USO POPULAR DE PLANTAS MEDICINAIS PARA SAÚDE
MENTAL NO MUNICÍPIO DE GUAIÚBA-CE.
Fitoterapia. Centro de Atenção Psicossocial. Plantas Medicinais. Saúde mental.
O uso de plantas medicinais é uma prática tradicional transmitida entre gerações,
principalmente por sua acessibilidade e possibilidade de cultivo doméstico. No contexto da
saúde mental, diante do aumento de transtornos como depressão e ansiedade, muitos
indivíduos recorrem a estas como forma de prevenção, alívio de sintomas ou tratamento,
especialmente em cenários de vulnerabilidade socioeconômica. Nisto, o objetivo geral foi
investigar o uso de plantas medicinais na saúde mental entre usuários do Centro de Atenção
Psicossocial (CAPS) de Guaiúba-CE. Trata-se de um estudo exploratório-descritivo, de
delineamento transversal, com abordagem quantitativa. Foram analisados o perfil
sociodemográfico dos participantes, as espécies vegetais utilizadas e as percepções sobre sua
eficácia e segurança. Foram entrevistados 298 pacientes em tratamento para transtornos
mentais. Predominaram mulheres (51,6%), com idade entre 31 e 50 anos (28,9%), ensino
médio (36,5%) e renda de até um salário mínimo (48,4%). A maioria era católica (41,6%) ou
evangélica (39,8%). As plantas mais utilizadas foram capim-santo (61,2%), erva-cidreira
(51,1%) e maracujá (48%), principalmente para insônia (75,9%) e ansiedade (58,1%). O uso
diário foi relatado por 44,1% dos participantes. O cultivo próprio foi a principal forma de
obtenção (53,1%). O preparo mais comum foi o chá (95,1%), utilizando folhas (87,5%) e
frutos (53,9%). A principal fonte de conhecimento foi familiar (86,8%) e os principais motivos
para o uso foram a crença no poder curativo (28,6%) e o baixo custo (27,1%). Quanto aos
efeitos adversos, 50,3% não relataram nenhum, sendo náuseas (13,1%) e tontura (10%) os
mais frequentes. Algumas plantas apresentaram associações específicas com determinados
sintomas. O estudo demonstrou uma forte relação entre o saber popular e o uso de plantas
medicinais no cuidado à saúde mental, evidenciando seu potencial como prática complementar
ao tratamento convencional. Recomenda-se uma abordagem humanizada, com orientação de
profissionais capacitados, especialmente farmacêuticos, visando garantir a segurança e a
eficácia dessas terapias. A integração entre saber tradicional e científico, bem como o
desenvolvimento de políticas públicas voltadas para a educação em saúde e o cultivo
sustentável, é fundamental para fortalecer a saúde mental e a qualidade de vida da população.