de ensino e aprendizagem de crianças/adolescentes do 9º ano do Ensino Fundamental? A pesquisa parte da compreensão de que a ausência de referenciais positivos à história e à cultura negras nos currículos escolares impacta negativamente na formação das subjetividades de crianças e adolescentes negros(as), contribuindo para a perpetuação do racismo e da exclusão. Neste contexto, tem como objeto central a contação de histórias africanas e afrodiaspóricas, como suporte para subsidiar práticas pedagógicas que valorizem a ancestralidade, a identidade e a autoestima dos(as) estudantes, contribuindo para a construção de uma educação afrorreferenciada. Embasada nos estudos de Madhubuti & Madhubuti (1990), Cavalleiro (1999), Munanga (2005), Santiago (2019), Gomes (2005, 2017), Pinheiro (2020), Busatto (2012), Sisto (2012), entre outros, avança no sentido de demonstrar que a contação de histórias é uma estratégia didática e política, com potencial de resgatar e afirmar saberes historicamente silenciados, além de fortalecer práticas educativas que descentralizem a visão eurocêntrica predominante na escola. A tessitura metodológica tem como base a abordagem qualitativa, com ênfase na pesquisa de intervenção propositiva, de Oficinas de Contação de Histórias africanas e afrodiaspóricas. Com vistas a referendar o potencial formativo com jovens e adolescentes, especialmente no que se refere à valorização da ancestralidade, ao reconhecimento identitário e ao enfrentamento ao racismo. O estudo se justifica pela necessidade de promover práticas pedagógicas comprometidas com a equidade racial e pela urgência de efetivar, de forma crítica e significativa, as diretrizes das Leis 10.639/2003 e 11.645/2008 no cotidiano escolar. O que sobremaneira, contribuirá para a valorização e o respeito da diversidade étnico-racial, além da construção de uma educação afrorreferenciada que fomente a inclusão das diferentes identidades culturais negras no contexto educacional.