Trilogia da guerra em Pepetela: Literatura e Memória nos romances Mayombe, A Geração da Utopia e Parábola do Cágado Velho
Escritor Pepetela; Angola; Representação literária; Estudos Pós-Coloniais; Literaturas Africanas
A presente dissertação analisa os romances Mayombe (2013), A geração da Utopia (2013) e Parábola do Cágado Velho (2005), autoria do escritor e sociólogo angolano
Pepetela, a partir das perspectivas dos estudos pós-coloniais e nos debates sobre Memória e Literatura e Sociedade, no âmbito das Literaturas Africanas de Língua
Portuguesa. Observando os romances do escritor angolano Pepetela como um projeto literário que apresenta memórias da luta e resistência em Angola, o presente
trabalho investiga os romances a partir da representação literária durante o processo de emancipação política angolana, tendo um recorte temporal inicializando nos
preparativos e no combate armado para as lutas de libertação nacionalista (1960-1975), bem como a eclosão e as sequelas advindas da guerra civil (1976-2002). A
hipótese desta dissertação é a de que os romances destacados neste trabalho podem ser considerados uma trilogia da guerra que reflete momentos revolucionários em
Angola. Constituindo-se, assim, que as obras Mayombe (2013), A geração da Utopia (2013) e Parábola do Cágado Velho (2005) constroem narrativas que apresentam
representações literárias dos combates armados presenciados no território angolano. Nessa perspectiva, a partir das leituras e investigações dos romances à luz da
memória política e social de Angola foi possível detectar que o escritor angolano aborda como prisma principal a memória de luta e resistência do povo angolano no que
diz respeito as lutas de independência nacionalista (1960-1975), guerra civil (1976-2002), bem como os rastros de uma herança legado para o pós-independência. Desse
modo, Pepetela, na dinâmica da escrita das Literaturas Africanas de Língua Portuguesa, constrói obras literárias com um projeto literário, cujo enredo, tempo e espaço
aglutina-se com a memória de uma sociedade que sonhou, lutou, desencantou, mas que na modernidade reascendeu, mais uma vez, resquícios da Utopia de uma
sociedade justa e igualitária.