CUIDADO PRÉ-NATAL A MULHERES COM DEFICIÊNCIA VISUAL: CONHECIMENTO, ATITUDES E PRÁTICAS DE ENFERMEIROS NA ATENÇÃO PRIMÁRIA.
Conhecimentos, Atitudes e Prática em Saúde; Saúde da Pessoa com Deficiência; Cuidado Pré-Natal; Atenção Primária à Saúde; Enfermagem.
A Atenção Primária à Saúde (APS) representa a principal porta de entrada do Sistema Único de Saúde (SUS), sendo fundamental para a promoção de um cuidado contínuo e integral, especialmente durante o pré-natal. No entanto, mulheres com deficiência visual ainda enfrentam significativas barreiras de acesso, ocasionadas por falhas estruturais, comunicacionais e atitudinais. Este estudo teve como objetivo investigar o conhecimento, atitudes e práticas dos enfermeiros da APS acerca do cuidado pré-natal a mulheres com deficiência visual. Trata-se de uma pesquisa exploratório-descritiva, de abordagem quantitativa, realizada com 116 enfermeiros atuantes em municípios do Maciço de Baturité, Ceará. Para coleta de dados, utilizou-se um instrumento validado de Conhecimento, Atitude e Prática (CAP), analisado por meio de estatísticas descritivas e inferenciais, com suporte dos softwares JAMOVI e JASPER. Também foram incluídas análises qualitativas a partir de questões abertas, processadas à luz do método de Colaizzi. Os resultados apontaram para lacunas importantes no conhecimento e na prática dos profissionais, especialmente quanto à comunicação adequada e estratégias inclusivas. A maioria dos participantes nunca realizou atendimento pré-natal com gestantes cegas, embora demonstrassem atitudes favoráveis e reconhecessem a importância da acessibilidade. A etapa qualitativa revelou que os profissionais valorizam a comunicação acessível, o uso de recursos sensoriais e a promoção da autonomia das gestantes com deficiência visual, destacando estratégias como descrição do ambiente, uso do toque e linguagem clara. Contudo, ainda persistem percepções capacitistas e dúvidas sobre condutas específicas, especialmente entre enfermeiros com menor tempo de atuação na APS. O estudo evidencia a necessidade de capacitação permanente e inclusão de conteúdos específicos sobre deficiência visual na formação em enfermagem, além de fomentar políticas públicas que garantam equidade no cuidado à mulher com deficiência. A adoção de práticas humanizadas, embasadas nos princípios da equidade, inclusão e integralidade, é essencial para promover um pré-natal efetivo e respeitoso. Os achados reforçam o papel estratégico do enfermeiro na construção de um SUS mais acessível e inclusivo, além de indicarem o potencial do instrumento CAP como ferramenta avaliativa e formativa para qualificar o cuidado em contextos de vulnerabilidade.