CHULA E RELATIVO: A TROVA ANCESTRAL NA TRADIÇÃO ORAL NO RECÔNCAVO BAIANO
(um estudo comparativo entre mote/glosa, chula/relativo)
Literatura-terreiro, Oralidade, Chula/Relativo, Mote/Glosa
Esta dissertação tem como foco o estudo da poesia oral ligada ao cancioneiro popular dos versejadores de feira-livre (cantadores de viola) através dos termos “mote/glosa” em comparação ao que fazem os cantadores de Chula do Recôncavo Baiano, com os termos “chula/relativo”. Questionamos se os termos cunhados têm a mesma função nos seus respectivos estilos. Para responder a esse questionamento, fazem-se necessárias incursões sobre literatura e oralidade, considerando os conceitos de literatura-terreiro (Santos, 2017), de contracolonização (Bispo, 2023), bem como revisitar a história do samba e seus subestilos. Entendemos que o Recôncavo Baiano é um centro difusor de cantos e ritmos afrodiaspóricos mesclados às tradições europeias. Este trabalho, enquanto estudo comparativo entre mote/glosa e chula/relativo, também tem como foco a percepção das nuances criativas dos “gritadores de chula” que utilizam suas textualidades poéticas, juntamente com a viola machete, o coro, as palmas e os pandeiros, para contar seu canto de labor e existência, de amores e dores, marcados pelos sons dos tambores ancestrais.