VALIDAÇÃO DO DIAGNÓSTICO DE ENFERMAGEM 'RISCO DE PERFUSÃO TISSULAR CEREBRAL INEFICAZ' EM PESSOAS COM ACIDENTE VASCULAR CEREBRAL: INFLUÊNCIA DE MUDANÇAS CLIMÁTICAS E POLUIÇÃO DO AR
O acidente vascular cerebral (AVC) é uma das principais causas de morbimortalidade no mundo, sendo responsável por elevado impacto clínico, social e econômico. No contexto da enfermagem, o diagnóstico “Risco de Perfusão Tissular Cerebral Ineficaz” (RPTCI) assume importância estratégica, pois está diretamente relacionado à manutenção da circulação cerebral e à prevenção de complicações associadas ao AVC. Considerando os impactos crescentes das mudanças climáticas e da poluição atmosférica na saúde cerebrovascular, torna-se necessário um processo rigoroso de validação diagnóstica. Assim, este estudo tem como objetivo validar o diagnóstico de enfermagem Risco de Perfusão Tissular Cerebral Ineficaz para pessoas com acidente vascular cerebral, com foco em componentes relacionados a mudanças climáticas e poluição do ar. O percurso metodológico será desenvolvido em três grandes etapas. A primeira, Construção Teórica, tem como finalidade a elaboração de uma Teoria de Médio Alcance (TMA). Para isso, serão realizadas revisões de escopo sobre clima e AVC, poluição do ar e AVC, além de revisões narrativas quando necessárias. Essas análises serão articuladas à Teoria da Adaptação de Roy e à Teoria da Vulnerabilidade Climático-Ambiental à Perfusão Cerebral, subsidiando a formulação de um modelo conceitual robusto, apoiado em pictogramas e referenciais de causalidade. A segunda etapa, Validação de Conteúdo, contará com a participação de juízes especialistas que avaliarão a pertinência, a clareza e a relevância clínica dos componentes diagnósticos. Será utilizado o Índice de Validade de Conteúdo (IVC), com rodadas adicionais até atingir consenso, visando estruturar, validar e tornar o diagnóstico mais coeso e aplicável na prática clínica. A terceira etapa compreende a Validação Clínica do diagnóstico, conduzida por meio de estudo de coorte retrospectiva em hospital de referência em AVC. A amostra, estimada entre 110 e 220 pacientes, será analisada a partir de dados clínicos, ambientais e temporais, permitindo examinar a associação entre mudanças climáticas, poluição do ar e o diagnóstico RPTCI. Espera-se que os resultados reforcem a aplicabilidade prática do diagnóstico, ampliem a segurança clínica e subsidiem políticas públicas voltadas à saúde cerebrovascular em cenários de vulnerabilidade climática e ambiental.