PERSPECTIVAS SOBRE O SER E O VESTIR DE MULHERES MUÇULMANAS GUINEENSES NO
CEARÁ.
Mulheres muçulmanas; afroislamismo; fluxos migratórios; Guiné-Bissau;
vestuário.
O presente trabalho tem como objetivo geral compreender a relação entre religião e vestuário a partir
da experiência de mulheres guineenses muçulmanas residentes no Ceará. Objetivo esse que se desdobra em
três questões específicas: a) investigar historicamente a inserção do Islã no contexto brasileiro e cearense; b)
perceber os impactos do fluxo migratório entre Guiné-Bissau e Brasil no exercício da religião islâmica,
tendo como foco o vestuário e o corpo; e c) examinar as escolhas relacionadas aos usos e não usos do véu
(hijab). O ponto de partida para esse recorte advém do interesse de refletir por meio de uma perspectiva
inicialmente antropológica, porém interdisciplinar, sobre a percepção no imaginário brasileiro acerca do que
significa ser uma mulher muçulmana, em especial, uma mulher muçulmana guineense e que está ou esteve
em fluxo migratório entre Guiné-Bissau e Ceará. Entende-se o sentido de roupa como o mesmo de
indumentária e veste, ou seja, peças válidas como uma forma de existência em meio à sociedade, além de
uma maneira de ser que tem a capacidade de revelar modos de vida do ponto de vista histórico, social,
cultural, identitário, além de conflitos sociais e pertencimento (Cidreira, 2015). Assim, parte-se da hipótese
que o véu islâmico, hijab, tem o poder de racializar as mulheres muçulmanas e pode revelar questões
identitárias moldadas a partir de relações de poder.