O contrato político-social a partir da obra Quarto de Despejo: diário de uma favelada, de Carolina Maria de Jesus
filosofia, política, literatura, descolonização, fome
A prática do ensino de linguagem, literatura, direitos, política e filosofia deve ser conduzida para uma reflexão social e humana da relação entre as pessoas e suas ações. Refletir sobre o nosso tempo e os problemas políticos e sociais da nossa sociedade é dever da prática da educação, da arte, da literatura, filosofia e todos os meios de linguagem humana. Os principais objetivos a serem atendidos por este trabalho é compreender a materialidade e o movimento da literatura na obra Quarto de Despejo, diário de uma favelada face ao conceito de contrato social na vida dos seres humanos. A literatura de Carolina Maria de Jesus, sobretudo a obra Quarto de despejo diário de uma favelada, mostra com propriedade o movimento político de gênero, raça e classe econômica em uma sociedade que foi colonizada e ainda sofre com o resquício da colonização, como a alienação do racismo e a desigualdade econômica e de oportunidades entre as pessoas. O conceito de Estado foi desenvolvido e trabalhado por filósofos contratualistas que analisaram o desenvolvimento da passagem do Estado de natureza para o Estado/sociedade Civil, servindo de base para esta análise o conceito de Contrato Social de filósofos como Russeal, Hobbes, Locke, Marx, entre outros. Esta leitura se desenvolve a partir da fome como um fato social presente e latente no livro de Carolina Maria de Jesus. A escritora e filósofa, autora “da verdade e realidade” como disse Clarisse Lispector, Carolina fez do pensamento e das palavras instrumento de arte e reflexão crítica. O que Carolina escreveu e a maneira como escreveu, nas condições que ela tinha, foi, é, e continuará sendo um ato revolucionário. Por isto, neste trabalho defende-se o legado de Carolina Maria de Jesus além de literata, uma vez que é preciso lembrar que a literatura viva da autora é o movimento e a materialidade da filosofia. É necessário descolonizar o ensino das disciplinas, e ir além das fronteiras. Em uma passagem a autora diz que “a cor da fome é amarela”, porque quando ela sente fome ela vê tudo amarelo. Isto é fundamental para compreendermos a legitimidade do lugar político de fala desta intelectual que nos lança a ótica da luta pela sobrevivência e da liberdade social.