A PEQUENA SEREIA: A RELAÇÃO ENTRE PODER E VOZ
Voz feminina; Poder; Análise do Discurso; Linguagem; Cinema.
Esta dissertação investiga, sob a perspectiva foucaultiana, as transformações discursivas nas enunciações das personagens femininas nos filmes A Pequena Sereia (1989 e 2023), com foco na relação entre poder, linguagem e voz. O estudo parte do entendimento de Bakhtin (1992) de que “a linguagem é um fenômeno social e ideológico, que reflete as relações de poder e as formas de dominação presentes em uma cultura”. O problema central que norteia o estudo é entender de que maneira as enunciações das personagens sobre sua voz nos filmes A Pequena Sereia revelam mudanças discursivas que expressam a circulação e o exercício do poder nas relações sociais segundo a perspectiva foucaultiana. O objetivo é analisar como o silenciamento e a retomada da voz de Ariel, bem como a atuação de Úrsula, expressam dinâmicas de dominação, resistência e agência, conforme discutido por Butler (1997) e hooks (2000). Justifica-se a pesquisa pela relevância da linguagem na constituição de subjetividades e na reprodução de estruturas sociais, especialmente em produtos midiáticos voltados ao público infanto-juvenil. A metodologia é qualitativa e interpretativista, fundamentada na Análise do Discurso de orientação foucaultiana (Foucault, 2008) e dialógica (Bakhtin, 1997), articulando categorias da morfologia do conto maravilhoso de Propp (1978). O corpus é composto por cenas selecionadas das versões de 1989 e 2023 do filme, analisando enunciados verbais e visuais para compreender representações da voz feminina, o exercício do poder e estratégias discursivas. Como hipóteses do estudo, espera-se encontrar continuidades e rupturas nas práticas discursivas, refletindo sobre como transformações sociais e ideológicas impactam a construção da identidade e da agência das personagens. Como meta de pesquisa, pretende-se contribuir para o debate crítico sobre linguagem, poder e representações femininas na cultura midiática contemporânea.