DIAGNÓSTICO SITUACIONAL DAS SALAS DE IMUNIZAÇÃO DE MUNICÍPIOS DO CEARÁ
avaliação em saúde; diagnóstico situacional; atenção primária à saúde; imunização; enfermagem.
A imunização é reconhecida internacionalmente como uma das medidas mais importantes e eficazes de saúde pública para prevenir doenças, reduzir a mortalidade e fortalecer a segurança sanitária global. No Brasil, o Programa Nacional de Imunizações consolidou a vacinação como política pública universal, gratuita e equitativa; contudo, fragilidades estruturais e organizacionais ainda comprometem a efetividade das ações, especialmente em contextos interioranos. Objetivo: Analisar o diagnóstico situacional das salas de vacinação em municípios do interior do Ceará, no contexto da avaliação em saúde. Metodologia: Trata-se de uma pesquisa descritiva, observacional, transversal e de abordagem quantitativa. A coleta de dados ocorreu entre dezembro de 2024 a janeiro de 2025, abrangendo 23 salas de vacinação distribuídas em quatro municípios da região do Maciço de Baturité, no estado do Ceará (Itapiúna, Capistrano, Aracoiaba e Acarape), com a participação de 23 profissionais de saúde, sendo a coleta estruturada em 3 etapas: I) aplicação de questionário para caracterização do perfil dos participantes e das salas de vacinação; II) observação com base no instrumento criado pelo PlanificaSUS, com foco nas dimensões Rede de Frio e Sistemas de Informação; e III) aplicação de questionário baseado na Matriz SWOT. Os dados foram armazenados no Excel e analisados no software Statistical Package for the Social Science. A pesquisa foi aprovada pelo Comitê de Ética em Pesquisa da Universidade da Integração Internacional da Lusofonia Afro-Brasileira, conforme parecer n.º 7.042.488. Resultados: A análise do perfil das participantes revelou predomínio do sexo feminino (100%) e da categoria de técnicas de enfermagem (95,65%). As salas de vacinação localizavam-se, majoritariamente, em áreas rurais (56,52%) e funcionavam, em sua maioria, no horário das 8h às 16h (52,17%). Os resultados foram apresentados nas dimensões Rede de Frio e Sistemas de Informação. Na Rede de Frio, observou-se alta conformidade: tomada elétrica exclusiva (95,65%), uso exclusivo de refrigerador para imunobiológicos (95,65%), registro rotineiro das temperaturas (95,65%), além de comunicação imediata em situações de risco térmico (100%). Nos Sistemas de Informação, destacou-se o uso do Sistema de Informação do Programa Nacional de Imunizações e de sistemas integrados ao Sistema de Informação em Saúde para a Atenção Básica (82,61%), com 100% de formulários, instrumentos de registro e utilização de cartões ou cadernetas de vacinação para diferentes públicas e para o boletim mensal de doses aplicadas. Na análise, considerando a matriz SWOT, as principais forças identificadas foram: uso consistente de sistemas de informação e a presença de equipamentos adequados (ambos com 30,43%), domínio técnico das equipes quanto ao conhecimento sobre os procedimentos (26,09%) e à comunicação (21,74%). Fragilidades: falta de insumos (34,78%), barreiras geográficas e recusa vacinal (ambas com 17,39%), carência de sistematização das rotinas e de educação continuada (13,04% cada). Oportunidades: ampliação de capacitações profissionais (47,38%) e a oferta de equipamentos por meio de parcerias e programas externos (39,13%). Ameaças: inadequação de equipamentos, o uso de refrigeradores domésticos e a rotatividade de profissionais (ambos com 26,09%). Conclusões: Embora tenham sido observados avanços na Rede de Frio e no uso dos Sistemas de Informação, persistem fragilidades que comprometem a efetividade das ações de imunização. O fortalecimento da vacinação na Atenção Primária requer investimentos contínuos em estrutura, gestão e qualificação das equipes, com estratégias ajustadas às especificidades territoriais.