A FORMAÇÃO DE PROFESSORES E A ALFABETIZAÇÃO DE CRIANÇAS QUILOMBOLAS NO CONTEXTO ESCOLAR DO PAIC (BATURITÉ/ CEARÁ 2013-2023)
Alfabetização quilombola; formação continuada; PAIC
A educação escolar quilombola no Brasil tem enfrentado desafios históricos relacionados à inclusão e à garantia de qualidade no ensino. As comunidades quilombolas, formadas por descendentes de africanos escravizados, possuem uma rica herança cultural e uma organização social distinta que devem ser respeitadas no ambiente social e educacional. No entanto, mesmo com a proteção de leis específicas, como a Lei 10.639/2003, que inclui a obrigatoriedade do ensino da História e Cultura Afro- brasileira, a educação quilombola ainda carece de práticas pedagógicas adaptadas às suas particularidades culturais. Nesse cenário, a formação continuada de professores se apresenta como uma estratégia central para garantir que a educação nessas comunidades respeite, promova e valorize suas especificidades. Diante do exposto, esta pesquisa tem como objetivo geral investigar a relação entre a formação continuada de professores alfabetizadores do PAIC e o processo de alfabetização das crianças na EEIF Osório Julião, localizada na Serra do Evaristo no município de Baturité (2013 – 2023). A metodologia utilizada é uma abordagem mista (quantitativa e qualitativa), combinando pesquisa exploratória-descritiva tendo como arcabouço teórico Bogdan e Biklen (1994) e Minayo (2014). Para isso utilizou-se o estudo de caso, Chizzotti (2014). A coleta de dados ocorreu por meio de questionários aplicados a professoras e formadoras do PAIC e teve apoio em Gil (2002). Para discutir a formação docente: Fernandes (2023). Freire (1987), Miranda (2012), Sato e Castioni (2022), Silva (2015), Souza (2019), e Fazenda (1994), bem como se apoia nos resultados das avaliações externas aplicadas na escola, no município e no estado ao longo de dez anos. Os resultados sugerem que a formação continuada de professores tem contribuído para a adaptação das práticas pedagógicas às realidades quilombolas. Os dados quantitativos, apontam uma melhoria gradual nos índices de alfabetização das crianças quilombolas. No entanto, esses avanços não são uniformes, especialmente em turmas multisseriadas, onde a diversidade de níveis de desenvolvimento cognitivo entre os alunos apresenta maiores desafios. Ainda se verificam desafios no que se refere à implementação de práticas que integrem plenamente as especificidades quilombolas no processo educativo. Contudo, de maneira similar, os questionários apontam para percepções variadas entre as professoras e formadoras quanto à eficácia da formação continuada no enfrentamento dos desafios encontrados em sala de aula.