Narrativa de mães-educadoras como letramentos de resistência: saberes e práticas no Centro Municipal de Educação Infantil (CMEI) Cecy Andrade
Mães-educadoras; Currículo; “Letramentos de reexistência”.
O presente estudo se inscreve na pesquisa intitulada Narrativas de mães-educadoras como letramentos de resistência: saberes e práticas no CMEI Cecy Andrade no programa de Mestrado em Estudos de linguagens: contextos lusófonos Brasil-África (MEL), da Universidade de Integração Internacional da Lusofonia Afro-Brasileira (UNILAB), campus dos Malês, em São Francisco do Conde – Bahia. Ao evidenciar as vozes das mães das crianças de um Centro Municipal de Educação Infantil (CMEI) de Salvador, enfatizamos o papel dessas mulheres, aqui referidas de mães-educadoras. Diante disso, essa pesquisa tem como objetivo compreender, a partir das narrativas das mães, como estas são constituintes do fazer pedagógico, produzindo “letramentos de reexistência” (SOUZA, 2011). Busca-se evidenciar memórias, experiências e vivências das mães-educadoras, como inerentes ao currículo, a partir da escuta dessas mulheres. E engendrar possibilidades que permitam à professora, às crianças e às suas mães enxergarem a escola em sua práxis libertadora (FREIRE, 2019). Trata-se de um estudo de campo, de cunho qualitativo, no qual se entende a pesquisadora como participante. Assim sendo, o tratamento das narrativas das mães-educadoras se faz análogo ao proposto por Grada Kilomba (2019), que descreve a partir das narrativas de mulheres negras a possibilidade de construção de novos sentidos, ao se apropriarem de suas vozes. Dessa perspectiva, tendo como aporte a seleção de poesias produzidas por mulheres negras, a professora-pesquisadora pretende acessar tais educadoras, realizando o que denomina de roda poética. Nessas rodas, a literatura se inscreve como possibilidade, para que se torne mobilizadora de uma outra prática de educação escolar. Sendo assim, ao trazer as rodas de conversa, como aporte metodológico do estudo a ser realizado, nos apropriamos da categoria mãe-educadora, buscando suscitar o protagonismo dessas mães no trabalho educativo que desenvolvemos na escola. É notório que essas mães assumem um papel significativo ao acompanharem o percurso de escolarização de suas crianças, por que então, não serem reconhecidas quanto à sua importância?