A INSERÇÃO DAS CRIANÇAS E JOVENS IMIGRANTES EM CONTEXTOS ESCOLARES EM MARACANAÚ-CE
Migração; Interculturalidade; educação decolonial
Esta dissertação, defendida no Programa de Pós-Graduação do Mestrado Interdisciplinar em Humanidades (MIH) da Universidade da Integração Internacional da Lusofonia Afro-Brasileira (UNILAB), resultou de uma pesquisa que nos levou a refletir sobre o lugar da cultura no cotidiano escolar como objeto de análise das relações interculturais. Focamos em diversas interações entrelaçadas que circundam as práticas educativas, influenciando diretamente a forma como os alunos imigrantes aprendem e se relacionam. O estudo teve como objetivo investigar a inserção intercultural de crianças e jovens imigrantes nos contextos escolares. A população-alvo abrangeu estudantes imigrantes matriculados em uma escola pública de ensino fundamental em Maracanaú, Ceará, além dos profissionais da educação que trabalham diretamente com essa população. A compreensão do contexto mais amplo, que inclui aspectos sociais, econômicos e políticos das migrações internacionais e internas, foi complementada pelos objetivos específicos: investigar as políticas públicas adotadas pelo sistema educacional brasileiro em relação à inclusão e integração de crianças e jovens imigrantes no contexto escolar, identificando os principais desafios e lacunas na implementação dessas políticas; avaliar as práticas e estratégias pedagógicas utilizadas pelas escolas de Maracanaú-CE para acolher crianças e jovens imigrantes, examinando como a educação intercultural é aplicada para promover o diálogo e a compreensão das diferenças culturais entre os alunos, sejam eles imigrantes ou brasileiros; e analisar o impacto das ações de capacitação e formação de educadores em Maracanaú-CE no que se refere à preparação para lidar com a diversidade cultural e os possíveis traumas associados às migrações, visando identificar melhores práticas e recomendações para aprimorar a qualidade da educação. A coleta de dados foi realizada por meio de entrevistas semiestruturadas com gestores, professores, pedagogos, psicólogos e técnicos, além de grupos focais com os imigrantes e seus responsáveis, permitindo explorar suas vivências e desafios no ambiente escolar. Observações diretas nas escolas também foram realizadas para documentar as interações entre os imigrantes, seus colegas e professores, identificando possíveis dificuldades na integração escolar. Inspiramo-nos em pensadores como Vera Maria Candau, Edgar Morin, Gilles Deleuze, Paulo Freire, António Nóvoa e Stuart Hall, fundamentando nosso trabalho em uma abordagem crítica e decolonial da educação. Utilizamos uma metodologia que combina uma perspectiva fenomenológica e narrativa, apoiada pela análise do discurso crítico para interpretar os dados coletados. As observações e entrevistas revelaram que o idioma emergiu como uma importante porta de entrada para a inclusão dos estudantes imigrantes, embora frequentemente se tornasse uma barreira que dificultava esse processo. Apesar das tentativas de promover a interculturalidade entre crianças venezuelanas e brasileiras e dos esforços de alguns professores, identificamos uma clara necessidade de políticas públicas que integrem a interculturalidade crítica no cotidiano escolar. Essas políticas são essenciais para garantir uma convivência harmoniosa, acolhedora e inclusiva entre os diferentes grupos culturais presentes na escola.