AS ENUNCIAÇÕES DO TEMPO ESPIRALAR EM CONTOS
NEGRO-BRASILEIROS
Literatura negro-brasileira, tempo espiralar, crítica literária
Este trabalho se insere no campo de tensões e disputas epistemológicas que atravessam a crítica literária nacional, partindo da urgência de problematizar o lugar marginalizado das cosmopercepções africanas nas análises da literatura negro-brasileira. A pesquisa tem como objetivo central pensar o tempo literário para além das amarras cronológicas do paradigma ocidental, propondo uma abertura crítica que reconheça os modos plurais de construção do tempo mobilizados por escritoras e escritores negros. Ancorando-se nos aportes teóricos de Leda Maria Martins, Cuti, Edmilson de Almeida Pereira, Antônio Bispo dos Santos e outros autores comprometidos com uma episteme afrodiaspórica, a dissertação analisa três contos — de Conceição Evaristo, Fátima Trinchão e Jarrid Arraes — como territórios de inscrição e tensionamento temporal. A partir das experiências narrativas, buscamos identificar manifestações do tempo que escapam à lógica linear, como o tempo espiralar, compreendido enquanto ferramentas estéticas, políticas e contra-colonizadoras. O estudo pretende, assim, aprofundar um deslocamento teórico-metodológico na crítica literária, que passa a considerar os atravessamentos da oralidade, do imaginário social e da performance na constituição de novas formas de ler o tempo na literatura negro-brasileira.