A crise climática tem intensificado a poluição do ar e seus efeitos sobre a saúde, especialmente em contextos urbanos e vulneráveis, onde a queima de combustíveis fósseis, incêndios e ventilação domiciliar precária ampliam a exposição infantil a misturas de diversos poluentes. As crianças, por apresentarem vias aéreas menores, imaturidade imunológica e maior ventilação por peso, acumulam dose interna mais elevada e manifestam desde sintomas agudos até impactos negativos no crescimento pulmonar. Apesar do aumento de estudos, ainda faltam sínteses focadas na faixa etária pediátrica e a prática clínica de enfermagem carece de linguagem diagnóstica que incorpore explicitamente determinantes ambientais. Diante disso, torna-se necessário reunir e analisar criticamente as evidências sobre como a poluição do ar se relaciona às respostas humanas respiratórias prejudiciais em crianças. Nesse contexto, a presente pesquisa teve como objetivo analisar de forma sistemática as evidências científicas sobre a poluição do ar para ocorrência das respostas humanas respiratórias prejudiciais em crianças. Trata-se de uma revisão sistemática realizada com base nas recomendações do PRISMA e do JBI, registrada no PROSPERO (CRD42024570666). As buscas incluíram as bases de dados MEDLINE, EMBASE, Scopus (Elsevier), CINAHL, EBSCO, SOCindex (EBSCO), LILACS, BDENF, PsycINFO SciELO, Web of Science Core Collection, PubMed Central, Cochrane Library e Portal Regional da Biblioteca Virtual em Saúde. Realizou-se busca adicional nas listas de referências dos estudos incluídos e as citações foram geridas no EndNote 20 para remoção de duplicatas e, em seguida, triadas no Rayyan por dois revisores independentes, onde também foi realizada a leitura de títulos/ resumos e avaliação de texto completo. Incluíram-se estudos que mensuraram exposição à poluição do ar e relataram respostas respiratórias prejudiciais em crianças de 0 a 12 anos, 11 meses e 29 dias. A extração foi realizada usando o Excel 2016 e contemplou identificação, características metodológicas, poluentes, fontes, níveis/duração da exposição e desfechos dos estudos revisados. Os achados foram analisados de forma qualitativa por síntese narrativa. Foram identificados 1.930 artigos, destes 387 passaram pela triagem de título e resumo, 212 foram lidos na íntegra e 110 cumpriram os critérios e compuseram a amostra final da revisão. Notou-se que as publicações sobre poluição do ar e respostas respiratórias prejudiciais em crianças iniciaram em 1979, porém aumentaram ao longo do tempo, com pico de produção em 2014. Predominaram estudos realizados nos Estados Unidos, China, Brasil e Austrália. As fontes de poluição mais citadas foram poluição atmosférica, fumaça de cigarro e tráfego veicular, seguidas por indústrias, ambientes internos, gás de cozinha e biomassa, com menções pontuais a refinarias, queima agrícola, carvão e uso do solo. Os poluentes mais frequentes incluíram material particulado fino e inalável, dióxido de nitrogênio, óxidos de nitrogênio, ozônio, dióxido de enxofre e monóxido de carbono, além de marcadores de emissão veicular e compostos orgânicos voláteis. Entre as respostas humanas respiratórias prejudiciais em crianças, destacaram-se sibilância, tosse, catarro, espirro, dor de garganta, secreção nasal e coriza, processos infecciosos nas vias aéreas, alterações na capacidade pulmonar, reação inflamatória e reação alérgica. Conclui-se que a exposição de crianças à poluição do ar, em ambientes externos e internos, associa-se consistentemente a respostas humanas respiratórias e assim subsídios para a elaboração de diagnósticos de enfermagem. Os achados desta revisão apontam que futuras pesquisas devem não apenas aprofundar a compreensão científica e a atualização da taxonomia de diagnósticos de enfermagem, mas também subsidiar políticas públicas de mitigação e estratégias clínicas de prevenção.