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KARINA DE LIMA LOPES
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A Santa Negra do Brasil: O Entrelaçamento de Histórias de Vidas em Face á Rrepresentatividade Negra na Comunidade dos Milagres em Fortaleza Ce”
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Data: 27/02/2025
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Esta pesquisa visa apresentar uma reflexão antropológica aprofundada sobre as relações étnico-raciais e a influência da Igreja Católica, através das histórias de vida e experiências dos indivíduos que se sentem representados por Nossa Senhora Aparecida, padroeira do Brasil, e de como constroem suas identidades a partir dessa devoção. A Capela de Nossa Senhora Aparecida serve como um espaço de integração e reunião para pessoas de baixa renda, majoritariamente negras, situada no bairro Jardim das Oliveiras, também conhecido como Comunidade dos Milagres.Utilizando métodos qualitativos, incluindo histórias de vida, escrevivências e pesquisa etnográfica com observação participante, a investigação busca compreender os fatores que reverberam estigmas e traumas enquanto simultaneamente constroem processos de identificação e representação. O estudo foca em cinco histórias de vida que se conectam através dos marcadores de diferença: raça, identidade e religião. A análise examina as aproximações e distanciamentos que os interlocutores têm com Nossa Senhora Aparecida em relação à construção individual e coletiva da identidade negra, bem como suas interconexões através de histórias de luta, trauma, alegrias e a própria experiência de existir e ser. A reflexão e análise serão conduzidas a partir de teorias que permeiam o campo antropológico, buscando entender como o processo de colonização deixou marcas sociais, preconceitos e desigualdades que perduram até hoje. Serão discutidos autores como Munanga, Schwarcz, Fanon, Hall, Fernandes, Domingos, Hembapé Bá, entre outros, para contextualizar e enriquecer a discussão teórica. Adicionalmente, serão exploradas, por meio de discursos, as questões de transcendência, fé e iconografia religiosa, oferecendo uma compreensão multidimensional dos fenômenos observados.
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FRANCISCO BRENO GUEDES MATOS
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“NÃO É SÓ CHEGAR E DANÇAR”: IDENTIDADE E PERTENCIMENTO NA QUADRILHA JUNINA BABAÇU, CEARÁ, BRASIL
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Data: 28/03/2025
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Esta dissertação tem como objetivo refletir sobre o sentido de identidade coletiva e pertencimento entre os brincantes da quadrilha Junina Babaçu, de Fortaleza, Ceará. Especificamente, busca-se compreender quais elementos associados ao processo de construção do espetáculo da quadrilha contribuem para a adesão dos brincantes à identidade do grupo, como esses elementos são construídos e reforçados durante esse processo e em que medida essa adesão se sustenta. Para isso, foi realizada uma etnografia do processo de construção da quadrilha, abrangendo eventos e ensaios, para a realização do espetáculo “Rogai por Nós”, apresentado em 2024. Em diálogo com uma perspectiva simbólica, me valho, especialmente, de teorias do ritual e da identidade para fundamentar, de forma teórico-metodológica, as observações realizadas. O ritual foi pensado como uma forma de compreender o fazer da Junina Babaçu, em especial como o processo de construção do espetáculo foi estruturado, enquanto as teorias da identidade ajudaram a perceber como a identidade coletiva da quadrilha foi construída simbolicamente nesse processo, bem como a observar como os brincantes vivenciaram essa identidade. Os dados obtidos em campo mostram que a Junina Babaçu se constrói em um ritual que cria sua própria temporalidade e processo. Ela é vivenciada pelos brincantes por meio de disputas e negociações de espaços nas hierarquias internas, realizadas em um sistema de trocas, e constrói um sentido de pertencimento com base na identidade coletiva, formada no campo competitivo das quadrilhas. Essa identidade tem como centralidade a exclusividade, o destaque no meio junino e a profissionalização, trazendo desafios e reconhecimento para seus brincantes. Dessa forma, a realidade da quadrilha Junina Babaçu contribui para as discussões sobre festa, cultura brasileira, estudos do ritual, da identidade e da própria quadrilha junina. Contudo, as reflexões aqui apresentadas não têm a pretensão de estabelecer uma forma fixa ou imutável para pensar os temas abordados, mas sim de apresentar um dos vários caminhos possíveis para refletir sobre eles.
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JÚLIA MOREIRA RIBEIRO
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ENTRE MATAS E TRAJETÓRIAS: PERSPECTIVAS FEMININAS SOBRE A REATIVAÇÃO DO CAFÉ DE SOMBRA NO MACIÇO DE BATURITÉ, CEARÁ
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Data: 03/07/2025
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A presente pesquisa busca compreender a relação entre as trajetórias de quatro mulheres e a reativação do ‘café de sombra’, como é chamado por elas o café cultivado na região do Maciço de Baturité, no Ceará, há mais de 200 anos. Para isso, as trajetórias constituem o trabalho por meio de conversas e acompanhamentos da associação ECOARCAFÉ - Associação dos Cafeicultores Ecológicos da Serra de Baturité, da qual todas fazem partes de maneiras distintas, principalmente levando em consideração que são todas donas dos sítios onde produzem café e mudas de café. Partindo das trajetórias pessoais, que envolvem as trajetórias familiares, e de experiências femininas, como também das “alianças parciais” que são feitas para manter a cafeicultura ativa, as relações familiares e ecológicas se confundem, sendo constantemente acionadas para lidar com problemáticas institucionais e pessoais, das quais o café sempre está presente. As descrições das experiências com o café ora são ditas a partir das experiências delas próprias, ora partem de relatos que familiares contaram, sendo estes presentes em todas as decisões finais. É versado ao longo deste trabalho a análise de como a constituição do processo de reativação da cafeicultura serrana, reivindicada como ecológica propositalmente por elas, apresenta nuances sobre suas experiências femininas e familiares inescapáveis para projetos de desenvolvimento em andamento na região.
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FRANCISCA GABRIELLA BRITO TAVARES
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“VOZES DA TRANSFORMAÇÃO: AS ESTRATÉGIAS DE ARTICULAÇÃO DAS MÃES DO BAIRRO PARQUE SANTA MARIA NA FORMULAÇÃO DE POLÍTICAS PÚBLICAS PARA CRECHES EM FORTALEZA – CEARÁ”
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Data: 28/07/2025
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Esta dissertação segue os rastros deixados por um coletivo de mães do bairro Parque Santa Maria, em Fortaleza – Ceará, que transformaram o luto em ação política. O fio condutor da pesquisa surgiu do encontro com uma carta escrita por essas mães, anexada à nota técnica do CEDECA Ceará, onde reivindicavam creches seguras e de qualidade após uma tragédia que ceifou a vida de uma criança em 2018. Essas mulheres se organizaram como comissão e passaram a costurar, com palavras e presença, uma rede de mobilização que transcendeu a dor e a tornou verbo de ação. A partir de entrevistas abertas, observação participante e diário de campo, o trabalho investiga como essas mulheres, historicamente silenciadas, tecem práticas de resistência e enfrentamento às ausências do Estado, disputando o direito à infância e à dignidade no território. A pesquisa entrelaça os conceitos de maternidade, luto, território, memória e articulação política, propondo uma leitura situada e interseccional da mobilização das mulheres periféricas. Ao mapear os impactos dessa luta, o trabalho identifica conquistas simbólicas e concretas, como a criação de novos centros de educação infantil, a reforma de unidades escolares precárias e o fortalecimento das redes comunitárias. A judicialização da causa, com a Ação Civil Pública proposta pelo CEDECA e Ministério Público, e a ampliação das vagas em creches na cidade, evidenciam que a articulação das mães produziu efeitos reais nas políticas públicas locais. Mais do que descrever resultados, esta dissertação se propõe a ouvir, interpretar e narrar um processo de transformação coletiva. O fio de Ariadne, que guiou a pesquisadora em seu percurso, se desenrola aqui como metáfora da escuta, da memória e da resistência, compondo um tecido político feito de afetos, ausências, conquistas e esperanças. Ao final, as vozes das mães do Parque Santa Maria não apenas ecoam por justiça, mas costuram outras formas de existir e resistir nas brechas do cotidiano.
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JORGE DA SILVA GOMES
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A luta pela mãe terra é mãe de todas as lutas: Os desafios dos povos indígenas de Poranga pelo território tradicional da aldeia Cajueiro
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Data: 28/11/2025
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O presente projeto de pesquisa aborda a seguinte temática: A luta pela mãe Terra é mãe de todas as lutas: os desafios dos povos indígenas de Poranga pelo território tradicional da aldeia Cajueiro. Tem como objetivo geral identificar e compreender os motivos e fundamentos utilizados pelas lideranças e povos indígenas para realizar os processos de retomadas do seu território tradicional a partir de narrativas e articulações das lideranças indígenas da aldeia Cajueiro. São objetivos específicos identificar o número de retomadas realizadas pelos povos indígenas do Ceará; apresentar os argumentos utilizados pelas lideranças indígenas Tabajara de Poranga durante o processo inicial e de execução da retomada; contextualizar as estratégias utilizadas pelas lideranças indígenas para motivar o povo a ocupar a retomada. A luta pela demarcação dos territórios tradicionais dos povos indígenas tem sido, há mais de três décadas, a principal bandeira de luta dos povos e organizações indígenas do Brasil. Diante disso, nos perguntamos: frente à inércia do Estado brasileiro em demarcar os territórios indígenas, de que modo os processos de retomadas dos territórios indígenas têm impulsionado o Estado a cumprir suas atribuições institucionais? Os processos de retomadas dos territórios indígenas são de fato instrumentos eficazes para garantir celeridade nos procedimentos de identificação e delimitação dos territórios indígenas? Como o povo Tabajara de Poranga tem conseguido resistir na retomada? As famílias indígenas no território têm conseguido garantir a reprodução física e cultural e o usufruto exclusivo das riquezas do solo existentes no território ou foi um mero fracasso? Para isso foi adotada uma metodologia de cunho etnográfico de acordo com Mattos (2011), para quem o senso do etnógrafo no trabalho em campo prevalece sobre padrões rígidos ou pré-determinados. Em detrimento dos aspectos observacionais da abordagem metodológica escolhida, foi elaborada uma detalhada descrição acerca dos documentos, ofícios, fotografias e narrativas que motivaram as lideranças indígenas a realizar a retomada. Durante essa etapa, foi analisado de forma detalhada cada aspecto, justificativas e motivos que impulsionam as lideranças indígenas a romper obstáculos e retornar ao território tradicional. O trabalho de campo consistiu na coleta de entrevistas junto às lideranças indígenas e outros atores responsáveis pela defesa e proteção desses povos. Foi realizada pesquisa bibliográfica conforme define Gil (2002), visando o aprofundamento nas discussões sobre os processos de retomadas dos territórios indígenas e a metodologia empreendida.
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TAMIRES COELHO MARINHO
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Mulheres negras no divã: um estudo antropológico da vida afetiva de quatro mulheres negras
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Data: 15/12/2025
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Esta dissertação investiga as opressões interseccionais de raça, gênero e classe na vida afetiva de mulheres negras. A pesquisa, cujo tema surgiu da observação na clínica psicanalítica, parte da premissa de que o racismo, o machismo e a homofobia geram sofrimentos específicos e traumáticos que se manifestam intensamente nas relações amorosas e familiares desse grupo. O objetivo central é analisar, através das narrativas de quatro jovens mulheres negras cisgênero – com sexualidades autoatribuídas como heterossexual, bissexual, pansexual e lésbica –, de que forma essas estruturas de poder impactam suas trajetórias amorosas e qual o custo para sua saúde mental e física. Metodologicamente, o estudo baseia-se em entrevistas semiestruturadas com essas interlocutoras, todas da classe média baixa e com ensino superior, complementadas por dados contextuais de seu acompanhamento terapêutico, sempre com consentimento e anonimato preservados. Sustentada pelo referencial teórico do feminismo negro, que permite compreender a sobreposição das opressões, e pela Antropologia do corpo, que discute a significação social do corpo negro, a análise integra a Psicanálise para acessar a dimensão subjetiva do trauma. Os resultados demonstram que a rejeição e o desrespeito são experiências centrais quando essas mulheres transgridem o padrão social branco, hétero e feminino, especialmente ao se recusarem a obedecer a scripts normativos em relacionamentos. A dissertação conclui, portanto, evidenciando a ligação indissociável entre os determinantes sociais e a saúde mental, afirmando que a vida afetiva das mulheres negras constitui um campo privilegiado para observar os danos subjetivos decorrentes do racismo, do sexismo e da homofobia.
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LUCAS DA SILVA OLIVEIRA
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O OUTRO LADO DO “PARAÍSO”: DILEMAS SOCIOAMBIENTAIS NO PROCESSO DE CONCESSÃO DO PARQUE NACIONAL DE JERICOACOARA, CE,
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Data: 19/12/2025
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Este estudo aborda a relação entre ambiente, turismo e questões relativas às políticas públicas que fomentam atividades turísticas nas Unidades de Conservação (UCs) do Brasil. A questão central é compreender como a questão socioambiental está (ou não) representada nos editais demais documentos encontrados que foram elaborados no longo processo que culminou na concessão do Parque Nacional de Jericoacoara (Parna de Jericoacoara) à iniciativa privada. Tem como recorte empírico o Parna de Jericoacoara e a Vila de Jericoacoara, situados no extremo-oeste da costa cearense, a Vila pertencente do município de Jijoca de Jericoacoara, já o Parque, além de Jijoca, abrange também os municípios de Cruz e Camocim. Em janeiro de 2024, o Consórcio Dunas, composto pelo Grupo Cataratas e Construcap, vence a concorrência dos serviços de apoio à visitação do parque, e desde então, a pesquisa se voltou para a abordagem interpretativa dos materiais institucionais. A questão socioambiental no material coletado é bastante ampla, considerando tanto os aspectos ecológicos quanto os socioeconômicos. Concomitantemente, reconhecem o Parque como um ecossistema frágil que requer proteção rigorosa e como um importante destino turístico que precisa de gestão equilibrada para promover o desenvolvimento sustentável. Valho-me do suporte teórico-metodológico desenvolvido pela antropologia social e pela ecologia política para a construção da problemática da pesquisa (Ingold, 2000; 2015, Diegues 2000; 2008, Little, 2006, Rodrigues, 2008; 2019). No tocante a avaliação em profundidade de políticas públicas de caráter social numa perspectiva hermenêutica (Rodrigues 2008; 2016; 2019), a pesquisa privilegiou um dos eixos analíticos propostos pela autora: o enfoque à análise de conteúdo da política, desde suas bases conceituais, sua formulação, com atenção à coerência interna da política. Dessa forma, a dissertação propõe a reflexão em torno das questões socioambientais oriundas das disputas pelo gerenciamento do Parna de Jericoacoara, concentrando na análise das políticas e do processo e contextos em que se deram.
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YASMIN DOS SANTOS DJALO
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PERSPECTIVAS SOBRE O SER E O VESTIR DE MULHERES MUÇULMANAS GUINEENSES NO CEARÁ
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Orientador : DENISE FERREIRA DA COSTA CRUZ
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Data: 19/12/2025
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O presente trabalho tem como objetivo geral compreender a relação entre religião e vestuário a partir da experiência de mulheres bissau-guineenses muçulmanas residentes no Ceará, ou que mantêm alguma ligação com esse Estado. Objetivo esse que se desdobra em três questões específicas: a) investigar historicamente a inserção do Islã no contexto brasileiro e cearense bem como no contexto bissau-guineense; b) perceber os impactos do fluxo migratório entre Guiné-Bissau e Brasil no exercício da religião Islâmica, tendo como foco o vestuário e o corpo; e c) examinar as escolhas relacionadas aos usos e não usos do véu islâmico. A pesquisa adota uma abordagem antropológica interdisciplinar, articulando revisão bibliográfica e trabalho de campo etnográfico realizado no Centro Cultural Beneficente Islâmico do Ceará (CCBIC). As entrevistas ocorreram presencialmente — na casa de uma interlocutora e em um restaurante de Fortaleza — e também de forma remota. Os resultados mostram que o Islã em Guiné-Bissau possui especificidades próprias, que influenciam as formas como as mulheres vivenciam a religião. Evidenciam também que as suas experiências religiosas não se organizam prioritariamente em torno do uso do véu, mas dos marcadores de raça, gênero e nacionalidade, que produzem vulnerabilidades no contexto cearense. Além disso, observa-se que a ascensão do fundamentalismo islâmico, como resposta à globalização e à colonialidade, impacta politicamente a vida de grupos minorizados, especialmente as mulheres. Conclui-se que o vestuário funciona como espaço de negociação identitária, articulando religião, corpo e migração em meio a tensões sociais e políticas.
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