DOCÊNCIA AFRO-FEMININA: ESCREVIVENDO E ENTRELAÇANDO SABERES E PRÁTICAS DE PROFESSORAS NEGRAS DA UNILAB–CE.
Docência afro-feminina; pedagogia feminista negra; docentes negras; ensino superior.
Esta pesquisa investigou a práxis docente de professoras negras do Instituto de Humanidades da Universidade da Integração Internacional da Lusofonia Afro-Brasileira (UNILAB), com o objetivo de analisar como suas práticas se articulam com os fundamentos da pedagogia feminista negra. A partir de uma abordagem qualitativa e inspirada na Escrevivência (Evaristo, 2020) e na pesquisa centrada em sujeitos (Kilomba, 2019), foram construídas narrativas sensíveis que permitiram compreender a constituição identitária e profissional de três docentes negras — Rosa Negra, Ayana e Ayó. A principal contribuição conceitual do estudo foi a formulação da noção de docência afro-feminina, entendida como uma práxis consciente, politizada e afetiva, fundamentada por saberes e práticas históricas de mulheres negras, e que se distingue por seu compromisso com a justiça social, a amorosidade e a valorização das experiências vividas. A pesquisa demonstra que essa docência não é determinada exclusivamente por marcadores de raça e gênero, mas pela articulação crítica com os princípios do feminismo negro, como o diálogo, a interseccionalidade, a ancestralidade, a sala de aula como espaço de nutrição de axé e o uso da experiência como eixo formativo. Os resultados confirmam a hipótese inicial de que há uma práxis docente diferenciada entre professoras negras da UNILAB, marcada por uma pedagogia comprometida com a dignidade, o bem-viver e a superação de violências estruturais. Conclui-se que a docência afro- feminina, tal como delineada neste estudo, representa uma alternativa potente à lógica tradicional da educação, ao integrar afeto, crítica social e resistência política em suas práticas.
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