Dissertações/Teses

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2025
Dissertações
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  • SANDRA DAM ADELINO BAPTISTA BIIFA
  • PROCESSO DA EMANCIPAÇÃO DAS MULHERES GUINEENSES ATRAVÉS DOS ESTUDOS DE GÊNERO NA UNILAB-CE

  • Data: 26/02/2025
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  • Os estudos de gênero têm tido contribuições importantes no processo da emancipação das mulheres, no que se refere às temáticas ligadas à desigualdade de gênero e à participação das mulheres nos espaços públicos. Diante disto, o presente trabalho tem como objetivo, compreender a influência dos estudos de gênero nas meninas guineenses estudantes da Unilab-CE com interesses na produção de trabalhos acadêmicos cujas temáticas problematizam as situações das mulheres guineenses. Tendo em vista a representação da política feminista com reconhecimento tanto social quanto político no que refere suas contribuições socialmente referente aos problemas das mulheres, exigindo a participação do sujeito feminino como ser social o qual participa e se envolve na sociedade. Mediante essas questões, a situação das mulheres vem sendo debatida nas academias, em diferentes perspectivas e dimensões e contexto, instituindo organização e mobilização no mundo inteiro com sensibilização à não violência ou discriminação feminina. Nesse sentido, é preciso desconstruir as narrativas e tratar o gênero como uma construção cultural e histórica. Diante disso, este estudo se enquadra à realidade da Unilab enquanto uma instituição de educação, espaço da promoção das mudanças, com sua especificidade e diversidade cultural, promovendo relações que atravessam o Atlântico, com temas referentes às realidades dos países africanos, permitindo, portanto, aprofundar o debate sobre a identidade, diferença, raça, gênero em uma dimensão contextual. Para Guiné-Bissau, a discussão se constitui como uma necessidade muito grande no tocante à situação social das mulheres guineenses, razão pela qual, com o debate de gênero aqui na Unilab, muitas meninas se interessaram em produzir seus TCCs ou trabalhos acadêmicos problematizando a questão de gênero na sociedade guineense. Esse processo parece, de alguma forma, uma denúncia da realidade problemática cotidiana, que recorre a esse meio para posicionar os fenômenos menosprezados pelo Estado, pensando medidas de combate a partir de políticas públicas e incentivos para as mulheres, constituindo, assim, uma situação social. No entanto, com base nessas considerações, a referida dissertação foi construída com base na metodologia de  pesquisa qualitativa e de caráter interdisciplinar, destacando as subjetividades através das técnicas de entrevista, e da pesquisa bibliográfica levando em consideração todo o parâmetro teórico e metodológico de uma pesquisa social, com respeito as interlocutoras seguindo o processo e recomendação da comissão de ética, a qual permitiu esta realização.

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  • ANNE DANIELLE MOTA FERRAZ
  • Assistência Estudantil no Ensino Superior: O caso da Unilab

  • Data: 24/03/2025
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  • O objetivo desta pesquisa é analisar a implementação do Paes como política de apoio à permanência dos estudantes no âmbito da Unilab, buscando compreender como esses recursos garantem a permanência e o sucesso acadêmico dos discentes. Os objetivos específicos foram elencados da seguinte forma: a) Identificar os limites orçamentários e a forma de alocação de recursos para definição de valores, modalidades e quantidades de beneficiários dos auxílios direcionados à permanência estudantil nos cursos de graduação na Unilab; b) Compreender a relação dos auxílios financeiros com o processo de permanência dos discentes na Unilab e o suporte ofertado pela instituição para garantia e efetivação do direito ao acesso à educação superior como previsto no decreto 7.234/10; e c) analisar a eficiência do Paes no âmbito da Unilab, visando à manutenção, à ampliação e à melhoria dos resultados alcançados com vistas à garantia da permanência estudantil com sucesso acadêmico referenciado. Adotamos como metodologia de pesquisa o estudo de caso com um enfoque qualitativo. No percurso metodológico foram realizadas a análise documental e de conteúdo das entrevistas realizadas,  com um roteiro de questões abertas aos estudantes/as nacionais e internacionais, assim como para servidores(as) que atuam mais diretamente com a política estudantil da Unilab. Foram realizadas entrevistas com estudantes beneficiários do Programa de Assistência Estudantil (Paes) entre os anos de 2020 e 2024, profissionais da Pró-Reitoria de Políticas Afirmativas e Estudantis (Propae) envolvidos na elaboração dos editais, servidores da Pró-Reitoria de Relações Institucionais e Internacionais (Prointer) ligados à vinda dos estudantes internacionais e servidores da Pró- Reitoria de Planejamento, Orçamento e Finanças (Proplan) responsáveis pela gestão dos recursos assistenciais. Como principais referências utilizamos Yin (2005), Carvalho (2002), Bardin (1977), Draib (2003), Hall (2006) e Souza (2019) entre outros. Nos achados de pesquisa identificamos que uma das principais dificuldades da assistência estudantil na Unilab é a restrição orçamentária. Os recursos disponíveis muitas vezes não são suficientes para atender à demanda crescente por auxílios financeiros. Isso resulta em um número limitado de beneficiários e na insuficiência dos valores dos auxílios, o que, por vezes, inviabiliza a cobertura das necessidades básicas dos alunos, como alimentação, moradia e transporte. As dificuldades enfrentadas pela política de assistência estudantil na Unilab refletem desafios sistêmicos que impactam a vida acadêmica dos estudantes. A superação desses obstáculos requer uma abordagem integrada que considere as necessidades reais do público-alvo, a adequação dos recursos financeiros e a implementação de políticas que garantam o acesso equitativo à educação superior. Para que a Unilab cumpra sua missão de promover a inclusão e a permanência de seus estudantes, é essencial que além de buscar por mais recursos, é fundamental que a universidade também gerencie de forma eficiente os recursos já disponíveis. Isso inclui uma distribuição equitativa dos auxílios, transparência nos processos e a avaliação contínua dos programas, para garantir que o apoio chegue de forma eficaz a quem mais precisa.

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  • MARIA EDINA MARQUES FERREIRA
  • AS ROTAS DO CANDOMBLÉ EM JUAZEIRO DO NORTE-CE: GÊNERO, MEMÓRIA E PODER

  • Data: 24/04/2025
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  • O presente trabalho tem como objetivo investigar as rotas do candomblé em Juazeiro do Norte, através das memórias e trajetórias das casas mais antigas com ênfase nas mães de santo. Essa investigação se estrutura por meio da metodologia da história oral associada a uma abordagem interdisciplinar. Para discutir acerca das rotas de instauração do candomblé alguns conceitos são fundamentais sendo eles, memória, oralidade, gênero e poder, visto que se trata de comunidade afrorreligiosas em que a oralidade ainda exerce uma função fundamental, tanto na manutenção, quanto na transmissão e organização ritual. A memória, por sua vez, é acionada para revisitar as trajetórias pessoais que se cruzam com a trajetória do próprio candomblé em Juazeiro do Norte. E gênero por se tratar de uma categoria que permite discutir as tensões existentes tanto no presente quanto passado, na dinâmica de (implantação) sucessão e de visibilidade das casas de Axé, em que as relações de poder se fazem presentes nessa teia de tensões e disputas. O critério de inclusão das entrevistadas foi a idade de iniciação no candomblé, pois a senioridade na religião em questão é um elemento hierárquico. Os primórdios do candomblé em Juazeiro  do Norte datam da década de 1970 e, portanto, muito próximo temporalmente do de Fortaleza, na década de 1965. Ainda que estejam situados relativamente próximos temporalmente, o curso da pesquisa apontou para rotas distintas das de Fortaleza, suscitando trânsitos e circuitos específicos entre capital e interior no estabelecimento do candomblé.

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  • GABRIELE DA SILVA ANTUNES
  • DOCÊNCIA AFRO-FEMININA: ESCREVIVENDO E ENTRELAÇANDO SABERES E PRÁTICAS DE PROFESSORAS NEGRAS DA UNILAB–CE.

  • Orientador : JACQUELINE DA SILVA COSTA
  • Data: 25/04/2025
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  • Esta pesquisa investigou a práxis docente de professoras negras do Instituto de Humanidades da Universidade da Integração Internacional da Lusofonia Afro-Brasileira (UNILAB), com o objetivo de analisar como suas práticas se articulam com os fundamentos da pedagogia feminista negra. A partir de uma abordagem qualitativa e inspirada na Escrevivência (Evaristo, 2020) e na pesquisa centrada em sujeitos (Kilomba, 2019), foram construídas narrativas sensíveis que permitiram compreender a constituição identitária e profissional de três docentes negras — Rosa Negra, Ayana e Ayó. A principal contribuição conceitual do estudo foi a formulação da noção de docência afro-feminina, entendida como uma práxis consciente, politizada e afetiva, fundamentada por saberes e práticas históricas de mulheres negras, e que se distingue por seu compromisso com a justiça social, a amorosidade e a valorização das experiências vividas. A pesquisa demonstra que essa docência não é determinada exclusivamente por marcadores de raça e gênero, mas pela articulação crítica com os princípios do feminismo negro, como o diálogo, a interseccionalidade, a ancestralidade, a sala de aula como espaço de nutrição de axé e o uso da experiência como eixo formativo. Os resultados confirmam a hipótese inicial de que há uma práxis docente diferenciada entre professoras negras da UNILAB, marcada por uma pedagogia comprometida com a dignidade, o bem-viver e a superação de violências estruturais. Conclui-se que a docência afro- feminina, tal como delineada neste estudo, representa uma alternativa potente à lógica tradicional da educação, ao integrar afeto, crítica social e resistência política em suas práticas.

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  • MONYQUE MARY BEZERRA DE HOLANDA
  • DESAFIOS DA INCLUSÃO DE ESTUDANTES AUTISTAS NA EDUCAÇÃO BÁSICA DE MORADA NOVA (CE): UM ESTUDO COMPARATIVO

  • Data: 25/04/2025
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  • A inclusão escolar de crianças autistas no Ensino Fundamental tem sido um desafio, especialmente porque cada criança apresenta particularidades dentro do espectro autista, podendo demandar diferentes formas de suporte. Com salas de aulas cada vez mais cheias, e com o crescente número de crianças neurodivergentes, professores e equipe pedagógica das escolas vêm enfrentando uma série de dificuldades, que podem construir barreiras, entre elas pedagógicas. Neste cenário, esta pesquisa tem como objetivo compreender sobre os desafios envolvidos nas práticas pedagógicas de ensino e aprendizagem adotadas pelos docentes do Ensino Fundamental público e particular para a inclusão escolar de estudantes autistas no município de Morada Nova-CE. Surge então um impasse de como transformar o modelo atual de ensino que seja capaz de transmitir conhecimentos e avaliar a todos os estudantes de forma igualitária, pondo em pauta a individualidade dos estudantes, os seus contextos e suas especificidades. Para este estudo, baseamo-nos nos trabalhos desenvolvidos por Ruggieri (2011), Cerqueira- Neto (2020), Oliveira (2020), Teixeira (2023), Silva (2024). Como metodologia, utilizamos a pesquisa-ação conectando a um estudo documental, a técnica de coleta de dados ocorre por meio de observações, entrevistas e análises dos PEI’s. Em relação à abordagem do problema, a pesquisa é de natureza qualitativa, na medida em que se realiza no ambiente escolar, compreendendo etapas de observação, descrição e interpretação das experiências vivenciadas nas duas escolas. Os resultados dessa investigação apontam para a existência de desafios estruturais e metodológicos importantes na inclusão de estudantes neurodivergentes nas redes públicas e privadas de ensino. Observa-se que, apesar dos avanços normativos, a implementação das diretrizes inclusivas ainda é limitada tanto na escola pública quanto na escola privada, comprometendo o acesso, a permanência e o desenvolvimento pleno desses alunos. A pesquisa evidencia a necessidade de investimentos contínuos na formação docente, na adaptação de materiais pedagógicos e na melhoria da infraestrutura escolar para garantir uma educação verdadeiramente inclusiva e equitativa.

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  • JOÃO PEDRO RODRIGUES DE OLIVEIRA
  • O ENSINO DE HISTÓRIA NO CEARÁ E A POÉTICA DE BEATRIZ NASCIMENTO: UMA INVESTIGAÇÃO HISTÓRICO/CULTURAL EM MEIO AOS CURRÍCULOS DE UFC, UNILAB E UECE.

  • Data: 28/04/2025
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  • Partindo de um movimento analítico-propositivo, esta investigação se debruça a traçar uma linha de pesquisa que conecta a história das universidades no Brasil, Estudos Culturais e os Currículos acadêmicos de História de três instituições cearenses. Tendo como o maior campo de pesquisa os documentos institucionais relacionados à composição curricular do curso de História da UFC, UECE e UNILAB, esta investigação se propõe a levantar um quantitativo preciso em relação à presença negra em meio a bibliografia dos respectivos cursos. Este trabalho tem como objetivo construir uma encruzilhada entre as referências curriculares das universidades investigadas e as obras de Beatriz Nascimento. Porém, para além de um levantamento quantitativo exato em relação à presença negra nos cursos de História, este trabalho visa também propor um movimento de inclusão efetiva das obras de Beatriz Nascimento e suas contribuições para a Historiografia brasileira, visando construir o Arcabouço Historiográfico do Negro Brasileiro, um movimento intelectual que se compromete com a comprovação da eficácia educacional das produções historiográficas negras, tendo Beatriz Nascimento como seu pilar central.

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  • FRANCISCA FLAVIANA DE OLIVEIRA
  • FORMAÇÃO DOS PROFESSORES EM ITAITINGA-CE: UM OLHAR SOBRE INOVAÇÃO NA PERSPECTIVA DA METODOLOGIA ATIVA DA GAMIFICAÇÃO

  • Data: 29/04/2025
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  • A presente pesquisa objetivou compreender de que forma os professores do 9o ano de uma escola de ensino fundamental do município de Itaitinga-CE utilizam técnicas de gamificação como possibilidades de ensino e aprendizagem de língua portuguesa. Para tanto partimos do pressuposto de que a formação de professores é premissa pertinente a busca por um ensino de qualidade e da compreensão quanto as relações das linguagens de cunho curricular e das linguagens sociais que deveriam adentrar a escola através de metodologias atualizadas e contextualizadas, ampliando, dessa forma, as condições de acesso a um ensino significativo, fonte emergente para permanência de nossos estudantes no mundo das ciências, das artes, das tecnologias e de onde mais eles queiram estar, sem limitações de suas potencialidades. Para tanto, realizamos uma investigação utilizando-se das metodologias da pesquisa ação na perspectiva de THIOLLENT (1986), MINAYO (2002) e ALMEIDA (2021), em uma escola pública do município citado, relacionando-a com a pesquisa bibliográfica considerando as contribuições das relações históricas, políticas e sociais que influenciaram a constituição da escola e da educação no Brasil e seus impactos na formação docente em FREIRE (1987)  (1996) e (2014), GADOTTI (2003), LIBÂNEO (2012); (2018) e de SAVIANI (2005) ;(2008);(2012) e (2016). Exploramos aprendizagem em VYGOTSKY (1987), interdisciplinaridade em FAZENDA (2008) e (2015), FRIGOTTO (2008) e RAMOS (2020), gamificação em ALVES e TEIXEIRA (2014) e BUSSORELO (2016), entre outras literaturas. A discussão teórica resultou em reflexões quanto a importância de sabermos as circunstâncias que marcaram a trajetória da educação nacional e suas transformações, mas também o processo de enrijecimento intelectual sofrido pela escola pública até os dias atuais frente aos constantes atos de detrimento a um ensino sério e comprometido com o  desenvolvimento dos estudantes e da carreira docente. Assim como foram evidenciados possíveis caminhos ao enfretamento das questões que envolvem, ensino, aprendizagem e formação de professores sob a ótica das tecnologias educacionais na perspectiva das metodologias ativas, especialmente a gamificação. Quanto a pesquisa de campo, percebemos através das entrevistas com as professoras e da observação na escola que as evidências discutidas nas dimensões teóricas são fatídicas, deixando-se elencar e discutir criticamente o quanto ainda é necessário pensar sobre uma formação continuada que favoreça os professores da educação básica no exercício do trabalho pedagógico junto às turmas do ensino fundamental, que aqui estão representadas por três turmas do nono ano. Neste sentido a pesquisa fomenta a perspectiva da inserção de novas propostas à essa formação com a possível adesão à métodos de ensino significativos, provendo a dissolução da problemática discutida por intermédio de ações de cunho político e social à proposição do reconhecimento dos esforços docentes, da reparação quanto a incentivos intelectuais, estruturais e financeiros.

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  • MARIA ERISLENE ALMEIDA DA MATA
  • A FORMAÇÃO DE PROFESSORES E A ALFABETIZAÇÃO DE CRIANÇAS QUILOMBOLAS NO CONTEXTO ESCOLAR DO PAIC (BATURITÉ/ CEARÁ 2013-2023)

  • Data: 29/04/2025
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  • A educação escolar quilombola no Brasil tem enfrentado desafios históricos relacionados à inclusão e à garantia de qualidade no ensino. As comunidades quilombolas, formadas por descendentes de africanos escravizados, possuem uma rica herança cultural e uma organização social distinta que devem ser respeitadas no ambiente social e educacional. No entanto, mesmo com a proteção de leis específicas, como a Lei 10.639/2003, que inclui a obrigatoriedade do ensino da História e Cultura Afro- brasileira, a educação quilombola ainda carece de práticas pedagógicas adaptadas às suas particularidades culturais. Nesse cenário, a formação continuada de professores se apresenta como uma estratégia central para garantir que a educação nessas comunidades respeite, promova e valorize suas especificidades. Diante do exposto, esta pesquisa tem como objetivo geral investigar a relação entre a formação continuada de professores alfabetizadores do PAIC e o processo de alfabetização das crianças na EEIF Osório Julião, localizada na Serra do Evaristo no município de Baturité (2013 – 2023). A metodologia utilizada é uma abordagem mista (quantitativa e qualitativa), combinando pesquisa exploratória-descritiva tendo como arcabouço teórico Bogdan e Biklen (1994) e Minayo (2014). Para isso utilizou-se o estudo de caso, Chizzotti (2014). A coleta de dados ocorreu por meio de questionários aplicados a professoras e formadoras do PAIC e teve apoio em Gil (2002). Para discutir a formação docente: Fernandes (2023). Freire (1987), Miranda (2012), Sato e Castioni (2022), Silva (2015), Souza (2019), e Fazenda (1994), bem como se apoia nos resultados das avaliações externas aplicadas na escola, no município e no estado ao longo de dez anos. Os resultados sugerem que a formação continuada de professores tem contribuído para a adaptação das práticas pedagógicas às realidades quilombolas. Os dados quantitativos, apontam uma melhoria gradual nos índices de alfabetização das crianças quilombolas. No entanto, esses avanços não são uniformes, especialmente em turmas multisseriadas, onde a diversidade de níveis de desenvolvimento cognitivo entre os alunos apresenta maiores desafios. Ainda se verificam desafios no que se refere à implementação de práticas que integrem plenamente as especificidades quilombolas no processo educativo. Contudo, de maneira similar, os questionários apontam para percepções variadas entre as professoras e formadoras quanto à eficácia da formação continuada no enfrentamento dos desafios encontrados em sala de aula.

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  • ÉRITON LUIS VÉRAS LIMA
  • O ESPECTRO DA APRENDIZAGEM FLEXÍVEL RONDA A FORMAÇÃO DOCENTE
    EM HISTÓRIA NO CHÃO DAS ESCOLAS DE ENSINO MÉDIO NO MACIÇO DE BATURITÉ – CE/BR
    (2017-2024)

  • Data: 29/04/2025
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  • Em nossa pesquisa buscamos compreender como se apresentam as contradições do fazer-se docente da disciplina História na região no Maciço de Baturité – CE/BR em tempos de aprendizagem flexível. A política neoliberal que se incide no Brasil desde os anos de 1980 intensificou-se com o golpe/impeachment de 2016, com isso pôde-se perceber um aumento no número de diretrizes que impactam a formação de professores e na educação de forma geral. Sob a perspectiva do materialismo-histórico dialético procuramos identificar para quais aspectos o conjunto de normativas que convergem a formação docente no Brasil; posteriormente realizamos analises sobre o perfil profissional do professor de História formados pela Universidade pública a partir do caso da Universidade da Integração Internacional da Lusofonia Afro-brasileira – Unilab e como as experiências de integração entre Universidade e Educação se contribuem para o processo de formação de professores a partir das disciplinas de Estágio Supervisionado e dos Programas de Iniciação à Docência (Pibid e Residência Pedagógica); No decorrer do estudo, discutimos as relações estabelecidas entre as experiências vividas pelos professores de história, egressos da Unilab, e a constituição de seu processo do fazer-se docente. A partir de um arcabouço metodológico proveniente da história oral, coletamos narrativas de experiências que contribuíram para a compreensão do fazer-se docente após a formação institucional. A pesquisa, revela a complexidade do processo de formação e do trabalho docente em um contexto marcado por profundas transformações sociais e políticas provenientes do neoliberalismo. Os resultados obtidos indicam que a política econômica vigente e a flexibilização em curso incidem tanto na formação com leis e resoluções quanto no trabalho docente, no chão da escola. Propriamente, as experiências narradas apontam para processos de precarização do ensino e do currículo. Evidenciou-se ainda a incidência e a resistência a contra reforma educacional, de forma que os/as professores/as, por vezes, encontram formas de transpor o ensino de competências direcionado pela BNCC. Como forma de estudo e denúncia esperamos que essa pesquisa possa servir como subsídio para a elaboração de políticas públicas mais adequadas à realidade da educação brasileira.

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  • AMINATA NADIA GOMES MANÉ
  • Mulheres, saberes e transformações: a alfabetização funcional na Guiné Bissau

  • Data: 30/04/2025
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  • A Alfabetização de Jovens e Adultos (AJA) na Guiné-Bissau é um ensino que valoriza muito os conhecimentos tradicionais dos alfabetizandos/as. No caso das mulheres que nunca frequentaram a escola, por diversas razões, como gravidez precoce, casamentos arranjados ou questões culturais que as mantiveram afastadas da educação formal, ao longo do tempo, estas têm buscado a AJA para serem alfabetizadas. Os manuais de Alfabetização de Jovense Adultos buscam estruturar o processo pedagógico de forma sistemática, introduzindo os conteúdos de maneira acessível e contextualizada, conectando o aprendizado das letras, palavras e números às práticas cotidianas dos alfabetizandos. Isso inclui atividades relacionadas ao trabalho agrícola, ao comércio e ao convívio social nas comunidades, proporcionando uma conexão entre a aprendizagem formal e os conhecimentos que já possuem. A partir disso, esta pesquisa tem como objetivo principal de analisar os aspectos pedagógicos e culturais envolvidos na formação de mulheres no contexto da Alfabetização Jovens de Adultos (AJA) na Guiné-Bissau, com base na utilização do Manual de Alfabetização Funcional. De modo específico, busca-se: i) descrever a trajetória da alfabetização de modo geral, bem como a oralidade, a educação colonial e da zona libertada, com foco no processo de ensino e aprendizagem dos jovens e adultos; ii) identificar as relações entre a Alfabetização de Jovens e Adultos e os saberes tradicionais trabalhados; iii) analisar a relação da Alfabetização de Jovens e Adultos com as mulheres alfabetizandas. Trata-se de uma pesquisa qualitativa do tipo documental, com abordagem descritivo-interpretativa do manual utilizado pelos animadores a nível nacional no ano de 2021. Fizemos uma análise geral do manual para entendermos como esses saberes que as mulheres carregam consigo são trabalhados na sala de aula. As conclusões provisórias indicam que o processo de Alfabetização de Jovens e Adultos (AJA) na Guiné-Bissau reconhece e valoriza tanto as mulheres que frequentam esses espaços de ensino quanto os conhecimentos que trazem consigo. Esses saberes tradicionais, adquiridos ao longo da vida por meio de experiências práticas, não são apenas reconhecidos, mas também integrados no processo pedagógico. No manual, essas vivências são representadas de forma clara nas páginas com atividades trabalhadas como parte fundamental da aprendizagem.

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  • WILLIAM AUGUSTO PEREIRA
  • HISTÓRIA E MEMÓRIA DO GRUPO UNIÃO E CONSCIÊNCIA NEGRA (GRUCON) E A ATUAÇÃO INTELECTUAL NO RECONHECIMENTO DA PRESENÇA NEGRA NO ESTADO DO CEARÁ (1982-2022)

  • Orientador : ARILSON DOS SANTOS GOMES
  • Data: 05/05/2025
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  • A história do movimento negro contemporâneo no Ceará inicia, em 1982, com a fundação do Grupo de União e Consciência Negra mediante o despertar de intelectuais negros e negras que moldam nova narrativa sobre a discussão racial local e parte a reconstruir uma identidade negra que eleve a autoestima das populações negras no Ceará, visão que contraria a elaboração de intelectuais que manusearam a questão racial no Estado, disseminando a ideologia da invisibilidade. Diante disso, o objetivo geral deste trabalho é demarcar o papel do Grupo de União e Consciência Negra (GRUCON) como uma ferramenta de resistência, luta e resiliência no processo social e cultural do Ceará, desde a sua fundação até o ano de 2022. A metodologia utilizada nesse trabalho é da natureza qualitativa onde buscamos informações e dados e a interpretaremos a partir de uma análise qualitativa, autobiográfica, entrevistas orais semiestruturadas com fundadores do Grucon, e bibliográfica, com revisão de literatura. O Grucon não só ajudou a educar a sociedade cearense sobre o impacto e a relevância da cultura negra, mas também criou espaços de diálogos e resistências para a juventude negra, oferecendo oportunidades de organização e conscientização sobre suas próprias histórias e papéis na sociedade. Essa atuação intelectual foi crucial para o empoderamento da população negra, promovendo uma autoestima coletiva que, por muitas vezes, foi sufocada pelo racismo e pela marginalização histórica.

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  • JARCIELA PITIANDRA LIMA CORREIA SÁ
  • RACISMO E SOFRIMENTO PSÍQUICO DE ESTUDANTES AFRICANOS NA UNILAB-CE

  • Orientador : NATALIA CABANILLAS
  • Data: 11/06/2025
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  • Esta pesquisa de mestrado concentra-se nos impactos do racismo no sofrimento psíquico de estudantes africanas/os na Universidade da Integração Internacional da Lusofonia Afro-Brasileira (UNILAB), Ceará. Utiliza-se de um enfoque biográfico e da metodologia da escrevivência de Conceição Evaristo, para registrar vivências minhas e do entorno, abordando o racismo cotidiano no Brasil, reflexões ideológicas sobre a construção de raça nas sociedades de origem e de acolhida, bem como experiências migratórias e seus efeitos no adoecimento mental. A investigação é fundamentada na trajetória de estudantes dos Países Africanos de Língua Oficial Portuguesa (PALOP): Angola, Cabo Verde, Guiné-Bissau, Moçambique, São Tomé e Príncipe. Ao chegarem no Brasil, especificamente na UNILAB, localizada nas cidades de Redenção e Acarape, interior do Ceará, enfrentam um ambiente hostil que vai além da precariedade ambiental e de infraestrutura, marcado por jornadas de preconceitos e discriminação racial cotidiana, tanto dentro quanto fora do centro acadêmico. Os dados foram obtidos por meio de entrevistas semiestruturadas, com 20 participantes de diferentes nacionalidades africanas, e a análise dos meus prontuários médicos. Evidenciando a trajetória clínica, diagnóstica e terapêutica, além da carência e negligência na assistência à saúde, tanto na universidade quanto nas cidades universitárias, refletindo sobre as inadequações no uso dos prontuários como documentos científicos, devido às subnotificações e à precariedade de registros. O estudo em pauta, revela que a vivência do racismo estrutural, institucional e cotidiano, impacta negativamente a equidade em saúde nos municípios de inserção, afetando o bem-estar físico e psicológico dos estudantes, comprometendo o desempenho acadêmico e a permanência na universidade. Pois isso contribui para o surgimento de transtornos mentais, como estresse pós-traumático, ansiedade e depressão, e, em casos mais extremos, está associado à morte de estudantes africanas/os. Além das discriminações raciais, a precariedade das condições de moradia e a ausência de apoio institucional que expõem os estudantes a situações adversas, gerando um ciclo contínuo de adoecimento e sofrimento emocional. As narrativas  destacam a luta por dignidade e reconhecimento em um ambiente que frequentemente marginaliza e exclui. A pesquisa conclui que, além do reconhecimento das políticas afirmativas, é urgente garantir assistência à saúde eficaz e promover um ambiente inclusivo que permita uma integração real. Havendo a necessidade de transformação institucional por parte da UNILAB e das cidades de acolhida (Redenção e Acarape), para responder efetivamente às questões raciais e de saúde. Tendo em vista que, a fundação da Unilab sob pilares decoloniais e anti racista, não se configure como tal na prática, do mesmo modo que, as cidades de inserção universitária, que simbolicamente carrega o marco da abolição da escravatura, não remete um território contra-hegemônico, e eficaz para instalação duma universidade, para além da sua precariedade. Muito pelo contrario, esses cidades abolicionistas, com seu mito inclusivo e acolhedora, são justamente os espaços onde muitas/os estudantes negras e negros, vivem de maneira mais aguda, as desigualiades raciais, cujos os fatores atravessam o campo simbólico, que repercute diretamente no suprimento psiquico e emocional.

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  • ANTÔNIO WILAME FERREIRA DA SILVA JUNIOR
  • REDENÇÃO APRISIONADA NO CONCRETO DOS MONUMENTOS: UM ESTUDO HISTÓRICO, ESPACIAL E ESPECULATIVO NA PIONEIRA CIDADE ABOLICIONISTA DO CEARÁ

  • Orientador : NATALIA CABANILLAS
  • Data: 30/06/2025
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  • O seguinte trabalho trata-se de uma pesquisa acerca do lugar dos monumentos na cidade de Redenção – CE, município esse que é considerado o primeiro a abolir a  escravatura legal no Brasil e que remonta sua historicidade a esse fato como o mote fundador de símbolos e identidades. Cabe destacar que os monumentos presentes na zona urbana do município remetem a abolição e a própria escravidão ares de um passado em glória, edificando uma paisagem de horror racial à imagem de pessoas negras. Dito isso, a pesquisa em questão busca traçar um percurso interdisciplinar a partir de um caminho narrativo do próprio autor que perpassa entre a antropologia, a história, a geografia e a arte especulativa, tendo a cidade de Redenção, em especial seus monumentos, como o objeto de pesquisa. Para isso, é elaborada uma Encruzilhada Metodológica, onde as quatro disciplinas destacadas confluem caminhos de pesquisa em relação ao objeto. No primeiro capítulo, a pesquisa é elaborada a partir de uma autoetnografia que narra o processo de contato e imersão do autor com a cidade de Redenção, sendo destacado as serras, os monumentos e a UNILAB na formação do pesquisador. O segundo capítulo, foca no estudo historiográfico da representação de pessoas negras no município, a partir da produção de dados com o método de pesquisa documental nos acervos do Museu Memorial da Liberdade em Redenção e do Arquivo Público do Ceará (online), busca-se compreender como pessoas negras participaram de forma ativa no município desde o período escravocrata e como sucessivamente foi sendo construída sua representação a partir dos símbolos e monumentos na invenção do que conhecemos hoje como Redenção. No capítulo seguinte, a pesquisa adentra no estudo da espacialidade desses monumentos e da própria cidade como um destino da paisagem histórica, utilizando de métodos de análise e conceitos da geografia de Milton Santos, onde o espaço é entendido como esse complexo indissociável de sistemas de objetos e sistemas de ações, assim, a paisagem, a rugosidade e a forma-conteúdo são destacados como mote de análise dos monumentos. Por fim, a arte é convocada no desejo de especular possibilidades de outras paisagens narrativas desde os monumentos, tendo como ponto de partida trabalhos artísticos produzidos em intervenções a alguns símbolos da cidade, que buscam tanto nas artes visuais como no audiovisual e na performance, construir imaginários radicais da memória negra local e internacional. Desse modo, a pesquisa se desloca em um estudo espiralado e interdisciplinar, com o desdobramento de organizar um material de posicionamento e investigação sobre as pessoas negras e suas representações em Redenção, os seus desdobramentos na imagem associada ao espaço-tempo da cidade.

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  • MARIA NATALIANA ASSIS GOMES
  • TAOWÁ, ARTIVISMO E MEMÓRIA INDÍGENA: UMA ANÁLISE DAS ARTES VISUAIS DO POVO KARÃO JAGUARIBARAS

  • Orientador : ROBERTO KENNEDY GOMES FRANCO
  • Data: 22/07/2025
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  • Ao longo do processo de colonização do território Brasileiro os povos étnicos vêm sofrendo com uma sér violações que fere diretamente as populações indígenas, não só do Ceará, mas em todo cenário que env povos que vivem sua diversidade. Não muito diferente de outras áreas, a arte indígena também so modificações durante o processo de colonização. Nesta pesquisa, trago um pouco do contexto histórico motivo que levou meu povo Karão Jaguaribaras a silenciar por cinco gerações e nos mostrarmos em 2 trazendo em nosso levante uma gama de cultura cultivada em silêncio. Trago os métodos de educação utiliz por nós e como em meio a tantos conflitos, massacres e proibições ainda conseguimos manter viva as tradicostumes, artes, forma de se alimentar, entre outras práticas existentes na formação social Karão Jaguarib Escrevo sobre a inserção do Artivismo indígena, ou a arte ativista que incide sobre as causas indígenas no Be a importância deste termo para a contemporaneidade, visto que as artes indígenas são usadas em divcontextos como manifestações sociais/culturais/políticas, escrita, representação da fauna e flora entre o linguagens que atravessam corpos e estruturas.

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  • LUNA MARTINS DE CASTRO
  • A AVALIAÇÃO DA FORMAÇÃO DE DOCENTES PARA AS ABORDAGENS DE GÊNERO E DIVERSIDADE SEXUAL NA EDUCAÇÃO DE JOVENS E ADULTOS (EJA) EM UMA ESCOLA PÚBLICA DO MUNICÍPIO DE PACATUBA/CE

  • Data: 06/08/2025
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  • A inclusão das temáticas de gênero e diversidade sexual no contexto escolar ainda enfrenta resistências históricas e institucionais, especialmente nas modalidades educacionais voltadas a públicos vulnerabilizados, como a Educação de Jovens e Adultos (EJA). Em um cenário social marcado por retrocessos nas políticas educacionais voltadas à população LGBTQIAPN+, torna-se essencial investigar como essas questões têm sido incorporadas — ou negligenciadas — na formação de profissionais da educação. Com esse horizonte, realizamos uma pesquisa qualitativa, desenvolvida por meio de análise documental, revisão bibliográfica e entrevistas semiestruturadas, em uma escola do município de Pacatuba/CE. O estudo teve como objetivo avaliar a formação das/os educadoras/es da Educação de Jovens e Adultos (EJA) no município de Pacatuba/CE, com ênfase na abordagem de gênero e diversidade sexual. Para isso, estabelecemos os seguintes objetivos específicos: analisar os currículos formativos e o Projeto Político Pedagógico da escola, especificamente no que se refere à abordagem das temáticas de gênero e diversidade sexual; mapear práticas  pedagógicas desenvolvidas no cotidiano escolar da EJA que incluam ou invisibilizem tais temáticas; compreender as percepções das/os docentes sobre o tratamento da diversidade de gênero e sexualidade na prática docente e; identificar os efeitos da ausência ou presença dessas temáticas na trajetória educacional de discentes LGBTQIAPN+. A análise dos documentos institucionais e curriculares revelou uma presença ainda limitada dessas temáticas nos projetos formativos e no Projeto Político Pedagógico da escola. As entrevistas com docentes evidenciaram sentimentos de insegurança e lacunas no preparo profissional para lidar com tais questões, ao passo que as falas das/os discentes indicaram o desejo por reconhecimento e acolhimento de suas identidades. Ainda que de forma pontual, identificamos práticas de resistência e a valorização da representatividade LGBTQIAPN+ como estratégias pedagógicas relevantes. Os resultados sugerem a necessidade de fortalecer políticas públicas que ampliem as possibilidades de uma formação docente (inicial e continuada) mais ética, crítica e inclusiva. Defendemos que as abordagens de gênero e diversidade sexual sejam consideradas com maior atenção no campo educacional, sobretudo na EJA, por seu potencial de reparação histórica e promoção da justiça social. Esperamos que este estudo contribua com reflexões e práticas comprometidas com a equidade, os direitos humanos e a dignificação das existências LGBTQIAPN+.

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  • GILVANDA SOARES TORRES
  • A INSERÇÃO INTERCULTURAL DE CRIANÇAS E JOVENS IMIGRANTES EM CONTEXTOS ESCOLARES EM MARACANAÚ-CE

  • Data: 21/08/2025
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  • Esta dissertação investiga a inserção intercultural de crianças e jovens imigrantes no contexto da escola EMEIF Norma Célia Pinheiro Crispim, em Maracanaú-CE. A pesquisa problematiza como o sistema educacional municipal pode ser adaptado para assegurar o direito à educação, promover a equidade e preparar os educadores para lidar com a diversidade cultural e os traumas decorrentes da migração, além de implementar efetivamente práticas de educação intercultural. Com abordagem qualitativa e caráter exploratório, o estudo foi desenvolvido por meio de observação participante, entrevistas semiestruturadas com gestores e professores, e análise documental. O referencial teórico sustenta-se nos pressupostos de Candau (2008) sobre interculturalidade, Freire (1996) quanto à práxis educativa e na perspectiva de Suhr (2012) sobre a educação dos excluídos. O estudo de caso aprofundado foi orientado pela análise de conteúdo conforme Bardin (2011), visando captar significados subjetivos das experiências relatadas pelos sujeitos participantes. Os resultados indicam avanços pontuais nas práticas pedagógicas voltadas ao acolhimento de estudantes imigrantes, evidenciando o esforço de gestores e professores em construir um ambiente escolar mais inclusivo. Observou-se, contudo, a ausência de sinalizações bilíngues, lacunas na formação docente voltada à interculturalidade e a carência de políticas públicas específicas para o contexto municipal. A análise revelou também que as estratégias de inclusão ainda são incipientes e carecem de sistematização, o que reforça a necessidade de programas de formação continuada e maior suporte institucional. A dissertação aponta que, apesar das limitações estruturais e materiais, a comunidade escolar demonstra abertura ao diálogo intercultural, evidenciado pela construção de vínculos afetivos entre alunos brasileiros e imigrantes. Contudo, a efetivação de uma educação intercultural demanda ações estruturais que transcendam iniciativas individuais, exigindo maior articulação entre políticas públicas educacionais, formação docente e gestão democrática escolar. Conclui-se que a inserção intercultural em contextos escolares como o de Maracanaú requer uma reconfiguração das práticas pedagógicas, formação docente específica e revisão das políticas educacionais locais, de modo a assegurar o direito à educação de crianças e jovens em situação de migração forçada. O estudo contribui para o campo da educação ao oferecer subsídios teóricos e práticos para a construção de escolas mais inclusivas, democráticas e culturalmente responsivas.

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  • JOSÉ WILTON SOARES DE BRITO SOUZA
  • INFLUXOS DO “PROJETO UNILAB” NO DESENVOLVIMENTO SOCIOECONÔMICO DOS PALOP: O CASO DE SÃO TOMÉ E PRÍNCIPE

  • Data: 11/09/2025
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  • A presente dissertação analisa os influxos da Universidade da Integração Internacional da Lusofonia Afro-Brasileira (UNILAB) no desenvolvimento socioeconômico e educacional dos Países Africanos de Língua Oficial Portuguesa (PALOP), com ênfase em São Tomé e Príncipe. A pesquisa parte da compreensão de que a UNILAB, enquanto projeto de cooperação Sul-Sul, representa uma estratégia de diplomacia educacional voltada ao fortalecimento das relações entre o Brasil e esses países africanos, promovendo intercâmbios acadêmicos, mobilidade estudantil e formação qualificada de jovens de contextos historicamente marcados por desigualdades estruturais. Por meio de uma abordagem qualitativa, de caráter exploratório e descritivo, utilizo procedimentos como análise documental, entrevistas semiestruturadas com egressos santomenses, além de observação participante sob viés etnográfico. Os resultados apontam que a UNILAB contribui de forma significativa para a ampliação das oportunidades educacionais, o fortalecimento do capital humano e a constituição de redes transnacionais de cooperação, com impactos perceptíveis no retorno de alguns estudantes ao país de origem e em suas inserções nos setores público, privado e organizações da sociedade civil. Por fim, a dissertação problematiza os desafios enfrentados na efetivação dos objetivos institucionais da UNILAB e suas limitações diante das complexas dinâmicas socioeconômicas dos PALOP.

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  • ELUSIA FONTENELE SOARES
  • AS ESTRATÉGIAS DE ATUAÇÃO SOCIOPOLÍTICA DO INSTITUTO CIGANO DO BRASIL NO FACEBOOK

  • Orientador : FRANCISCO VÍTOR MACÊDO PEREIRA
  • Data: 06/11/2025
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  • Este estudo apresenta o resultado de uma pesquisa mediada por computador, de natureza quali/quanti, que analisou o conteúdo divulgado pelo Instituto Cigano do Brasil na rede social Facebook, com o objetivo de identificar suas estratégias sociopolíticas enquanto entidade representativa do Movimento Social Cigano. O percurso metodológico iniciou-se com o mapeamento do universo total de 1.704 publicações presentes na timeline da organização na plataforma Facebook, no período de 2019 a 2024. A partir desse levantamento, foram identificadas as temáticas prioritárias que compõem as publicações, segmentadas amostras em categorias de análise - publicações de maior recorrência e de maior alcance - e discutidos seus significantes e significados. A análise de conteúdo revelou as temáticas, ciganidade, assistência comunitária e controle social como protagonistas nas publicações, configurando-se como estratégias eficientes de obtenção de visibilidade e notoriedade para a organização. Ao posicionar sua atuação sociopolítica como diferencial na promoção e defesa dos direitos dos Povos Ciganos, o Instituto Cigano do Brasil legitima sua representatividade enquanto organização de pertencimento étnico cigano e projeta-se, no contexto do Movimento Social Cigano no Brasil, como referência no exercício da participação e do controle social.

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  • JOSEFA GLEICE DO NASCIMENTO
  • “Gentes da EJA” na docência: percursos de professores e políticas de formação

  • Data: 24/11/2025
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  • A presente dissertação tem como objetivo analisar como a noção de “Gentes da EJA”, originalmente con cebida para compreender os estudantes dessa modalidade, pode ser estendida aos docentes, evidenciando as condições que atravessam suas trajetórias profissionais e formativas, bem como suas implicações para a construção de políticas educacionais voltadas à formação inicial e continuada. A pesquisa discute o alargamento dessa concepção para os professores da EJA, tomando como referência categorias ligadas à cidadania e exclusão - subcidadania, habitus precário e educacional, construção de identidade e comunidade, além das implicações para políticas de formação docente. Nesse movimento, busca-se compreender as ressonâncias entre docentes que, em condições semelhantes às de seus alunos, compartilham experiências de inferiorização,subalternização e invisibilidade em suas práticas pedagógicas e relações de trabalho. Ainvestigação adota uma abordagem qualitativa de cunho participante, realizada com cinco docentesda EJA de uma escola da rede pública municipal de Itaitinga, região metropolitana de Fortaleza(CE). Os dados foram obtidos por meio de formulário e entrevistas gravadas em áudio, guiadaspelas categorias de Ferreira (2024), que orientaram questões sobre trajetórias pessoais e profissionais, dificuldades na formação inicial, significados de ser professor(a) da EJA eexperiências de formação continuada. A análise dos relatos permitiu a construção das seguintescategorias: (1) precarização e acomodação do trabalho docente; (2) encontros e desencontros de dentidades e trajetórias da EJA; (3) culturas de negação da modalidade; e (4) secundarização da formação docente. Os resultados indicam que a ampliação da noção de “Gentes da EJA” para incluir os professores possibilita a superação de mecanismos de segregação, inferiorização e invisibilidade que marcam a prática pedagógica. Conclui-se que a pesquisa pode contribuir para o desenvolvimento de pedagogias de encorajamento e empoderamento docente, diferenciadas e inclusivas, capazes de fortalecer a Educação de Jovens e Adultos.

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  • NAIRA NOGUEIRA DA SILVA FERREIRA
  • ESCREVIVÊNCIA DE UMA MULHER HIV+ POBRE LATINA-AMERICANA E VINDA DO INTERIOR

  • Orientador : ROBERTO KENNEDY GOMES FRANCO
  • Data: 26/11/2025
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  • A dissertação é uma escrevivência autobiográfica em espiral da experiência corporal positiva para o vírus da imunodeficiência humana/VIH de uma mulher pobre, latino-americana e vinda do interior de Baturité, cidade situada no Nordeste do Brasil. Sou vinculada à linha de pesquisa Trabalho, Desenvolvimento e Migrações do Programa de Pós-Graduação do Mestrado Interdisciplinar em Humanidades/MIH da Universidade da Integração Internacional da Lusofonia Afro-Brasileira/UNILAB, e ainda, do Grupo Interdisciplinar Marxista (GIM/UNILAB). Metodologicamente, mediante os fundamentos das ciências humanas aplicadas à saúde, interdisciplinarmente, analiso as contradições da necropolítica de desmonte das políticas públicas de saúde no nordeste do Brasil. É pela memória encarnada nas experiências vividas que denuncio o que há de mais perverso na necropolítica, ou seja, a administração da vida/morte por omissão, na qual não se espera que o sujeito morra abruptamente, mas que sucumba aos poucos  sob o peso do abandono, da indiferença e da dor. A necropolítica, ao priorizar o lucro sobre o cuidado, descarta os corpos considerados improdutivos. As vidas das pessoas pobres, negras, indígenas, com deficiência e vivendo com HIV tornam-se indiferentes, reforçando a tese de que o abandono institucional não é casual, mas estrutural. Finalmente, a escrevivência HIV+ é memória viva de luta e resistência à sociabilidade do Capital. A experiência individual se inscreve, assim, em uma coletividade de vivências subalternizadas/pauperizadas, transformando a dor em protesto e a memória em arma de luta.

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  • VINICIUS ALVES MORAES
  • O Curso de Realização em Audiovisual da Vila: Trajetórias de formação entre a extensão e a educação técnico-profissional

  • Data: 28/11/2025
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  • Esta pesquisa se centra no Estudo de Caso acerca do Curso de Realização em Audiovisual da Escola Pública da Prefeitura de Fortaleza, analisando as contribuições deste equipamento público para a formação técnico-profissional de seus egressos, levando em conta as narrativas de suas trajetórias. O objetivo é refletir  sobre a relação Trabalho-Educação no âmbito do audiovisual na região metropolitana de Fortaleza, capital do Ceará, apresentando o curso ora estudado a partir do caráter extensionista do Bacharelado em Cinema e Audiovisual da Universidade Federal do Ceará. Para tanto, analisa-se as trajetórias profissionais, acadêmicas e de desenvolvimento pessoal dos sujeitos envolvidos na pesquisa. Lançando mão de uma metodologia mista, cujas contribuições de Yin (2001) e Josso (1991) se entrecruzam com autores e autoras brasileiros(as) que pensaram a relação trabalho e educação até aqui, como Ciavatta e Frigotto (2005), Kuenzer (2005), Saviani (1989), Antunes (2018) e Libâneo (2025), a hipótese inicial se centrou no fato de que encontraríamos um curso feito para as classes médias urbanas da capital, cujo funcionamento, desenho curricular e práxis pedagógica retratariam ainda uma visão copiada do modo de produção hegemônico estadunidense. Concretamente, o que se pôde observar é um diálogo claro entre a extensão e a formação profissional, materializada no desenho curricular do curso e nas narrativas coletadas. Compreendeu-se ainda, graças ao processo de pesquisa e contato com os sujeitos que aceitaram participar dela, que este é um processo também de compreensão da trajetória de formação deste pesquisador em busca dos sentidos que construiu nos seus contextos de formação. Desta forma, é o testemunho deste sujeito aprendente, que se auto-elabora e que é confrontado pela existencialidade presente em sua pesquisa.

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  • ISABELLE BARBOSA VASCONCELOS CAMPOS
  • POLÍTICAS PÚBLICAS E COMBATE À VIOLÊNCIA DE GÊNERO: UMA ANÁLISE DO DECRETO N° 11.430, DE 08 DE MARÇO DE 2023 E SUA APLICAÇÃO NAS UNIVERSIDADES E INSTITUTOS FEDERAIS DO BRASIL

  • Data: 05/12/2025
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  • Esta pesquisa tem como objetivo analisar a necessidade de políticas públicas de ações afirmativas de combate à violência de gênero, em especial o Decreto n° 11.430/23, bem como a verificação de sua aplicabilidade nas universidades e institutos federais do Brasil. Para isso, utilizamos a abordagem metodológica qualitativa, através de duas ferramentas de pesquisa: o levantamento bibliográfico, e a coleta de dados, através da Plataforma Fala-BR, com as universidades e institutos federais do Brasil que já possuem acordos de cooperação firmados em seus estados, já que a existência do referido dispositivo é o primeiro passo para a efetivação do Decreto. Através de pesquisas realizadas, pode-se perceber um maior índice de violência entre as mulheres que possuem até 2 salários-mínimos, e as negras, quando analisados os aspectos de renda, e perfil étnico racial, respectivamente. Diante disso, a criação de vagas de trabalho específicas para mulheres vítimas de violência doméstica no mercado de trabalho, torna-se uma medida que pode vir a contribuir para o combate desta problemática. Contudo, considerando as universidades e institutos federais pesquisados, localizados em 10 estados e no DF, onde os acordos de cooperação já estavam firmados no momento da pesquisa, pode-se perceber que a utilização efetiva do referido dispositivo é quase inexistente, considerando ser ainda uma norma muito recente, a existência de contratos vigentes ainda pela Lei 8666/93, além do fato de muitas contratações não possuírem o quantitativo de colaboradores exigidos para aplicação do decreto, e até mesmo a falta de conhecimento dos acordos de cooperação já firmados, bem como a falta de fiscalização no cumprimento do dispositivo, o que ressalta a imprescindibilidade de um esforço conjunto do Ministério da Gestão e Inovação em Serviços Públicos (MGI), do Ministério das Mulheres (MM), dos estados, dos órgãos e das entidades públicas contratantes e das empresas contratadas, a fim de tornar efetiva a justiça social para as mulheres.

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  • MÁRCIA MARIA BEZERRA GOMES CABRAL
  • A DANÇA COMO PROCESSO DE INCLUSÃO DE ESTUDANTES DEFICIENTES NA EDUCAÇÃO SUPERIOR: UM ESTUDO DE CASO NA UNILAB

  • Data: 12/12/2025
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  • O presente estudo tem como objetivo compreender em que medida a dança pode contribuir com o processo de inclusão de estudantes com deficiência na educação superior, mais especificamente a Unilab, a partir das experiências formativas no ensino, pesquisa e extensão. Tomando como referência para os grupos artísticos culturais que atuam no campo da dança e outras manifestações artísticas. Para alcançar o objetivo proposto definimos como metodologia central o estudo de caso, associado a análise de conteúdo, e como procedimentos metodológicos realizamos levantamento documental e aplicamos questionário de pesquisa aos coordenadores e participantes de grupos artísticos culturais e de dança da Unilab. Como principais fontes teóricas temos os seguintes autores: Mantoan (2003;2010); Oliveira (2013), Sassaki (2006), Bardin (2011) entre outros autores. A dança como dispositivo de inclusão na educação superior para pessoas com deficiência é uma prática fundamental para o processo educativo, com impactos positivos tanto no desenvolvimento pessoal quanto na construção de uma cultura mais inclusiva no ambiente universitário. No entanto, para que  ambiente universitário. No entanto, para que essas iniciativas sejam plenamente eficazes, é fundamental enfrentar os desafios de acessibilidade física, pedagógica, tecnológica e atitudinal que ainda persistem. A formação de educadores e a adaptação de currículos e espaços físicos são elementos importantes nesse processo. Esses achados indicam que a dança pode ser uma estratégia educativa para a inclusão, desde que as condições estruturais e pedagógicas adequadas estejam em vigor para garantir a participação de todos(as).

2024
Dissertações
1
  • FRANCISCO FABRICIO DA CUNHA ALVES
  • A VISÃO IMAGÉTICO-PENSANTE DE DELEUZE: O CINEMA COMO FERRAMENTA NO ENSINO DE FILOSOFIA.

  • Data: 22/02/2024
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  • A pesquisa em questão tem como objetivo investigar as abordagens metodológicas empregadas no ensino da disciplina de Filosofia no Ensino Médio, com ênfase na utilização de recursos visuais, como fotografias, vídeos, documentários, pinturas e, notadamente, o uso do cinema como ferramenta didática. O relacionamento entre imagem retratada pelo cinema, saber e ensinoaprendizagem mostra-se, como o principal foco de abordagem desta pesquisa. Dessa forma, buscase avaliar a integração da linguagem cinematográfica no ambiente educacional do Ensino Médio, bem como as questões metodológicas, teóricas e epistemológicas enfrentadas pelos professores de Filosofia ao incorporar esses recursos audiovisuais em sua prática educativa. Os conceitos expostos nas obras de Gilles Deleuze, Imagem-movimento e Imagem-tempo, são utilizados como fundamentação teórica para a argumentação. Consequentemente, este estudo enfatiza a importância das imagens cinematográficas na construção do conhecimento em Filosofia, uma vez que a disciplina é obrigatória em todas as instituições de ensino no país. Através do cinema, os jovens têm a oportunidade de explorar os aspectos filosóficos do pensamento. O professor tem a capacidade de apresentar uma situação de aprendizado específica e fornecer recursos, mas da maneira como o aluno organiza e utiliza esses recursos é uma responsabilidade pessoal. Como resultado, o processo de aprendizagem se torna uma construção ativa e única para o estudante, permitindo que ele estabeleça suas próprias conexões de significado e explore diversas perspectivas durante sua jornada educacional. O professor, ao compreender o uso adequado do cinema na sala de aula, pode empregar essa tecnologia como uma ferramenta potente no ensino de Filosofia, conectando o conteúdo filosófico com as cenas selecionadas para exibição. Por fim, são apresentadas as considerações finais que destacam a relevância do desenvolvimento desta pesquisa, considerando os desafios enfrentados e os resultados obtidos até o momento.

2
  • ELIZABETH DA SILVA OLIVEIRA
  • QUILOMBO PERIFÉRICO EM FORTALEZA/CE: BOOM BOOM BLACK, FESTA CRIOULA E SUOR PRETO


  • Data: 22/05/2024
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  • periféricos: sua (re)existência e a agência no processo identitário negro. O objetivo geral da pesquisa deste projeto é levar a uma reflexão sobre as novas categorias de quilombo e o processo de agência negra na cidade. A metodologia de pesquisa qualitativa é a escrevivência e a netografia. A escrevivencia é uma forma de fazer pesquisa em que a grafia sobre o objeto é atravessada pela primeira pessoa num processo retroativo entre memórias e escrita. Para coleta de dados foi utilizado a netnografia, a partir das redes sociais do Boom Boom Black, Festa Crioula e Suor Preto pode entender o que os participantes, produtores e a comunidade black como um todo vê os bailes e as relação com a identidade negras. Assim, pude analisar o acontece e o que se fala, além de transformar minha própria experiencia em fonte. Portanto, pude constatar que os bailes Boom Boom Black, Festa Crioula e Suor Preto são quilombos urbanos periféricos.

3
  • ANTONIA ROSEMEIRE GUEDES DA SILVA
  • A EDUCAÇÃO INCLUSIVA EM COMUNIDADE INDÍGENA: ANÁLISE DAS PRÁTICAS PEDAGÓGICAS
    INCLUSIVAS PARA ESTUDANTES COM DEFICIÊNCIA NAS ESCOLAS INDÍGENAS PITAGUARY, CEARÁ.

  • Data: 23/05/2024
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  • A inclusão tem sido um tema muito debatido nos dias de hoje como sinônimo de promoção da igualdade de oportunidades e do respeito pela diversidade. Com isso, o objetivo da pesquisa foi analisar os desafios enfrentadospelos docentes indígenas ao promover a inclusão de pessoas com deficiência em sua sala de aula. presente pesquisa pautou-se na abordagem qualitativa do tipo observação participante com traços etnográficos, produzindo dados em conversas autorizadas e gravadas em áudio com professores de duas escolas indígenas da rede estadual de ensino fundamental e médio, em Maracanaú e Pacatuba, no Ceará. A interpretação e análise dos dados foram realizadas em categorias de análise que buscarão responder às questões: Quais os principais desafios que você enfrenta como professor ao promover a inclusão de pessoas com deficiência e como você lida com esses desafios? Como você adapta o currículo e os métodos de ensino para atender às necessidades específicas dos alunos com deficiência? Os resultados destacaram a necessidade de investimentos em formação continuada, recursos adequados e adaptações estruturais para criar ambientes inclusivos. A pesquisa contribuiu para umacompreensão mais ampla das práticas inclusivas nas escolas indígenas, destacando a importância do comprometimento coletivo e interdisciplinar na promoção de uma educação inclusiva de qualidade. Há necessidade de implementação de novas metodologias pedagógicas e políticas públicas inclusivas, promovendo uma educação inclusiva e equitativa nas escolas indígenas.

4
  • MARIA VITORIA SILVA CARDOSO
  • HISTÓRIAS DE VIDAS DE TRABALHADORAS DA FEIRA LIVRE DE BATURITÉ-CE

  • Data: 24/05/2024
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  • A dissertação em análise origina-se de uma pesquisa conduzida na feira livre de Baturité-CE,com o propósito de compreender a trajetória de vida e trabalho das mulheres feirantes nesse contexto. Este estudo contribui para conhecimento científico e social da feira livre de Baturité-CE, dada a escassez de pesquisas sobre o tema, o que nos impele a investigar como a realidade das mulheres feirantes influencia o espaço público e traz à tona conhecimentos e lutas até então incompreendidos. Para alcançar esse objetivo, adotou-se a metodologia da história oral (PORTELLI, 2012), a fim de analisar as narrativas das feirantes, além de elementos da etnografia (GEERTZ, 1989) e da etnofotografia (FERNANDES; FERNANDES, 2019), para registrar e observar o trabalho das participantes. Os resultados destacam o trabalho das mulheres feirantes como um ato de resistência, enquanto a feira é reconhecida como um espaço permeado por relações de poder e sociabilidades adversas. Ressaltam-se os desafios enfrentados por essas mulheres na ocupação dos espaços públicos da feira, evidenciando uma luta constante por reconhecimento e inclusão. Por fim, nota-se a negação do acesso à educação para muitas dessas mulheres, o que evidencia a dificuldade de ocupação dos espaços educacionais e as consequentes situações de vulnerabilidade financeira e condições precárias do trabalho informal feminino.

5
  • NIXON GLEYSON MELO DE ARAÚJO
  • MOSAICOS DE PAPEL: a questão das identidades étnico-raciais e da arte
    decolonial, nas obras de Rosana Paulino, em releituras da Técnica de Colagem.

  • Data: 27/05/2024
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  • A arte, ao longo da história, tem funcionado como um reflexo da sociedade, capturando e moldando as nuances de cada época. Esta pesquisa aprofunda a intersecção entre arte, cultura e identidade, com ênfase na técnica da colagem e sua relevância no contexto decolonial. A pesquisa tem como objetivo discutir as questões das identidades étnico-raciais com estudantes de graduação da UNILAB, a partir da técnica de colagem “Mosaico de Papel” e suas contribuições na arte decolonial em obras de Rosana Paulino. A colagem, que combina diferentes materiais e imagens para criar uma obra coesa, é mais do que uma mera forma de expressão, para ser reveladora de múltiplas identidades culturais e sociais. Sendo assim, a pesquisa qualitativa do tipo observação-participante, propõe-se a arte da colagem na forma de Oficina Pedagógica na componente curricular “Samba,
    Capoeira e Manifestações Culturais Africanas e Afro-Brasileiras dos Lugares” com estudantes do curso de Licenciatura em Pedagogia, no semestre de 2023.1, provocados a responder por meio da técnica “Mosaico de Papel a questão “Qual a sua cor?” com a apresentação de produção artística individual. Na atividade, a coleta dos dados será feita no Diário de Campo e captura de Imagens Fotográficas com a descrição das impressões, registros de observações e percepções do pesquisador quanto ao desempenho e desenvolvimento da proposta didática de releitura de imagens em identidades étnico-raciais produzidas na oficina pedagógica. A análise interpretativa da atividade de colagem, baseada em Barbosa (2010), Hall (2003), Echeverria (2009), Quijano (2005) entre outros, dará condições para refletir sobre um mosaico de identidades culturais e sociais, necessárias a um contexto decolonial cuja lente crítica nos permitirá examinar a arte e a cultura. Em cenários
    marcados pelo colonialismo, esperamos que essa arte, especialmente, a colagem, sirva como um meio de resistência, desafiando narrativas estabelecidas e elevando vozes anteriormente marginalizadas.

6
  • ELIENAI DE SOUSA LIMA ALVES
  • A GESTÃO DEMOCRÁTICA NA ESCOLA DE ENSINO MÉDIO EM TEMPO INTEGRAL PADRE SARAIVA LEÃO EM REDENÇÃO - CE

  • Data: 28/05/2024
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  • O texto consiste em uma análise da gestão escolar na escola de ensino médio em tempo integral  Padre Saraiva Leão, em Redenção-Ceará, avaliando se os princípios legais que deveriam  garantir uma Gestão democrática na educação básica estão sendo efetivados e problematizando quais os limites da Gestão democrática no espaço escolar, considerando o contexto da crise do capital. Para subsidiar a pesquisa, foram realizadas entrevistas com os sujeitos envolvidos no  processo, no caso a gestão escolar, os professores e alunos da unidade de ensino pesquisa,  membros da comunidade e análise de documentos produzidos pela escola e pelo poder público  (SEDUC/CE, MEC, CNE, etc.). Para construir diálogo com fontes orais e escritas, a pesquisa  segue uma abordagem interdisciplinar e qualitativa dos instrumentos utilizados e a revisão  bibliográfica de estudos ancorados na crítica marxista em Marx e Engels (2009), Mészáros  (2008), Saviani (2005), Tonet (2005), e no campo das reflexões sobre a gestão escolar  democrática, como: Libâneo (2012), Luck (2006), Paro (1998; 2016) dentre outros. Os  resultados da investigação apontam indícios que existem esforços para a construção de uma  Gestão Democrática e Participativa na EEMTI Padre Saraiva Leão, mesmo os organismos  colegiados não atuando efetivamente. Outrossim, os gestores, embora reconheçam a  importância e legitimidade resultante do processo participativo, compreendem que há limites  que extrapolam os muros da escola e não podem ser resolvidos apenas por ela. O diálogo com  as famílias, muitas vezes é comprometido devido a circunstâncias diversas com destaque para  a distância entre a escola e as localidades em que residem os estudantes, outra situação de  grande relevância é que a maioria das famílias sobrevivem do cultivo da terra, necessitando  constantemente cuidar de suas plantações, obstando a efetiva participação da família no  cotidiano escolar. Já os organismos colegiados, mesmo tendo seus membros, possuem uma  atuação modesta, muitas vezes sendo limitada a convocações extraordinárias, uma das situações  que justificam as dificuldades dos encontros é que não há no plano de carga horária dos  professores momentos dedicados a tal demanda.  


7
  • FERNANDA GISELE SILVA DOS SANTOS
  • POLÍTICA NACIONAL DE SAÚDE INTEGRAL DA POPULAÇÃO NEGRA PRESENTE NA MATRIZ CURRICULAR DO CURSO DE ENFERMAGEM NA UNILAB

  • Data: 29/05/2024
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  • A presente pesquisa trata-se de um estudo sobre a Política Nacional de Saúde integral da População Negra presente na Matriz Curricular do Curso de enfermagem na UNILAB. A pesquisa foi realizada a partir da análise de documentos legais, como as Diretrizes Curriculares do Ensino Superior, a Lei de Diretrizes e Bases - LDB 9394/96, Pareceres do Conselho Nacional de Educação - CNE e o Projeto Político-Pedagógico do Curso de Enfermagem da UNILAB. Esse trabalho tem como objetivo central buscar os sentidos do documento do Projeto
    Político-Pedagógico do Curso de Enfermagem da UNILAB, na perspectiva da presença de elementos da Política Nacional de Saúde Integral da População Negra - PNSIPN. De acordo com o estudo de caso desenvolvido é
    possível apresentar que a Política Nacional de Saúde Integral da População Negra - PNSIPN é mencionada de forma sucinta no desenho curricular do curso de enfermagem da UNILAB. Na fundamentação da pesquisa foi utilizada a contribuição do pensamento de autores como Aníbal Quijano (2005), Cida Bento (2022), Jurema Werneck (2022), Laurence Bardin (1977) e Tiago Rogero (2022). Os métodos utilizados na pesquisa foram: a análise de conteúdo e o estudo de caso, pois foi feita a descrição de pontos altos dos documentos numa análise qualitativa. Por fim, a pesquisa constatou que a PNSIPN é citada no PPC do curso de Enfermagem da UNILAB na parte das ementas e bibliografias das disciplinas, especificamente e literalmente na bibliografia complementar da disciplina Política e Saberes em Saúde da Família do 7o semestre. Além disso, foi identificada na bibliografia complementar da disciplina Fundamentos das Ciências Humanas Aplicadas à Saúde o artigo intitulado "Saúde da População Negra”, que apesar de tratar de igual temática, não é de forma literal a PNSIPN. Tal informação evidencia a ausência sistemática do estudo da PNSIPN na formação dos enfermeiros egressos do curso da UNILAB.

8
  • ANA CÁSSIA ALVES CUNHA
  • SER MÃE E UNIVERSITÁRIA: OS DESAFIOS ENFRENTADOS PELAS ESTUDANTES MÃES BRASILEIRAS E DOS PALOP QUE ESTUDAM NA UNILAB-CEARÁ

  • Data: 31/05/2024
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  • Esta dissertação tem por objetivo compreender, a partir dos estudos interdisciplinares, os desafios enfrentados pelas estudantes mães brasileiras e dos PALOP da UNILAB (Ceará) durante os seus percursos acadêmicos. Para isso, realizamos uma discussão teórica sobre as questões acerca de influência do patriarcado ( Leacock,
    2019; Saffiot, 2009); da construção historico-social da maternidade (Somé, 2007; Moura, Araújo, 2004; Azevedo, 2004), gênero (Hooks, 2020; Oyěwùmí, 2000; Scott, 1995) Raça, Classe (Carneiro, 2011; Crenshaw, 2002) e políticas públicas estudantis (Urpia & Sampaio, 2011). Como metodologia, partimos de um estudo bibliográfico e documental, além de uma pesquisa-ação, unindo as técnicas de coleta de dados: formulário eletrônico, observação, roda de conversa, promoção de palestras e acolhimento das estudantes. A pesquisa demonstrou que: a) o perfil das estudantes-mães corresponde em sua maioria de, mulheres negras, com faixa etária de 20 a 41 anos, maioria solteiras, com pelo menos um/a filho/a e são a principal responsável pelos cuidados da criança, migrantes, que tem como principal fonte de renda o Auxílio Moradia; b) a experiência materna na Unilab está baseada em violências, seja nas relações de assédio ou no impedimento das estudantes acessarem o Restaurante Universitário, o que corresponde a insegurança alimentar, e, por isso, c) é necessário que a gestão da universidade aprimore ou desenvolva uma metodologia que possa quantificar e conhecer o público materno-estudantil da universidade para que possa promover ações de acolhimento. Por se tratar de uma pesquisa-ação, foi realizada a criação de um documento intitulado “Política de Acolhimento das Discentes Mães na Unilab”, considerando as demandas das estudantes mães desta Universidade e de forma espontânea, o grupo de pesquisa organizou-se e tornou-se um coletivo de mães universitárias. Diante do percurso da pesquisa e das conquistas alcançadas, acreditamos que a efetivação de políticas públicas de assistência estudantil balizadas pelo referido documento contribuirão para superar as desigualdades de acesso e permanência das estudantes mães da Unilab.

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  • LENILDA DA COSTA LIMA OLIVEIRA
  • TOKA-TCHUR : UM RITUAL DA ETNIA BRAME DA GUINÉ-BISSAU

  • Data: 31/05/2024
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  • A presente dissertação tem como objetivo compreender qual o significado o Toka- tchur tem para a etnia Mancanha em Guiné- Bissau. A prática ritualista fúnebre que acontece nas tabankas de Mancanhas, a mesma prática também acontece em algumas etnias que é de realizar o Toka- tchur. Os Mancanhas, normalmente vivem entre as de Có e Bula onde residem na sua maioria, contudo, estão espalhados por toda a Guiné-Bissau. Privilegiam-se quatro recortes: etnias guineenses e seus inter- relacionamento em termos socioculturais; a organização social e cultural dos Mancanhas de Có e Bula; signos étnicos para comunicação com os ancestrais, afim de entendermos como se dão os procedimentos para realização de cada ritual pós- morte, até chegarmos ao ponto chave que é o chamado rituais de Toka- tchur. Este ritual é de transição e comunicação com os ancestrais e as manifestações do luto. O último ritual da passagem da pessoa falecida para o mundo das ancestralidades. Cada pessoa tem seu lugar dentro da tradição e quando morre avaliam esse lugar para assim fazer os rituais necessários. Assim, como os rituais fúnebres do régulo é diferente das demais pessoas das tabankas. Por meio da interdisciplinaridade foi possível trazer várias abordagens sobre o tema em estudo e foi conseguido o resultado esperado.

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  • FABRÍCIO DARLAN VIEIRA DA SILVA
  • MARIA CAROLINA DE JESUS E A MULHER NEGRA NA LITERATURA BRASILEIRA

  • Data: 04/06/2024
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  • O presente estudo teve como motivação inicial os resultados de oficinas realizadas pelo Programa Institucional de Bolsas de Iniciação à Docência (PIBID), com vigência nos anos de 2016 a 2018. Em uma dessas oficinas, o foco foi à representação das mulheres negras na literatura afro-brasileira. Foram analisadas diversas obras de escritoras negras, dentre elas: Conceição Evaristo (2014) com sua obra intitulada Olhos d’água; Maria Firmina dos Reis (1859) trazendo Úrsula e, por fim Carolina Maria de Jesus (1960) com o Quarto de despejo. As obras analisadas revelam a diversidade de experiências das mulheres negras no Brasil. Elas são representadas como mães, filhas, esposas, trabalhadoras, ativistas, e muito mais. As obras também mostram os desafios que essas mulheres enfrentam, como o racismo, a pobreza, a violência e a discriminação. O estudo busca contribuir para o debate sobre a representação das mulheres negras na literatura brasileira. Acreditamos que essas obras são importantes para a construção de uma memória e uma identidade nacional mais inclusiva. Assim sendo, a presente pesquisa surge da aspiração de entender e gerar produção de conhecimento referente ao papel da mulher negra, pobre, moradora de favela e “invisível” na literatura brasileira. Nesse contexto, destaca-se uma escritora da década de 1960 para análise: Carolina de Jesus. O objetivo desta pesquisa é analisar a representação da mulher negra na obra “Quarto de Despejo” (1960), de Carolina de Jesus, por meio de sua escrita, o cotidiano de uma mulher que vive na favela. A obra “Quarto de Despejo” é um diário escrito por Carolina de Jesus, uma mulher negra, pobre e moradora de favela em São Paulo. O diário é um relato honesto e cru da vida de Carolina e de outras mulheres que vivem na mesma situação. Carolina escreve sobre a pobreza, a violência, o racismo e a discriminação que enfrenta diariamente. Ela também escreve sobre sua esperança e sua determinação de sobreviver e construir uma vida melhor para seus filhos. Esta produção ainda é um documento histórico importante que revela a vida das mulheres negras pobres e moradoras de favela no Brasil. A obra também é um importante marco na literatura brasileira, pois é uma das primeiras vezes que uma mulher negra escreve sobre sua experiência de vida de uma forma tão honesta e direta. A presente pesquisa busca contribuir para o debate sobre a representação da mulher negra na literatura brasileira. Acredita-se que a obra “Quarto de Despejo” é uma obra importante que merece ser lida e discutida nos mais diversos espaços, levando em consideração suas primeiras reflexões dentro da academia. Na análise, pretendo observar a representação da mulher negra, seu local de “fala” e o contexto no qual a autora está inserida. Também buscarei traços autobiográficos presentes na obra e entender até que ponto os deslizamentos ocorridos na construção da obra a tornam, de fato, um texto autobiográfico. Ou seja, qual o limite entre memória e ficção na presente obra? O ponto de partida da investigação é a biografia da autora que nos permitirá entender tudo que foi vivenciado pela mesma, e contrapor os dados obtidos com aquilo que se encontra presente no texto, possibilitando a comparação entre a vida da autora e a sua obra produzida, analisando a obra como uma narrativa de uma mulher negra que, na hipótese, terá bastantes traços biográficos, do lugar, da invisibilidade da mulher negra da periferia, mas percebendo também que poderá ter projeções, e construções por parte da autora, dialogando então com o objetivo da mesma ao escrever a obra literária. Pretendo em seguida analisar e descrever a mulher negra na literatura brasileira, tendo Maria Carolina de Jesus como referencia.


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  • MARIA ROSILENE RAMOS
  • ESCOLA OSÓRIO JULIÃO NA FORMAÇÃO DA IDENTIDADE ÉTNICORACIAL: A EXPERIÊNCIA DO TORNAR-SE QUILOMBOLA NA COMUNIDADE SERRA DO EVARISTO/CE (2010 -2024).

  • Data: 10/07/2024
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  • A dissertação consiste em um estudo de experiências in loco, de observações e do convívio na Comunidade Quilombola Serra do Evaristo, localizada no Maciço de Baturité, interior do Ceará. A pesquisa versa sobre a importância da escola no processo de autorreconhecimento da identidade étnico-racial, em que analisamos as  práticas educativas desenvolvidas na escola local, com atenção especial voltada à educação para as relações étnico-raciais. Objetivamos investigar como a Escola Osório Julião vem atuando no processo de autorreconhecimento da identidade étnicoracial quilombola, vivenciado pela população do Quilombo do Evaristo, observando a participação de todos os segmentos que atuam na constituição e direcionamento das práticas educativas desenvolvidas na escola da comunidade. Para tanto, realizamos uma pesquisa bibliográfica, com entrevistas e observação participante, para conseguir chegar a um conhecimento, que se propôs a buscar e apresentar dados perceptíveis e consistentes que permeiam o percurso da edificação de uma proposta de educação antirracista, cujo desenvolvimento requer mais que mudanças elementares organizacionais, mas alterações paradigmáticas, que fundamentem a promoção de uma educação libertadora para além dos padrões vigentes.

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  • MAURILIO ALVES ROCHA JUNIOR
  • Trilogia da guerra em Pepetela: Literatura e Memória nos romances Mayombe, A Geração da Utopia e Parábola do Cágado Velho

  • Data: 12/07/2024
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  • A presente dissertação analisa os romances Mayombe (2013), A geração da Utopia (2013) e Parábola do Cágado Velho (2005), autoria do escritor e sociólogo angolano
    Pepetela, a partir das perspectivas dos estudos pós-coloniais e nos debates sobre Memória e Literatura e Sociedade, no âmbito das Literaturas Africanas de Língua
    Portuguesa. Observando os romances do escritor angolano Pepetela como um projeto literário que apresenta memórias da luta e resistência em Angola, o presente
    trabalho investiga os romances a partir da representação literária durante o processo de emancipação política angolana, tendo um recorte temporal inicializando nos
    preparativos e no combate armado para as lutas de libertação nacionalista (1960-1975), bem como a eclosão e as sequelas advindas da guerra civil (1976-2002). A
    hipótese desta dissertação é a de que os romances destacados neste trabalho podem ser considerados uma trilogia da guerra que reflete momentos revolucionários em
    Angola. Constituindo-se, assim, que as obras Mayombe (2013), A geração da Utopia (2013) e Parábola do Cágado Velho (2005) constroem narrativas que apresentam
    representações literárias dos combates armados presenciados no território angolano. Nessa perspectiva, a partir das leituras e investigações dos romances à luz da 

    memória política e social de Angola foi possível detectar que o escritor angolano aborda como prisma principal a memória de luta e resistência do povo angolano no que
    diz respeito as lutas de independência nacionalista (1960-1975), guerra civil (1976-2002), bem como os rastros de uma herança legado para o pós-independência. Desse
    modo, Pepetela, na dinâmica da escrita das Literaturas Africanas de Língua Portuguesa, constrói obras literárias com um projeto literário, cujo enredo, tempo e espaço
    aglutina-se com a memória de uma sociedade que sonhou, lutou, desencantou, mas que na modernidade reascendeu, mais uma vez, resquícios da Utopia de uma
    sociedade justa e igualitária.

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  • AILTON GEORGE DE ALMEIDA E SILVA
  • A GEOGRAFIA ESCOLAR NOS LIVROS DIDÁTICOS CEARENSES (1942-2023)

  • Data: 24/07/2024
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  • A trajetória da ciência geográfica, desde os estudos informais até sua sistematização no século XIX, passou por transformações impulsionadas pelo desenvolvimento científico e mudanças curriculares. Esta dissertação visou analisar como as diferentes correntes do pensamento geográfico influenciaram os conteúdos dos livros didáticos, focando especialmente nos materiais voltados para a geografia do Ceará. A metodologia inclui um estudo bibliográfico abrangente, analisando documentos oficiais, artigos científicos e livros, destacando autores como Alain Choppin (2004), Carlos Eduardo Ströher (2012), José Silvério Baía Horta (2012), Marco Antônio Silva (2012), Maria Lúcia de Arruda Aranha (2008), Milton Santos (2001 e 2006). A pesquisa avaliará como os livros didáticos “Pequena Corografia do Ceará” (1942), “Estudo sôbre o Ceará” (1955), “Coleção Manual de Apoio 3, 4 e 5 - 8a série (1997-1998)” “Construindo o Ceará: ensino fundamental” (2017) e “Educação e Semiárido: Novos olhares, Novos Caminhos” (2023) abordam a temática regional e local. O objetivo é compreender como os conteúdos geográficos são estruturados, ensinados e avaliados em diferentes momentos históricos e como refletem as visões das escolas geográficas. Observamos que o livro didático desempenha uma função importante na educação escolar. Ele orienta os currículos e temas ministrados em sala de aula, destacando a necessidade de discutir as políticas públicas que regem sua formatação, escolha, aquisição e distribuição. No entanto, a uniformidade de conteúdo muitas vezes ignora a diversidade regional, dificultando o engajamento e a identificação de alunos e professores. As diferentes correntes de pensamento geográfico influenciaram significativamente a construção dos livros didáticos de geografia, moldando a compreensão do espaço geográfico cearense. Inicialmente, a escola Tradicional/Clássica e a Geografia Quantitativa focaram na descrição física e na análise quantitativa dos dados espaciais. Recentemente, a abordagem Humanista/Cultural trouxe uma perspectiva que incorpora a vivência e a cultura local, oferecendo uma compreensão mais abrangente do espaço geográfico. Essas mudanças refletem uma transformação na abordagem dos livros didáticos sobre o espaço cearense, de uma visão descritiva e analítica para uma mais inclusiva que valoriza a vivência humana e cultural. A produção de livros didáticos focados na geografia local é uma estratégia importante para desafiar a hierarquia do conhecimento estabelecida pelas epistemologias do Norte, promovendo uma compreensão mais inclusiva e diversa do mundo.

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  • CLARA MARIA TELES RODRIGUES
  • Pobreza menstrual e as políticas públicas no ambiente escolar

  • Data: 30/07/2024
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  • A presente pesquisa tem como objetivo investigar a pobreza menstrual nas escolas públicas, relacionando com a necessidade das políticas públicas, bem como compreender o fenômeno da precariedade menstrual nas escolas públicas e seus efeitos na vida de meninas, em especial na de meninas negras. É uma pesquisa bibliográfica de cunho qualitativo que utiliza como técnica de coleta de dados a pesquisa documental em sites para mapear a legislação estadual e nacional. O referencial teórico traz o conceito de da interseccionalidade e as relações de gênero, que auxiliou compreender se tratar de um processo histórico e sociológico, no campo econômico, político e de direitos. Assim pude analisar os documentos nacionais e internacionais que fundamentam a realidade de direitos subtraídos: o plano de direitos fundamentais, as questões objetivas de uma sociedade que espera um Estado que corresponda a suas expectativas de atendimento de uma educação digna, observando desde as suas estruturas sociais até as condições pedagógicas para o embate da pobreza menstrual. Portanto, é de extrema urgência que o Estado garanta políticas públicas de acolhimento ao fenômeno social da pobreza menstrual que afeta diretamente a vida das meninas e a sua permanência e sucesso na escola.

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  • MÔNICA CORDULINA DA SILVA
  • A PRODUÇÃO CIENTÍFICA DO MESTRADO INTERDISCIPLINAR EM HUMANIDADES: ANÁLISE DAS TEMÁTICAS
    DAS DISSERTAÇÕES DO PERÍODO 2018-2022

  • Data: 30/07/2024
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  • Conhecer a produção científica de um programa de pós-graduação interdisciplinar permite a consolidação da identidade do curso. A pesquisa tem como objetivo geral analisar as temáticas das dissertações do Mestrado Interdisciplinar em Humanidades da Universidade da Integração Internacional da Lusofonia Afro-brasileira (MIH/UNILAB), verificando em que medida demonstram alinhamento com o Projeto Pedagógico do Curso, no período de 2018 a 2022. Como objetivos específicos: identificar a representação temática do conteúdo das dissertações; verificar a temática das dissertações com os temas abordados nas linhas de pesquisa; verificar em qual linha de pesquisa está vinculado às dissertações; identificar a área interdisciplinar envolvida nas dissertações e identificar a região geográfica onde ocorreram os estudos. Nessa perspectiva buscou-se responder como se apresenta esta produção mediante análise de 62 (sessenta e duas) dissertações disponibilizadas no Repositório Institucional da Unilab. Para os procedimentos metodológicos a fim de alcançar os objetivos, a pesquisa tem abordagem quanti- qualitativa, demonstrando dados com valores percentuais, mas com predominância em aspectos qualitativos. Caracteriza-se em uma pesquisa de natureza descritiva e documental, pois tem como objeto de estudo as dissertações produzidas pelos egressos do curso. Efetuou-se da pesquisa bibliográfica em busca de conhecimento sobre o assunto pesquisado. A análise de conteúdo foi utilizada para análise dos dados. A pesquisa foi desenvolvida de acordo com as seguintes etapas: Levantamento bibliográfico; Mapeamento das dissertações disponibilizadas no RI, Catalogação dos dados coletados na planilha com as seguintes categorização: título, resumo, palavras-chave, linhas de pesquisa, áre nterdisciplinar e região geográfica. Os dados revelam que as temática desenvolvidas estão de acordo com Projeto Pedagógico do Curso, revelam ainda lacunas em temas de pesquisa, demonstrando a importância de avaliação e acompanhamento do conhecimento científico produzido no Mestrado.

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  • IMO GRÁCIO MÁRCIO
  • A POLÍTICA EXTERNA JAPONESA: UM ESTUDO DE CASO SOBRE A
    AGÊNCIA DE COOPERAÇÃO INTERNACIONAL DO JAPÃO (JICA) EM MOÇAMBIQUE

  • Orientador : BASILELE MALOMALO
  • Data: 05/08/2024
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  • O Japão é um dos principais atores do Sistema Internacional, com expressiva capacidade na
    dimensão econômica e baixa expressão nas dimensões política e estratégica. Esta pesquisa examina
    a política externa japonesa por meio de um estudo de caso da atuação da Agência de Cooperação
    Internacional do Japão (JICA) em Moçambique. Os objetivos centram-se na análise dos projetos e
    programas implementados pela JICA, visando compreender seus objetivos, estratégias e impactos
    no desenvolvimento socioeconômico do país africano. Utilizando uma abordagem qualitativa, a
    metodologia emprega uma variedade de fontes de dados, incluindo documentos oficiais, livros e
    artigos científicos, relatórios oficiais, revisão da literatura acadêmica e análise de dados
    secundários. A discussão dos resultados aborda os desafios enfrentados pela JICA em Moçambique, bem como as lições aprendidas e as recomendações para fortalecer a cooperação internacional entre o Japão e Moçambique no futuro.

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  • ANTÔNIO JOSÉ SABINO DE OLIVEIRA
  • A LUTA POR TERRA, TRABALHO, APOSENTADORIA RURAL E ENVELHECIMENTO DE CAMPONESES ASSENTADOS PELO MST/CE

     


  • Data: 23/08/2024
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  • Na dissertação, socializamos nosso trabalho investigativo desenvolvido no Programa de Mestrado Interdisciplinar em Humanidades, da Universidade da Integração Internacional da Lusofonia Afro–Brasileira (MIH/UNILAB). Objetivamos investigar as contradições sociais do envelhecimento de trabalhadoras e trabalhadores campesinos dos assentamentos rurais vinculados ao Movimento do Trabalhadores Rurais Sem Terra/MST no território do Estado do Ceará, nordeste do Brasil. Para tanto, dialeticamente, entrelaçamos em nossas analises os limites e possibilidades da Luta por Terra, Trabalho, Aposentadoria Rural para a vida dos camponeses assentados pelo MST/CE. Elegemos em nosso trabalho investigativo o método do materialismo histórico-dialético praticado pela crítica da economia política. Neste sentido, o contato com as experiências de trabalho do Grupo Interdisciplinar Marxista (GIM/UNILAB/CE), do qual fazemos parte, tem sido inspirador. Sobre a coleta, análise e catalogação das fontes, efetuamos um cruzamento de fontes diversificadas, tais como: as entrevistas com os campesinos, as leituras bibliográficas que historiciza a gênese da aposentadoria rural no Brasil, artigos jornalísticos e, ainda, a legislação que regulamenta o Sistema da Seguridade Social, Leis que dispõe sobre a Previdência Social e o acesso à terra dentro do arcabouço legalista das constituições federais. O tema é ainda carente de maiores debates/aprofundamento e acreditamos que com esta pesquisa possamos adubar o terreno do conhecimento necessário para germinarmos a superação das adversidades provenientes da experiência com a velhice para os campesinos das áreas de reforma agrária e assentamentos rurais.

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  • ANTÓNIO IMBANA JUNIOR
  • TURISMO SUSTENTÁVEL NOS ARQUIPÉLAGOS DE BOLAMA BIJAGOS NA GUINÉ-BISSAU.

  • Orientador : NATALIA CABANILLAS
  • Data: 12/09/2024
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  • A presente pesquisa propõe-se a discutir a relação entre o turismo e a sustentabilidade no arquipélago Bolama Bijagós e investigar as possíveis tensões existentes entre a prática do turismo e as ameaças do mesmo à sustentabilidade, assim como a questão do pertencimento dos guineenses ao território de Bolama Bijagós/ Guiné-Bissau. A tradição da cultura de povo Bijagós, particularmente dos ritos cerimônias de iniciação,
    da espiritualidade, de gênero e da sociedade Bijagós. Discutir sobre o Turismo de Base Comunitária (TBC) de povo Bijagós a partir de uma perspectiva cultura, política, espiritual e econômica da sociedade Bijagós. Refletiremos sobre construção dos territórios turísticos dentro do arquipélago dos Bijagós e as suas complexidades e relações com a gente comunitária e visitantes turistas. O papel das Organizações Não- Governamental (ONGs) no processo de combate ao crime ambiental no arquipélago de Bijagós e fiscalização de recursos naturais dentro da ilha em parceria com comunidade local. Analisar entrelaçamento da perspectiva do turismo, a economia e desenvolvimento sustentável. As políticas públicas de turismo na Guiné-Bissau e seus desafios, inovações e retrocessos. E analisar a peça publicitária intitulada “És turismu i pá kim”? (Esse turismo é para quem?), apresentado pelo ex-ministro do turismo (Fernando Vaz) da Guiné-Bissau. O trabalho evidencia as inconsistências nas políticas para a manutenção da sustentabilidade no setor de turismo. Justifique-se a importância desse trabalho para a sociedade acadêmica e não acadêmica, particularmente, para os governantes da Guiné-Bissau, povo de arquipélago de Bolama dos Bijagós e turistas nacionais e internacionais. A metodologia utilizada nesse trabalho é da natureza qualitativa, descritiva, autobiográfica, entrevistas semiestruturadas e bibliográfica, com abordagem histórica e sociológica em livros, dissertações e artigos científicos. A proposta desse trabalho, nos ajuda entender melhor o quanto turismo pode trazer benefícios econômicos sustentáveis e gerar desafios significativos para mudança nas dinâmicas sociais e ambientais na Guiné-Bissau.

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  • CAMILA RICARTE DANTAS CARVALHO
  • Saúde mental em Jovens Quilombolas da Escola Osório Julião do Quilombo do Evaristo em Baturité Ceará

  • Data: 24/10/2024
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  • O racismo causado pela violência estrutural e as violações de direto fazem parte do cotidiano das comunidades quilombolas. O reflexo dessa violência racial gera consequências que afetam a saúde mental de jovens negros e negras quilombolas. Como pergunta de partida tentamos elucidar como é possível promover a saúde mental de jovens quilombolas em contexto escolar. Assim, tem-se como objetivo desse estudo analisar a saúde mental de estudantes quilombolas da escola Osório Julião do Quilombo do Evaristo em Baturité e o impacto do racismo na saúde mental de estudantes quilombolas da escola. Os objetivos específicos são de compreender as concepções saúde mental em jovens quilombolas da comunidade da Serra do Evaristo; descrever as causas de sofrimento
    psíquico de jovens quilombolas em contexto escolar; e analisar os fatores de promoção de saúde mental no contexto escolar quilombola. Desse modo, o método se caracteriza por um delineamento metodológico de caráter misto (questionários e círculo de cultura) com jovens do quilombola do Evaristo em Baturité. Os questionários foram respondidos por 28 estudantes e analisados por meio de estatísticas descritivas e multivariadas. As informações narrativas foram colhidas vias círculos de cultura. Após transcrição de todo o corpus textual, o material foi analisado e categorizado pelo software Atlas.ti, a partir desses dados elaborou-se alguns resultados. Espera-se que as intervenções produzidas ao longo da pesquisa atuem na redução dos impactos da violência estrutural na escola
    quilombola da Serra do Evaristo, como na promoção de processos de cura tendo a Escola como um fator de proteção e cuidado coletivo.

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  • KARLA MARIANA MORALES BONILHA
  • Mulheres na Educação de Jovens e Adultos: “Meu ex-marido não me deixava voltar aos estudos”

  • Data: 17/12/2024
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  • O processo de alfabetização é um momento único na vida das pessoas, especialmente para mulheres que não tiveram um direito garantido durante a infância e a adolescência, chegando à idade adulta sem saber ler e escrever. Ao longo da história, estas mulheres foram duramente reprimidas e lutaram para conseguir firmar seu lugar na sociedade, visto que ainda há discriminações sofridas e que se perpetuam, em algumas ocasiões, de forma sutil na atualidade. Estudar a realidade e os desafios vivenciados pelas mulheres em processo de alfabetização na Educação de Jovens e Adultos (EJA) motivam a presente pesquisa. Com vistas a buscar elementos que contribuam para o entendimento acerca do processo de identidade de gênero das mulheres-estudantes da EJA a partir das influências da Alfabetização, esta pesquisa tem como objetivo principal compreender o processo de (re)construção da identidade de gênero de mulheres-estudantes na modalidade EJA em uma escola da rede pública municipal de Fortaleza/CE. De modo específico, busca-se: i) discutir os conceitos de identidade gênero no contexto escolar com foco no papel social da mulher na sociedade atual, bem como os paradigmas e desafios que envolvem o movimento feminista brasileiro; ii) apresentar os processos históricos, políticos e pedagógicos da Educação de Jovens e Adultos na perspectiva da Alfabetização; e iii) apresentar as influências geradas pela Alfabetização na modalidade considerando a perspectiva das práticas de letramento e suas influências na formação da identidade das mulheres- estudantes da EJA. Trata-se de uma pesquisa qualitativa com abordagem interpretativa, pautada na observação-participante em turmas da EJA da rede municipal de ensino de Fortaleza-CE, pertencentes a uma escola localizada no bairro Passaré. A geração de dados foi realizada por meio da aplicação de entrevistas semiestruturadas com perguntas abertas para as pessoas envolvidas com a identidade de gênero feminino, que no caso deste estudo, são as mulheres-alunas-participantes da EJA. As conclusões evidenciam que, numa perspectiva crítica, a alfabetização das mulheres-estudantes da EJA pode representar para elas não só uma etapa da vida a ser concluída, mas sim, um sinônimo de reflexão, argumentação, criticidade e politização, e que a decisão, na idade adulta, pela inserção em um programa de alfabetização na modalidade EJA, além de outros fatores, é fruto da necessidade de serem e estarem no mundo de forma plena: alfabetizadas e aptas para ler, compreender, interpretar e, sobretudo, tornarem-se livres para transformar suas realidades com respeito e autonomia.

2023
Dissertações
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  • RAFAELE DA COSTA OLIVEIRA
  • A SITUAÇÃO DA (IN) SEGURANÇA ALIMENTAR E NUTRICIONAL NO MEIO DA POPULAÇÃO ESTUDANTIL AFRICANA EM FORTALEZA E NO MACIÇO DE BATURITÉ (CEARÁ)

  • Data: 18/01/2023
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  • A dissertação ora apresentada propõe uma pesquisa que teve como objeto de estudo compreender o processo de imigração estudantil africana para a diáspora no Estado do Ceará, além de analisar a situação da (in) segurança alimentar e nutricional em meio a essa população na cidade de Fortaleza e na Região do Maciço de Baturité, Ceará. O trabalho circunscreve eixos investigativo sobre as imigrações estudantil africanas dos países dos Países de Língua Oficial Portuguesa (PALOP) para o Brasil e Ceará, questões ligadas à (in) segurança alimentar e nutricional dessa população, buscando compreender também a situação do acesso e garantia do Direito Humano à Alimentação Adequada (DHAA) desses sujeitos, os desafios enfrentados por esses estudantes na luta pela manutenção da segurança alimentar e nutricional no cotidiano, e na integração da cultura alimentar nos cardápios universitários. O trabalho teve como objetivo investigar como se dá o acesso ao alimento no meio da população estudantil africana em Fortaleza e na Região do Maciço de Baturité, Ceará. A construção do trabalho se deu por meio de uma metodologia interdisciplinar, os dados foram obtidos através de fontes bibliográficas, análise documental e pesquisa de campo e análise de conteúdo. Os sujeitos que participaram da pesquisa de campo e das entrevistas semiestruturadas, foram entrevistados cinco (5) estudantes da Universidade da Integração Internacional da Lusofonia Afro-Brasileira – UNILAB e um (1) estudante da Universidade Federal do Ceará. Construíram-se novos parâmetros em relação à questão alimentar durante a realização das entrevistas, tendo em vista a alimentação como uma condição social, política, de integração e da cultura e soberania alimentar para além das fronteiras entre países e continentes. Observaram-se que alguns preditores, como aumento dos custos com alimentação, fatores socioeconômicos, condições de consumo alimentar e problemas de saúde, ausência de políticas e ações de fortalecimento da cultura e soberania alimentar africana nos espaços universitários, são alguns dos fatores geradores de insegurança alimentar e nutricional no dia a dia desses estudantes. Os sujeitos dessas pesquisas, relataram-se ainda, a alimentação como uma questão de direito humano, com diversas implicações que afetam a garantia de uma alimentação que seja culturalmente e afetivamente pensada na integração, nas memórias e nas lembranças de seus países, comunidades e rituais familiares.

2
  • ANA KEULLY PEREIRA BEZERRA
  • A Precarização do trabalho docente na Educação Profissional (EEEPs) de nível médio na periferia de Fortaleza/CE (2016-2023)

  • Data: 31/03/2023
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  • O presente texto advém da experiência no Programa de Pós-Graduação Interdisciplinar em Humanidades, da Universidade da Integração Internacional da Lusofonia Afro-Brasileira-Unilab, localizada na microrregião cearense do maciço de Baturité. A pesquisa objetiva através da perspectiva do materialismo histórico-dialético realizar uma análise das contradições existentes na Educação Profissional de Ensino Médio do Ceará fazendo um recorte na precarização do trabalho docente desta modalidade diante das dificuldades encontradas pelos profissionais lotados nas instituições profissionais de ensino médio do Ceará, bem como das alterações que influenciaram o cenário educacional nos últimos cinco anos como a implementação da Base Nacional Comum Curricular e a alteração da Lei de Diretrizes e Bases pela Lei 13.415/17. Esta flexibilizou o ensino adequando-o às demandas e exigências de um estado neoliberal, no qual a educação tornou-se algo de caráter necessariamente mercadológico, e tal situação provocará um prejuízo imensurável à formação da classe trabalhadora brasileira que sempre foi oprimida e relegada aos mais escassos postos de trabalho e formação educacional. Como metodologia utilizar-se-á o recurso da história oral como fonte de valorização à voz dos profissionais docentes que estão sentindo o impacto de todo esse processo que teve como obrigatoriedade de implementação, em âmbito nacional, o ano presente desta pesquisa. Ademais das falas destes importantes protagonistas, recorrer-se-á às fontes formais como os Decretos, Leis e Resoluções da educação, em especial as que versam sobre a educação profissional de nível médio, e também dados obtidos através do IBGE, SEDUC e fontes de teóricos e estudiosos do campo profissional voltado ao ensino médio brasileiro.

3
  • LEONARDO DA SILVA LEAL
  • Traços de si, experiências de “homens-gays” na cidade de Baturité/CE. 

    (1970-2021)

  • Data: 31/03/2023
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  • A presente dissertação, tem como escopo central a produção de fontes orais, a partir das experiências de vida de “homens gays”, experienciadas no contexto urbano e rural da cidade de Baturité no interior do Ceará. Como metodologia, recorre-se a história oral e como método, história de vida que visa descortinar as dinâmicas das relações sociais de gênero e classe a partir das experiências de si, e com as diferentes instituições, possibilitando compreender suas relações socioculturais e os processos de construção das subjetividades de corpos LGBTQIA +, especificamente, “homens-gays”, cisgênero, em Baturité-CE. A definição deste campo de estudo está pautada na (in)visibilidade histórica e sociocultural dessa população e, também, na produção de conhecimentos situados, no contexto do Maciço de Baturité. Apreende-se ao aporte teórico e metodológico a partir de Thompson (1978); Bosi (1994); Portelli (1997), Delgado (2003); Franco (2004; 2020); Louro (2003). Neste desafio, a consolidação desse trabalho diante das adversidades, reflexões e as ausências materiais cotidianas, relaciona-se com o olhar e o fôlego ao qual os sujeitos colaboradores desse processo tomaram para construir a narrativa de suas experiências. Nesse sentido, reconhece-se que tanto na perspectiva teórico metodológica quanto a profundidade das diferentes dimensões expressadas nessas narrativas um aporte significativo para a continuidade desse estudo a partir de outras problemáticas de pesquisa.

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  • JAMIRO PAULO SANCA
  • A FOME DAS NAÇÕES: UMA REFLEXÃO INTRODUTÓRIA SOBRE AS CAUSAS DA “FOME OCULTA” E SUAS CONSEQUÊNCIAS SOCIAIS E ECONOMICAS EM ÁFRICA

  • Data: 23/05/2023
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  • A fome é um fenômeno biosocioeconômica global, que pode mexer negativamente com a saúde da pessoa, com a sua cognição e com a sua inserção na sociedade. Nessa ótica, ela merece uma especial atenção a nível nacional, desde que, por causa de suas consequências, possa constituir um dos maiores obstáculos para um desenvolvimento socioeconômico de uma nação. Este trabalho, portanto, objetiva refletir, introdutoriamente, sobre as causas da “fome oculta” e suas consequências sociais e econômicas em África. Pressupondo que a fome, por ser um fenômeno biológico e socioeconômico, afeta significativamente a sua vítima, pois atrapalha o seu estado sociocognitivo, emocional e biológico, por isso tem custos sociais e econômicos para a nação. Para a realização desses objetivos, fez-se um estudo bibliográfico e documental, que permite a compreensão da fome além do simples fato de não comer, pois é também a falta total ou parcial de qualquer princípio nutritivo vital (vitamina, mineral e proteína). Sendo assim, ela é capaz de acarretar muitos problemas, caso das epidemiologias nutricionais, que podem atrapalhar o processo do desenvolvimento humano, que, por sua vez, acarreta perdas à família e ao Estado. Portanto, não constitui exagero dizer que a fome é um problema sério para à efetivação do desenvolvimento de uma nação. Este trabalho está longe de apoiar qualquer determinismo, porque, ao longo da história, pode-se deparar com muitas
    nações que enfrentaram epidemias de fome, mas que hoje superam esse fenômeno e grande parte de sua população não são mais famélicas. Contudo, isso também não deve constituir o pretexto para subestimar a consequência da fome, pois ela é altamente letal e é capaz de retardar o desenvolvimento de uma nação.

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  • WOLFGANS AMADEUS PONGITORI SOARES
  • Identidade, Territorialidade e Resistência: Um Estudo de Caso da Comunidade Remanescente Quilombola do Córrego dos Iús – Acaraú/CE.

  • Data: 23/06/2023
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  • O presente estudo tem a proposta de investigar elementos que caracterizam a Comunidade Remanescente Quilombola do Córrego dos Iús. A lógica de investigação adotada foi a etnografia, por esta permitir a compreensão de prováveis razões concernentes à luta da Comunidade dos Iús pelo reconhecimento e existência enquanto quilombolas. A investigação utilizou-se de uma questão fundamental: Como e por que identificar-se e lutar pelo reconhecimento, diante das ações de apagamento, e de que modo tal identidade está embrionariamente ligada à terra, fomentando os movimentos de resistência? Através da imersão e observação participante junto à Comunidade, realização de entrevistas e análise de documentos escritos, a pesquisa buscou indicar as famílias-tronco vinculadas ao processo de origem da Comunidade, bem como suas práticas culturais ancestrais e o papel das mulheres para as permanências da identidade cultural quilombola, além de mapear os conflitos de terra travados com grupos de empresários, latifundiários e políticos locais, interessados em vilipendiar a Comunidade Remanescente de Quilombo do Córrego dos Iús, para então, usurpar as terras das quais ancestralmente são guardiões. Esta não é uma investigação sobre a Comunidade Remanescente Quilombola do Córrego dos Iús, mas junto a ela, com a participação dos seus membros na construção de um documento que não se propõe a ser a solução dos problemas que assolam à Comunidade, mas um instrumento de fortalecimento da sublevação contra a violação de direitos, a negação da existência e a invasão à localidade na qual os Iús estão há mais de um século fixados e são protetores.

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  • GABRIEL FREITAS DE SOUSA
  • Entre o Amém e o Axé: as relações inter-religiosas da Umbanda à sombra da Basílica de São Francisco das Chagas, em Canindé/CE

  • Data: 28/06/2023
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  • O presente estudo aborda as relações inter-religiosas presentes na cidade de Canindé/CE e o fenômeno da dupla pertença, envolvendo a umbanda e o catolicismo. Anualmente, milhares de pessoas visitam Canindé, na busca de fortalecer a sua fé e de pagar promessas voltadas a São Francisco das Chagas. Além disso, este estudo aborda algumas influências indígenas na umbanda local, propondo (i) analisar a história dos povos originários da região de Canindé, destacando as suas origens no culto tradicional afro-indígena; (ii) entender o papel histórico e social da Umbanda em Canindé e as influências católicas franciscanas e populares em seu arcabouço. Por último, a pesquisa também visou entender a dinamicidade do circuito religioso, os conflitos, confluências e resistências dos povos de terreiro, presentes em comunidades tradicionais, em interferência/convergência com a cultura da romaria e do culto franciscano, predominantes na cidade e na região de Canindé. Para isso, como ferramenta metodológica, utilizamo-nos de entrevistas semiestruturadas com duas Mães de Santo da cidade, sendo elas Mãe Marica de Iemanjá e Mãe Herlânia de Oyá, além da realização da etnografia em seus terreiros e nos entornos da basílica de São Francisco, onde a circulação de romeiros é intensa o ano inteiro.

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  • TÂNIA MARIA DE GÓES
  • EDUCAÇÃO ANTIRRACISTA: A FORMAÇÃO DE PROFESSORAS DE ESCOLAS PÚBLICAS DE REDENÇÃO (CEARÁ)

  • Data: 28/06/2023
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  • O objetivo central desta pesquisa foi compreender as trajetórias de formação inicial e continuada dos (as) professores (as) que atua na escola E.M.E.I.E.F. Doutor Edimilson Barros de Oliveira e a escola E.M.E.I.E.F. Sebastião José Ribeiro, analisando em que medida essas trajetórias formativas contribuem para práticas docentes antirracistas em sala de aula e para a incorporação de discussões das questões étnico-raciais para a formação educacional dos alunos do ensino fundamental ano iniciais; A metodologia empreendida foi o estudo de caso, realizou-se entrevistas com 08 (oito) professoras das duas escolas supracitadas, inclui-se como procedimentos metodológicos: a observação in loco e análise documental dos projetos pedagógicos das escolas lócus da pesquisa. Os dados empíricos e documentais foram analisados à luz do referencial teórico de Munanga (2003, 2005), Gomes (2021), Ribeiro (2019), Freire (1981, 1996, 2000) entre outros. A pesquisa apontou para a importância dos princípios e orientações destas legislações e das orientações presentes nas Diretrizes Curriculares Nacionais para a Educação das Relações Étnico-Raciais e para o Ensino de História e Cultura Afro-Brasileira e Africana para a formação de professores(as) e dos(as) alunos(as). Para termos uma escola comprometida com a educação antirracista, para termos um ambiente escolar com educadores(as) e profissionais da educação que identificam e combatam o racismo é crucial o investimento na formação dos(as) professores(as), assim como, envolver todos que fazem parte da comunidade escolar, incluindo a comunidade externa à escola.

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  • CIBELLE REGINA BARBOSA DA SILVA
  • POLÍTICAS DE ASSISTÊNCIA SOCIAL E O PROGRAMA BOLSA FAMÍLIA NA COMUNIDADE QUILOMBOLA DE CONCEIÇÃO DOS CAETANOS EM TURURU/CE

  • Data: 29/06/2023
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  • A pesquisa tem como objetivo apresentar a interface das Políticas de Assistência Social e do Programa Bolsa Família na Comunidade Quilombola de Conceição dos Caetanos em Tururu. Para tal propósito, referendamos as reflexões através da historiografia das políticas sociais, desde a formação do Estado Moderno no Brasil e no Estado do Ceará. A abordagem metodológica da investigação foi o método de revisão bibliográfica, através de livros, revistas e periódicos científicos, assim como foram aplicados questionários e realizadas entrevistas orais com profissionais da Secretaria de Assistência Social e sujeitos quilombolas. Nesse cenário, teóricos como, Eric Hobsbawn (2007; 2009), Bering e Boschetti (2008), Marx (2013) e Neyara Araújo (2000), nos auxiliaram a obter uma melhor compreensão dos estudos acerca das Políticas Sociais, suas implicações, efetivações e benefícios para a classe trabalhadora. Com foco no Movimento Negro e na comunidade remanescente de quilombos presente no interior do Ceará e as matizes de sua trajetória, consultamos nas pesquisas de Mariana Assunção (2009), Janote Marques (2013), Alecsandro Ratts (1991), Abdias Nascimento (2006), José Reis (1995), Joselina Silva (2003), Kabengele Munanga (1994), Clóvis Moura (2021) embasamentos para a pesquisa a fim de interpretar como estão sendo desenvolvidas as Políticas de Assistência Social, e o Programa Bolsa Família na comunidade de Tururu. O resultado da pesquisa evidência a importância dos programas de transferência de renda para a inclusão das comunidades tradicionais remanescentes de quilombos, bem como a inserção da política de Assistência Social na comunidade, suas nuances, avanços, fragilidades e a afirmação e reconhecimento por direitos nas políticas públicas.

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  • JERALDINO ANTÓNIO SAMBÉ
  • XADREZ DA DISPUTA DEMOCRÁTICA NA SOCIEDADE GUINEENSE: IDENTIDADE POLÍTICA E RELAÇÕES ÉTNICAS NA GUINÉ-BISSAU

  • Data: 29/06/2023
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  • Este trabalho parte de uma análise sobre, “Xadrez da disputa democrática na sociedade guineense: identidade política e relações étnicas na Guiné-Bissau”, tomando-se em consideração o processo da formação política e da sua transição em curso. Consequentemente, o trabalho tem por objetivo, compreender as dinâmicas do pertencimento étnico, suas implicações na democracia e cenário sociopolítico guineense. Pois neste viés, para o desenvolvimento do trabalho, usufruiremos da metodologia quali-interdisciplinar, nas suas mais profundidades e cautelas, enquanto procedimento teórico e metodológico que busca solucionar a nossa problemática. De ponto de vista estrutural, este trabalho foi mesclado em quatro (4) seções, para além da introdução e as considerações finais. Neste sentido, segue-se na primeira seção, analisando, a manipulação democrática no jogo político guineense; posteriormente na segunda secção, debruçaremos sobre impactos da etnicidade na sociedade política guineense; e na terceira secção falaremos sobre as identidades e suas influências no discurso político guineense. Na quarta seção, analisaremos a questão da manipulação democrática no jogo político guineense; como também impactos sobre etnicidade na sociedade política guineense; e na mesma seção falaremos ainda das identidades e suas influências no discurso político guineense. Ademais, frisa-se que questões étnicas na disputa política persistem nas influências regionais e internacionais desse conflito o que não pretendemos desvendar aqui com mais detalhes.

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  • ANTÓNIO DOMINGOS CANDIENGUE
  • SOCIOLOGIA EM ANGOLA: PERSPECTIVAS E CONSTRUÇÃO DO PENSAMENTO SOCIOLÓGICO ANGOLANO

  • Data: 30/06/2023
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  • A Sociologia, não é uma Ciência especializada e conformista na análise e interpretação da realidade social complexa dos espaços sociais de seus entes sociais, mestres e mestras da cultura e da realidade social complexa. Ela é crítica, reflexiva e questionadora do social produzido pela complexidade das ações e das relações sociais estabelecidas no seio da estrutural social local. O seu estudo é um desafio dialógico entre a realidade epistêmicamente passível de interpretação sociológica e a teorização metódica e treinada deste olhar hermenêutico à Ciência Sociológica Angolana, e capaz de explicitar através do Pensamento Sociológico Angolano, a realidade social nativa detentora de vivências, práticas, experiências, culturas, fatos e fenômenos específicos e particulares de, e para a compreensão da sociedade angolana. Pois, Angola é um espaço empírico onde os acontecimentos se dão e se desenrolam de diversas formas e perspectivas mediante a produção da vida social e do olhar direcionado aos acontecimentos enquanto fatos relevantes a racionalidade pragmática e epistêmica da Ciência Sociológica Angolana. Todavia, está Sociologia, exige de seus analistas, pesquisadores e estudiosos, um posicionamento transgressor e fora dos gabinetes, pragmático e epistêmico do saber produzido no quotidiano e as perspectivas discursiva que a Sociologia Angolana lhe apresenta. Assim, o nosso objetivo neste escrito, é propor a construção de um Pensamento Sociológico Angolano, capaz de olhar para as particularidades locais, e com elas teorizar, discutir metódica e epistêmicamente a realidade social complexa da estrutura social angolana, ao mesmo tempo que se faz uma inversão de marcha a ‘Sociologia de Gabinetes’ e a recessão de tudo o que nos chega sobre a Sociologia e suas perspectivas, estudos e compreensão da realidade social local – Angola contextualizada. Para isso, adotamos o método interpretativo, fazendo para tanto, recurso a pesquisa documental e bibliográfica, e uma abordagem qualidade dos fatos e fenômenos da realidade social analisada a partir da perspectiva compreensiva do fazer e pensar a Sociologia. Contudo, a mudança de paradigmas da Sociologia Angolana é fundamental, urgente e necessária porquanto que a mesma existe institucionalmente mas que a sua prática teórica, pragmática, transgressora, questionadora, epistêmica e inquietadora é antagônica a prática, e deixa-nos no entanto preocupados enquanto sujeitos, mestres e mestras da cultura, da realidade social complexa, e partes interessadas na construção do saber epistêmico local e nativo da Sociologia angolana (Pensamentos Social Angolana), e com ela compreender a consciência coletiva e individua do pensar e do fazer ciência, e o olhar treinado não especializado sobre a conjuntura sociocultural e epistêmica da realidade social resultante da produção da vida em sociedade, e o modo como se olha e se compreende a corrupção, a bajulação, a recessão cientifica, e outros aspectos específicos e próprios dos guetos e musseques da estrutura social angolana.

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  • MARIA DA LUZ FONSECA DE CARVALHO
  • UM PASSADO NO ENCONTRO COM O PRESENTE E O FUTURO: A Comunidade da Sundy e o Desenvolvimento Sustentável na Ilha do Príncipe

  • Data: 30/06/2023
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  • O presente estudo tem como objetivo pesquisar a relação entre o empreendimento turístico da empresa HBD e o reassentamento da Comunidade Sundy, localizada em Príncipe, São Tomé e Príncipe. Com base no discurso desenvolvimentista e por meio de uma abordagem etnográfica, bibliográfica e documental, pretende-se estabelecer um olhar que amplia nossos horizontes de forma mais ética e empática para construção alternativa e emancipatória das comunidades e sociedades africanas, que vêm sendo engolidas pelas importações de práticas de desenvolvimento econômico ineficazes. Nesse sentido, queremos entender como esses projetos contribuem para a propagação das desigualdades sociais, partindo da perspectiva de que São Tomé e Príncipe é um país que viveu a colonização portuguesa e carrega consigo memórias que interferem na sua performance cotidiana. A análise do conceito de desenvolvimento e de sustentabilidade com características de um discurso importado, ganha destaque neste trabalho, sendo incongruente às diversas realidades africanas. Como um mero formalismo, um desenvolvimento pautado apenas nas reflexões econômicas, onde não possibilita pensar e analisar essas diversas realidades e como as relações sociais comunitárias podem determinar este entendimento para a perspetiva africana. Este trabalho importa pela necessidade de um olhar de dentro para fora, reescrevendo a narrativa que é imposta pela cartografia colonialista. Para isso, nos embarcamos no conceito de escrevivência para denunciar e reescrever nossa história.

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  • FRANCISCO EVANDRO LEMOS DOS SANTOS
  • O BORDADO DE LEONILSON DIAS:UMA CARTOGRAFIA DO ARTISTA, DA REPRESENTAÇÃO DO OFÍCIO À EXPRESSÃO DE ARTE

  • Data: 29/07/2023
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  • O presente trabalho procura trazer uma compreensão sobre o bordado como arte, com um olhar para expressão que articula a produção de sensações e singularidade para uma perspectiva interdisciplinar. Traz como objeto de pesquisa as obras de José Leonilson Dias, artista plástico cearense, que teve seu destaque nas décadas de 70, 80 e 90, com repercussão nacional e internacional. Nos últimos anos de sua produção, trouxe o bordado como recurso técnico e artístico para compor suas obras. A análise interdisciplinar compreende o contexto histórico do artista, priorizando momentos, sensações e a maneira com que ele caracteriza o bordado como arte. Este trabalho busca aprofundamento em leituras com referência teórica para definição das sensações os seguintes autores: Félix Guattari e Gilles Deleuze. Eles abordam a diferenciação entre representação e expressão (emoções/razão), fazendo menção aos efectos e perceptos. Esta pesquisa tem os seguintes objetivos: Compreender o contexto histórico na relação da produção de sensações e subjetividade, presente nas obras do artista José Leonilson Dias; analisar nas obras deste artista o processo do bordado como ofício na produção artística; caracterizar o bordado como arte na expressão de sensações. Esta pesquisa tem como "procedimento metodológico" a cartografia, realizando um mapa rizomático, que traz inúmeras perspectivas de descentralização do eu em relação ao coletivo e com análise documental. Portanto, a pesquisa pretende abranger a relação autor e produção artística para além do sujeito e da subjetividade de padrões estabelecidos pelos critérios de outras instancias de modelização.

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  • ANTONIO LEONARDO FREITAS SIQUEIRA
  • A FORMAÇÃO HUMANO-INTEGRAL NA EDUCAÇÃO DO CAMPO: UM OLHAR SOBRE A PROPOSTA EDUCATIVA DA ESCOLA FRANCISCA PINTO DOS SANTOS EM OCARA-CE.

  • Data: 15/09/2023
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  • As escolas do campo apresentam uma proposta educativa que promovem a formação humano- integral dos sujeitos educados. Nessa perspectiva, esse modelo educacional é fruto de políticas públicas gestadas por meio da organização e da luta coletiva dos movimentos sociais por uma educação de qualidade para os camponeses (as). Nesse contexto, o presente trabalho objetiva compreender e discutir a contribuição da Educação do Campo na formação humano-integral dos educandos (as) da Escola Francisca Pinto dos Santos- (Ocara-CE), e, nisso, visa ao desenvolvimento da cidadania da juventude camponesa mediante a constituição de sujeitos críticos e engajados em suas realidades humanas e sociais. Para tanto, nossa metodologia constou de leitura e revisão de material bibliográfico; discussão da organização curricular do estabelecimento de ensino com foco na parte diversificada; apresentação e discussão dos trabalhos dos componentes curriculares: Prática Social e Comunitária (PSC); Organização do Trabalho e Técnica Produtiva (OTTP), e, sobretudo, do Projeto de Estudo Pesquisa- (PEP)- na discussão das pesquisas estudantis. Ademais, tivemos visitas de campo, entrevistas semiestruturadas com sujeitos focais como: docentes das disciplinas da base diversificada e educandos (as) da terceira série do ensino médio. Desse modo, entendemos que a proposta da Educação do Campo na Escola Francisca Pinto dos Santos (Ocara-CE) é um terreno fecundo e próspero para se pensar a formação humano-integral da juventude camponesa através da constituição de sujeitos ativamente integrados em seus contextos sociais, favorecendo, assim, o exercício da cidadania cotidiana.

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  • GABRIEL DE MATOS CORREIA
  • A luta dos Povos Indígenas por inserção, permanência e conclusão, na Universidade da Integração Internacional da Lusofonia Afro-Brasileira/UNILAB/CE.

  • Data: 26/09/2023
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  • Esta pesquisa tem por objetivo analisar a luta pela inserção e permanência, assim como a conclusão de alunos indígenas no ensino superior da UNILAB. Busca-se entender esse processo, as dificuldades e conquistas com a chegada ao espaço acadêmico nessa Universidade pelos povos originários. Para isso, metodologicamente, serão realizadas entrevistas nas aldeias indígenas para registro de falas de estudantes matriculados, assim como de egressos desta Universidade, assim como a aplicação de um formulário enviado a partir do grupo de WhatsApp do coletivo de estudantes indígenas-COESI, além da utilização de fontes escritas diversas, por exemplo, da metodologia da história oral. Temos como ponto de partida minha trajetória como aluno do Mestrado Interdisciplinar em Humanidades do Programa de Pós-Graduação do Instituto de Humanidades, da Universidade da Integração Internacional da Lusofonia AfroBrasileira-UNILAB. Graças a um edital voltado especificamente para os povos indígenas e quilombolas, pude ingressar e realizar meus estudos em 2021 nesta Universidade. Minha pesquisa faz parte da linha: Trabalho, desenvolvimento e migrações que foi essencial para a inclusão de minha pesquisa, pois vai ao encontro do tema escolhido, evidenciando os desafios que nós povos indígenas passamos ao desejarmos participar e ser incluído em algo que ainda é tão excludente, a Universidade. A participação de indígenas no Ensino Superior, salienta o comprometimento e a consideração pelos povos originários de nosso país, nos possibilitando a inserção em ambientes acadêmicos, antes não sendo uma realidade para minha aldeia, meu povo e meus parentes de todo Brasil. Contudo, não somente o ingresso, mas a permanência e a finalização desse processo educacional inclusivo deve ser ênfase nessa pesquisa, evidenciando dados e relatando as comprovações e estratégias para um futuro melhor para nós, povos originários. Com a visitação nas aldeias indígenas, registrando metodologicamente os relatos dos estudantes e com o registro de formulário e pesquisas bibliográficas, almejasse obter registros que possibilitem a ampliação de fontes de pesquisas e de reconhecimento dos povos indígenas do Ceará e destacar essa importância da ocupação do ambiente universitário pelos povos originários.

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  • NATHALIA ALVES DE OLIVEIRA
  • Percepções do/no urbano: reflexões a partir das narrativas juvenis unilabianas e da produção de ocupações criativas no interior do Ceará.

  • Data: 29/09/2023
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  • O processo de interiorização do ensino superior, no Brasil, acarreta um conjunto de transformações, sejam educacionais, econômicas, culturais, sociais, ou mesmo populacionais, em contextos específicos. É em uma dessas especificidades que esse processo se enraíza na cidade de Redenção, localizada no Estado do Ceará, através da instalação da Universidade da Integração Internacional da Lusofonia Afro-Brasileira (Unilab), paulatinamente se consolidando como uma nova centralidade da educação, e possibilitando a entrada de um contingente estudantil na cidade, principalmente no urbano. Essas alterações geram impactos nos territórios intraurbanos da cidade, a partir da intensificação de demandas ou a constituição de novas, tais como: habitação, saneamento básico, equipamentos públicos, iluminação, espaços urbanos para atividades de lazer, encontro, socialização e vivências. O presente contexto gera inquietações, a partir do vislumbre das relações que as juventudes universitárias passam a estabelecer com os territórios, constituindo-se, assim, o objetivo de analisar e refletir sobre como as juventudes universitárias, unilabianas, percebem e se percebem dentro da estrutura urbana de Redenção, e como elas buscam, mediante estes sentidos, criar estratégias de pertencimentos, a partir de ocupações criativas dos espaços urbano públicos. O objetivo disposto é pesquisado em uma perspectiva interdisciplinar, visto a multidimensionalidade que acompanha os objetos de estudo e, metodologicamente, por meio da abordagem qualitativa, tomando como método o estudo de caso, e técnicas, como a observação participante e as entrevistas, que possibilitaram contato com as narrativas dos sujeitos, acerca das experiências cotidianas de uso dos territórios intraurbanos da cidade. Na perspectiva de pensar o objetivo deste trabalho, ou seja, analisar as percepções do urbano pelas juventudes, abordaremos as dinâmicas territoriais produzidas por eles, que serão vislumbradas, aqui, enquanto ocupações criativas atividades que podem indiciar as percepções dos sujeitos, suas relações com os territórios e possibilitar a aproximação necessária que possa mediar o acionamento de sujeitos para as entrevistas. Destarte, com as entrevistas e colhimento das narrativas, em conjunto com as observações e escutas, poderemos identificar e analisar as percepções que são produzidas, através da mobilidade juvenil no urbano.

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  • LEODOVICO ADELINO CASTELO AMOSSE
  • A DANÇA MARRABENTA COMO UM DOS SÍMBOLOS DA IDENTIDADE CULTURAL DO POVO SHONA E BITONGA NO SUL DE MOÇAMBIQUE

  • Data: 26/10/2023
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  • Moçambique possui uma rica e longa tradição cultural de coexistência de diferentes raças, grupos étnicos e religiosos, e isso reflete a diversidade de valores culturais que em conjunto criam as identidades do Moçambique moderno. A Constituição de 1990 veio introduzir o Estado de Direito democrático no país e essa mesma constituição estabeleceu o princípio segundo o qual o estado promove o desenvolvimento da cultura e personalidade nacional e garantiu a livre expressão das tradições e valores da sociedade moçambicana (ART. 1, CRM, 1990). A presente proposta de pesquisa tem como objetivo principal estudar a marrabenta, um dos símbolos sonoros da identidade cultural moçambicana. Diante disso, é do nosso interesse analisar a dança Marrabenta como um dos símbolos da identidade cultural dos povos Shona e Bitonga no sul de Moçambique, tendo como recorte temporal o período compreendido entre 2010-2020. Para a realização deste trabalho, pretende-se fazer revisões bibliográficas, com foco nas abordagens e/ou análises qualitativas e documentais, tendo como técnica de pesquisa a coleta de dados e entrevistas semiestruturadas, tendo como interlocutores artistas e especialistas desse estilo musical e de dança.

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  • FRANCISCA MARLEIDE DO NASCIMENTO
  • O quilombo das mulheres: organização e luta na comunidade de Alto Alegre

  • Data: 16/11/2023
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  • O ponto central dessa dissertação é apresentar o debate sobre o protagonismo e a luta cotidiana das mulheres quilombolas na comunidade de Alto Alegre, município de Horizonte – Ceará. O agenciamento das mulheres quilombolas de Alto Alegre é percebido a partir dos diversos papéis das tomadas de decisões, nos espaços domésticos, religiosos, produtivos, educacionais e organizacionais. As mulheres participam na luta pelo território, resistindo de várias formas, via política sindical, partidária, representativa, via organização e liderança de aspectos sociais do cotidiano. Na interação com as mulheres quilombolas, grupo do qual faço parte, foi possível ouvir, aprender, compreender e dialogar sobre a importância das práticas cotidianas que elas realizam criando um movimento de (re)existência no território e pelo território. É no cotidiano que as mulheres quilombolas transgridem o sistema opressor e tecem redes de solidariedade que ao se constituírem, ampliam o campo epistémico de conhecimento mútuo, coletivo, ancestral. Diversos saberes que contribuem para o fortalecimento da identidade de mulher, de negra, de quilombola. O modo de viver, a variedade de agenciamentos dessas mulheres que é o próprio modo de ser quilombola foi observado como objeto dessa pesquisa de cunho qualitativa, a partir de conversas informais gravadas, observação em campo e grupos focais em formato de rodas de conversas. Amparada pela interdisciplinaridade estabelecida entre a História e a Antropologia (RATTS, 2012; HAMPATE BÂ, 2010), e a literatura sobre as mulheres negras (OYĚWÙMÍ, 2004; CARNEIRO, 2011) além das reflexões sobre identidade e território (NASCIMENTO, 1985; SANTOS, 2015) foi possível realizar esse trabalho.

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  • MARIA ALDA DE LAVÔR FREIRE
  • PRÁTICAS PEDAGÓGICAS COM A LINGUAGEM ESCRITA NO INFANTIL V

  • Data: 27/11/2023
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  • Esta pesquisa buscou analisar as práticas pedagógicas que envolvem a linguagem escrita de professoras do Infantil V de uma Escola Municipal e de um Centro de Educação Infantil da rede de ensino de Fortaleza. Desse modo, buscou descrever as práticas pedagógicas com a linguagem escrita desenvolvidas no Infantil V e relacionar o que preconizam os documentos oficiais da Educação Infantil (DCNEI, 2009; BNC, 2017) acerca da alfabetização e do letramento com as práticas pedagógicas que envolvem a linguagem escrita realizadas pelas professoras regentes das salas observadas. Para alcançar esses objetivos, a investigação recorreu às discussões sobre a linguagem verbal em sua modalidade escrita, articulada com a oralidade, refletindo sobre a complexidade desse objeto cultural como sistema de representação e prática social, como também sobre a indissociabilidade dos processos de letramento e alfabetização na Educação Infantil. Desse modo, a pesquisa apoiou-se em autores como Marcuschi (1997); Ferreiro; Teberosky (1999), Vygotsky (2007), Luria (2010), Soares (2017), Tfouni (1995), Moraes (2012), Brandão; Leal (2011), Mortatti (2010) Street (2014), dentre outros. Recorreu-se também às orientações expressas nos documentos oficiais que regem o trabalho na Educação Infantil: as DCNEI (BRASIL, 2009) e a BNCC (BRASIL, 2017). A pesquisa adotou uma abordagem de natureza qualitativa do tipo estudo de caso múltiplo e teve como campo uma Escola Municipal e um Centro de Educação Infantil da Rede Municipal de Ensino de Fortaleza. As participantes do estudo foram uma docente da EM e uma docente do CEI que atuavam em turmas do Infantil V. Os procedimentos metodológicos foram observações em campo, por cerca de dois meses, e entrevista ao final das observações. Outras estratégias de registro como anotações no diário de campo, fotografias, gravação de áudios e vídeos foram adotadas. Realizou-se também a aplicação de um questionário na fase exploratória da pesquisa. A análise dos dados foi subsidiada pela análise temática de conteúdo. A pesquisa constatou que as professoras exploraram a linguagem escrita com as crianças, considerando a sua complexidade, tendo em vista seu entrelaçamento com a oralidade, como também o entendimento de que a escrita pode ser concebida como um sistema de representação no qual a criança percorrer um caminho para desvendar sua lógica e prática social materializada por meio de gêneros orais e escritos. Contudo, foi possível identificar em alguns momentos, nas práticas pedagógicas realizadas pelas professoras, a escrita proposta de maneira mecânica e destituída de sentido, com pouca exploração de materiais, ambientes e posturas corporais. Ao relacionar o que preconizam os documentos oficiais da Educação Infantil (DCNEI, 2009; BNC, 2017) acerca da alfabetização e letramento com as práticas pedagógicas que envolvem a linguagem escrita realizadas pelas professoras regentes das salas observadas, foi revelado que os referidos documentos dialogam com o processo de letramento, sendo a  alfabetização invisibilizada. Consideramos que a pesquisa pode contribuir com as políticas de formação continuada voltadas para professores da Educação Infantil, por meio do aprofundamento sobre a linguagem escrita e sua complexidade e a perspectiva indissociável do letramento e da alfabetização, bem como ampliar o olhar sobre os documentos que regem essa etapa educativa.

2022
Dissertações
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  • HEULER COSTA CABRAL
  • A CONCEPÇÃO DE ORÍ COMO AUTODETERMINAÇÃO HUMANA

  • Data: 19/01/2022
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  • Este trabalho tem como objetivo compreender como e em que medida a concepção Yorubá de Orí pode ser entendida como um fundamento para a formação de um ser humano autodeterminado. Em Yorubá, Orí significa “a cabeça”, porém, o sentido filosófico-teológico ligado à palavra se refere mais à cabeça interior, o interior do crânio, que simboliza o destino pessoal. Orí também é o nome dado ao Òrìşà, divindade da cabeça, que é o guiador e protetor de cada ser humano no mundo. Na tradição Yorubá, acredita-se que antes da vinda de um indivíduo ao Ayé, mundo visível, ele faz a escolha do seu Orí no Ó̩run, mundo invisível, e este processo da escolha é associado à escolha do destino, sendo que Orí-reré (Orí ou destino positivo) está ligado ao sucesso e Orí-burúkú (Orí ou destino negativo) representa o contrário. Trata-se de uma pesquisa bibliográfica feita através de análise/interpretação e crítica dos escritos sobre o mundo Yorubá e principalmente sobre a cultura Yorubá na Nigeria e no Brasil. Os Yorubá são povos originalmente da África Ocidental, mas hoje a sua cultura se internacionalizou entre a África e suas diásporas, especificamente no Brasil. Isso se deu por causa do comércio transatlântico de escravizados, quando muitos destes povos foram arrancados para o Brasil, principalmente no século XIX. Constatou-se que essa concepção de Orí trata-se, entre outros significados, de um fundamento para a autodeterminação da pessoa humana, na medida em que constitui uma orientação do devir existencial pessoal; constatou-se ainda que Orí, enquanto símbolo de destino, pode ser corrigido, ele se mantém positivo ou negativo dependendo, em larga medida, do modo como a pessoa humana conduz a sua existência. A autodeterminação se refere à capacidade de orientar-se antes da ajuda de terceiros na busca permanente do equilíbrio individual e coletivo, pois só quando o indivíduo é autodeterminado pode ser, de forma eficaz, ajudado e ajudar os outros nesta busca incessante de equilíbrio da existência humana.

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  • ANDRÉ VICTOR DA SILVA OLIVEIRA
  • “GLORIA IN EXCELSIS! O CEARÁ É LIVRE!”:
    O ESPETÁCULO DA ABOLIÇÃO NA IMPRENSA CEARENSE

  • Data: 30/05/2022
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  • Cheio de mitos e significados, o movimento abolicionista cearense emergiu na segunda metade do século XIX à mercê de projetos emancipacionistas que ousaram instaurar o progresso na província, a partir de abolições pensadas deliberadamente na promoção das sociedades libertadoras e no prestígio político alcançados mediante a causa do fim oficial da escravidão. A abolição do Ceará se converteu em um cenário de transformações emergentes, oriundas de novas alternativas ideológicas, inovações tecnológicas e desenvolvimento da imprensa, aos moldes da belle époque, encorpadas por uma elite letrada, que usufruía dessas mudanças para a construção de uma sociedade “civilizada”. Por estes fatores, o presente estudo orientou-se pelos seguintes objetivos: investigar o processo abolicionista do Ceará a partir do discurso da imprensa oitocentista; entender os trâmites políticos, sociais e econômicos que permeavam a realidade cearense para a efetivação da liberdade dos escravizados; analisar o uso da imprensa como legitimadora da abolição e para a autopromoção dos abolicionistas; e compreender a importância do discurso impresso para a construção do imaginário sobre a abolição no Ceará. Assim, usou-se um arcabouço metodológico sustentado pela pesquisa qualitativa e documental, a partir de uma análise crítica do processo abolicionista, tendo como base jornais do século XIX, produzidos no Ceará, no qual dialogamos com os periódicos Constituição (órgão conservador), Gazeta do Norte (órgão liberal) e o Libertador (órgão abolicionista), uma vez que, a escolha estratégica desses veículos informativos se deu pelo viés ideológico múltiplo que possibilitou identificar em seus editoriais diferentes abordagens sobre o tema da escravização e da abolição no Ceará. Diante dessa questão, as escolhas pautadas tiveram o interesse em adentrar no contexto histórico dos primeiros anos da década de 1880 - período mais conhecido pelo ápice do movimento abolicionista cearense - visando buscar novas interpretações que problematizem o enredo disseminado na imprensa, que retrata a abolição como ato “heróico e humanitário”, ou seja, a representação articulada da imprensa com as sociedades libertadoras ao descreverem em suas colunas as conquistas, a propaganda, o festival e a repercussão do espetáculo da abolição orquestrada pela ótica dos abolicionistas.

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  • RAFAELLE LEITE DE SOUSA
  • ANGOLA E BRASIL NA PERSPECTIVA SUL-SUL: A COOPERAÇÃO ACADÊMICA A PARTIR DO DISCURSO DOS ACORDOS FORMALIZADOS ENTRE INSTITUIÇÕES DE ENSINO SUPERIOR

  • Data: 14/06/2022
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  • As relações internacionais são o tema do nosso interesse, particularmente os estudos acerca do Sul global, onde os processos coloniais interferem intensamente, gerando a divisão Norte-Sul. Buscamos refletir sobre a dimensão simbólica dos discursos políticos e diplomáticos, nomeadamente em torno da cooperação entre Brasil e África, que exaltam a necessidade de reparar uma dívida histórica. Analisamos a Cooperação Sul-Sul a partir da sua evolução histórica e de algumas correntes acadêmicas, apresentando a Conferência de Bandung como o evento inaugural. É nesse contexto que a Organização das Nações Unidas - ONU apresenta instrumentos e medidas de acesso a direitos dos povos e nações historicamente marginalizadas e oprimidas pelo colonialismo. Angola e Brasil fazem parte desse grupo de nações e apresentam laços culturais e um histórico de relações que representam também uma ponte de conexão com a África, objeto de ressignificação para o governo brasileiro. Identificam-se programas de políticas públicas semelhantes nos dois países, algumas implementadas a partir de negociações entre os presidentes. A Educação Superior é uma das áreas reformuladas, por meio da expansão e interiorização, de modo que, no Brasil, sobressai-se como uma política de deselitização da Universidade, e, em Angola, destaca-se com o redimensionamento da Universidade Agostinho Neto. Considerando os pressupostos da Análise do Discurso Crítica - ADC, os acordos de cooperação entre universidades dos dois países são objeto central desta pesquisa, em que analisamos os modelos de documento adotados e algumas situações específicas em que são firmados. Mesmo sendo conhecido o fato de que cada instituição opera com condições estruturais e contextos regionais diferentes, o discurso sobre cooperação internacional, nas universidades brasileiras, é semelhante. Por isso, exemplificamos experiências institucionais totalmente distintas, com o propósito de entender as formalidades e os eventos que operacionalizam o discurso da cooperação internacional. Verificamos que o denominado Sul não é unificado e tampouco se manifesta do mesmo lado, o que implica dizer que podem ser incoerentes os princípios institucionais de horizontalidade e interesses comuns.

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  • José Rafael Barros de Moraes
  • A INCLUSÃO EXCLUDENTE DE TRABALHADORXS LGBTQIA+ NA CIDADE DE SOBRAL-CE

  • Data: 27/06/2022
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  • Esta pesquisa objetiva fazer uma análise de como os sujeitos LGBTQIA+ são incluídos no mundo do trabalho de forma estereotipada frente à valorização do capital. O mundo do trabalho na perspectiva das identidades sexuais, ainda é pensado para trabalhadorxs heterossexuais que não fogem da norma da família tradicional, com isso trabalhadorxs com identidades LGBTQIA+ são valorizados com uma mercadoria, tanto na venda da força de trabalho com também vendem suas identidades, são poucos no mercado formal, isso é o que chamamos de sujeito LGBTQIA+ único. A pesquisa é engajada com memória socialmente compartilhada(PORTELLI, 1997, p. 16), do mundo do trabalho contada pelos sujeitos LGBTQIA+, e ainda, como esse movimento contra hegemônico (GRAMSCI, 2011), se organiza na cidade de Sobral/CE, na luta pelas necessidades materiais humanas básicas. Metodologicamente, a pesquisa se efetiva, mediante a análise dialética das vozes de trabalhadorxs LGBTQIA+ de Sobral-CE. Para tanto, a ontologia da categoria Trabalho, inspirada em Marx, é o fio condutor para problematizarmos o que passamos a chamar de “exclusão includente e inclusão excludente” Kuenzer (2002), de trabalhadorxs LGBTQIA+ na cidade de Sobral-CE. Destacamos ainda que, o caminho metodológico intersecciona a luta de classes com a luta pelo direito de viver livremente a identidade sexual e de gênero. Além disso, permite contar a história de sujeitos que resistem às formas de alienação advindo das normas capitalistas, e ainda, de concebermos nossa sexualidade para além da hegemonia heteronormativa da sociabilidade capitalista.

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  • JULIANA DA SILVA SANTOS
  • Gênero, Trabalho e Educação: escrevivência de ser professora na rede municipal de Acarape-Ceará (2017-2020).

  • Data: 27/06/2022
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  • A presente dissertação de mestrado advém da experiência no Programa de Pós-Graduação Interdisciplinar em Humanidades da Universidade da Integração Internacional da Lusofonia Afro-Brasileira – Unilab; instituição localizada na microrregião cearense do maciço de Baturité. A pesquisa possui o apoio financeiro da Fundação Cearense de Apoio ao Desenvolvimento Científico e Tecnológico (FUNCAP – CE) e objetiva tecer reflexões sobre a relação entre gênero, trabalho e educação a partir das escrevivência das professoras temporárias da rede pública municipal de Acarape-Ceará. A precarização na prática laboral docente do referido município é algo que interfere nas relações de trabalho e na construção social das professoras, bem como na qualidade da educação municipal. A discussão perpassa as reflexões ontológicas dos conceitos de trabalho até as condições atuais da trabalhadora docente além de integrar a discussão de gênero e educação. Salientamos também a presença da discussão sobre a Covid-19 e a estruturação das aulas remotas durante o período pandêmico em Acarape. Para tanto, partimos de uma reflexão de cunho marxista, feminista e interdisciplinar refletindo sobre as questões relacionadas ao mundo do trabalho e suas vicissitudes para compreender como a precarização característica do universo laboral se estabelece na prática e interfere na vida pessoal e no modo de trabalhar das referidas professoras. A abordagem metodológica da investigação é qualitativa e se apresenta sob a perspectiva do materialismo histórico – dialético. O fio condutor da análise se processa pela articulação de fontes diversas (orais e escritas) priorizando as falas das companheiras professoras que se propuseram a colaborar com a pesquisa. Na intenção de construir conhecimento a partir das experiências adquiridas e vivenciadas, este trabalho fala sobre e para mulheres que exercem a função laboral docente e, apesar de estarem em situação de precariedade, se mantêm ativas em suas funções acreditando na força transformadora da educação.

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  • MONICA MARIA FEITOSA DA SILVA
  • POSSIBILIDADES DE ENSINO E APRENDIZAGEM ESCOLAR POR MEIO DA CULINÁRIA TRADICIONAL PITAGUARY NO CEARÁ

  • Data: 28/06/2022
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  • O presente trabalho tem como objetivo apresentar a importância da alimentação para a afirmação étnica e cultural do povo Pitaguary, habitante no estado do Ceará, relacionando às diretrizes curriculares das escolas indígenas (Parecer: CNE/CEB no13/2012) e a aplicação da lei 11.645/08, com vistas ao suporte da educação escolar indígena/educação diferenciada, a partir da culinária como uma expressão cultural. A metodologia utilizada contou, primeiramente, com a revisão bibliográfica como forma de obtenção de conhecimento prévio e aprofundamento sobre a temática em questão, e teve como principal fonte a as entrevistas orais temáticas (ALBERTI,1996) realizadas com os habitantes locais, destacando primeiramente os troncos velhos e algumas lideranças da comunidade. Com isso tem-se um registro etno-cultural que deve ser utilizado, também, como material didático nas respectivas escolas da comunidade, pois nele constam saberes tradicionais, técnicas e artefatos utilizados não somente nas suas preparações culinárias, mas para a construção da cultura e tradições do indígenas Pitaguary-CE. Neste contexto, estudiosos como Hobsbawm, (1997), Garcia (1999), Gomes (2004), Pollak (1989) e Baniwa (2006) ajudam em uma melhor compreensão sobre as tradições indígenas, seus movimentos sociais e as lutas pela preservação da sua cultura.

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  • VANUSA PEREIRA TAVARES
  • EDUCAÇÃO ANTIRRACISTA NA FORMAÇÃO DE PROFESSORES: UM ESTUDO DE CASO NO CURSO DE PEDAGOGIA DA UNILAB-CE, BRASIL

  • Data: 30/06/2022
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  • Este texto produzido no Programa de Pós-Graduação Interdisciplinar em Humanidades da Unilab, na Linha de Pesquisa Educação, Política e Linguagem, é resultado da pesquisa que teve como objetivo investigar se as componentes curriculares inseridas na grade do curso de Pedagogia da UNILAB-CE, contribuem para que os/as futuros/as professores/as construam saberes necessários para a prática de uma educação antirracista. Enfrentar a injustiça e desigualdades nos sistemas educacionais brasileiros é um desafio, tornando-se um dos principais objetivos para o sistema educativo a tarrefa de planejar, orientar e acompanhar a formulação e a implementação de políticas educacionais, considerando as diversidades de grupos étnico-raciais como as comunidades indígenas e as populações afro-descendentes. Os aportes teóricos que estão contribuindo para o debate sobre a questão das relações étnico-raciais na realização desta pesquisa, perpassada pelos diálogos com MUNANGA (1990, 1994, 2004, 2005, 2015), GOMES (2003, 2005, 2010, 2011, 2012), hooks (2013), SOUSA (1983), FREYRE (1900-1987) ALMEIDA (2019) SILVA-MELLO (2017), HOUNTONDJI (1996), GATTI (2010) entre outros/as. Acreditamos que os pensamentos trazidos por estas/es autoras/es, contribuem com o diálogo da articulação entre as questões étnico-raciais como temáticas e discussões no campo da formação de professores/as, como um debate imprescindível em torno de uma educação antirracista, desenvolvendo assim, um pensamento e uma praxis decolonizadora. Para tanto, a pesquisa se baseia na abordagem qualitativa e, tendo em vista o objetivo traçado, tomamos como campo empírico o curso de Pedagogia da Unilab-CE e seu Projeto Pedagógico do Curso (PPC). Seu processo metodológico constitui-se nas consultas bibliográficas sobre as abordagens referentes a formação de professores/as, movimento negro, lei 10. 639/03, posteriormente na análise e discussão do PPC e dos componentes curriculares inseridas na matriz do curso em tela, referentes às questões étnico-raciais no sentido de entender como que o curso de Pedagogia vem discutindo as questões raciais que contribuem para uma educação antirracista na formação docente, e como esses/as professores/as estão debatendo e abordando a temática na sala de aula.

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  • EDER JORDAN PAZ MATIAS MULATO
  • A INVENÇÃO DO CEARÁ CIVILIZADO: A INVISIBILIZAÇÃO DAS POPULAÇÕES NEGRAS NOS DISCURSOS INTELECTUAIS (1887-1903)

  • Data: 01/07/2022
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  • A presente pesquisa visa contribuir com as discussões sobre o processo de invisibilização da população negra com o intuito de romper com as narrativas ainda tão presentes no imaginário cearense. Discutiremos de que modo a criação de uma identidade negativa (identidade atribuída), proposta por Kabengele Munanga (1994), tem relação com o processo de invisibilização da população negra, essa análise também se apoiará na discussão feita por Achille Mbembe (2014) sobre a inferiorização do negro. Para realizar a análise da invisibilização e do processo de inferiorização do negro nos apoiamos em autores como: Nilma Lino Gomes (2005), Wlamyra Albuquerque (2009), Roberto Damatta (1981), Antonio Vilamarque Carnaúba (2006), Janote Pires Marques (2013), Paulo Henrique de Souza (2012), dentre outros. Procuraremos evidenciar a exclusão e inferiorização da população afro-cearense por meio dos discursos oficiais da elite intelectual, principalmente nos documentos publicados e presentes no Instituto Histórico, Geográfico e Antropológico do Ceará por entendermos que essa instituição foi um dos meios que contribuíram para esse processo. Será utilizado o método de análise de conteúdo proposto pela autora Laurence Bardin (1977) com a intenção de interpretar se as “comunicações” emitidas nos documentos representaram um mecanismo de “informação” e inferiorização dessas populações. A delimitação temporal da pesquisa terá como recorte o ano de 1887, ano de fundação do Instituto Histórico, Geográfico e Antropológico do Ceará, porém é necessário explicitar que em alguns momentos nos direcionamos para períodos anteriores a esse recorte que também vai até 1903, ano do tricentenário do Ceará em que o Instituto Histórico produziu textos referentes à formação da região. O estudo concluiu que a invisibilização da população negra ocorreu atrelada à inferiorização e dentro de uma percepção hierarquizada e racializada dos intelectuais do IHC e que a própria caracterização “heroica” de figuras como Martim Soares Moreno são exemplos de uma “predileção invisibilizadora”.

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  • DÁRIO DANIEL ARTUR
  • MIGRAÇÃO E DIREITOS HUMANOS: VIOLÊNCIA DO ESTADO ANGOLANO VISTO A PARTIR DA OPERAÇÃO TRANSPARÊNCIA CONTRA IMIGRANTES CONGOLESES NA PROVÍNCIA DE LUNDA NORTE EM 2018

  • Data: 20/07/2022
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  • A presente investigação faz parte dos estudos migratórios relacionados aos direitos humanos. Tem como recorte as imigrações internas entre Angola e a RDC; e como objetivo, compreender como o Estado angolano lidou com a questão da imigração e dos direitos humanos dos cidadãos congoleses face à implementação da Operação transparência, ocorrida em 2018. O trabalho é guiado por uma metodologia de natureza qualitativa, fundamentado na perspectiva interdisciplinar e articulado a partir da pesquisa bibliográfica e documental. Para a interpretação dos dados, usa-se a técnica de análise do método de interpretação de conteúdo temático. Considera-se, a partir das as informações contidas nos dispositivos discursivos das fontes, que a Operação Transparências foi mal orquestrada no território da Lunda Norte. Compreendendo que o governo angolano implementou uma máquina de guerra, que resultou na violação de direitos humanos de migração e de refúgio, na difusão do medo e terror na população local e nos imigrantes em geral, e de forma particular, congoleses.

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  • ABEL CALOMBO QUIJILA
  • Repensar o lugar de Kimpa Vita e o movimento antonista nos livros didáticos angolanos a
    partir da história e das artes

  • Data: 27/07/2022
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  • O presente texto situa-se no campo dos estudos Interdisciplinares em Humanidades, ligados à linha de pesquisa Educação, Política e Linguagens. Tem por objetivo, compreender a resistência da Kimpa Vita e o movimento Antonista na História e nas Artes e contestar o impacto da ausência da sua história nos manuais de ensino médio em Angola. Para coletar os dados, faz-se uso da abordagem qualitativa, empregando a pesquisa bibliográfica e documental, dialogando com as fontes bibliográficas de John Thornton “The Kongolese Saint Anthony: Dona Beatriz Kimpa Vita and the Antonian Movement, 1684–1706” e “Dona Beatriz Ñsîmba Vita” de Patrício Batsîkama”, e quanto às fontes documentais, dialogamos com a peça de teatro do dramaturgo José Menas Abrantes “Kimpa Vita: A profetisa ardente”, o romance “Misericórdia para o reino do Kongo” de Henrique Abranches e os “Manuais de História do ensino médio de Angola”. Como parte do programa de Mestrado Interdisciplinar em Humanidades, essa investigação privilegia o diálogo com as diferentes formas de produção de conhecimentos nas ciências humanas, estruturando-se nas discussões teóricas em torno da interdisciplinaridade entre a História e a Arte (Literatura). Para superar o problema da ausência do legado da Kimpa Vita, tencionamos com essa pesquisa, sugerir ao ministério da Educação de Angola, que revejam as suas políticas de inclusão das histórias de anônimos, de outros heróis e heroínas nos manuais de ensino para despertar o interesse pela valorização da História e do mosaico cultural angolano.

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  • ANTONIO NILTON GOMES DOS SANTOS
  • PELAS VEREDAS DO CURRÍCULO ESCOLAR DO ENSINO FUNDAMENTAL ANOS INICIAIS DA ESCOLA INDÍGENA MANOEL FRANCISCO DOS SANTOS: SABERES E FAZERES DO POVO KANINDÉ

  • Data: 30/08/2022
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  • A pesquisa tem por objetivo central compreender a organização curricular da Escola Indígena Manoel Francisco dos Santos e analisar como a proposta curricular contribui na construção de conhecimentos científicos a partir da relação direta com os saberes tradicionais dos/as alunos/as, professores e da própria comunidade Indígena do povo Kanindé de Aratuba. Dentro dessa perspectiva de pesquisa. Propõem-se desvelar na pesquisa quais as principais dificuldades de implementação do currículo escolar indígena, no processo de articulação dos saberes do currículo formal, com diretrizes dos sistemas de ensino, e os saberes tradicionais do povo Kanindé na Escola indígena Manoel Francisco dos Santos e as disciplinas específicas conforme Projeto Político Pedagógico. Nessa perspectiva, definimos  como objetivos específicos: a) Compreender como a organização do currículo escolar indígena valoriza os saberes tradicionais do povo indígena do Kanindé; b) Analisar o currículo escolar do ensino fundamental dos anos iniciais (1º ao 5º ano) da escola indígena a partir de análise documental; c) Investigar as contribuições da educação escolar indígena, a partir do currículo diferenciado, na construção de conhecimento escolar/científico dos/as alunos/as indígenas e para o fortalecimento da identidade cultural; d)Analisar as práticas docentes desenvolvidas pelos/as professoras indígenas a partir da operacionalização do currículo escolar indígena e, e) Identificar as relações do currículo escolar implementado na escola com o cotidiano da aldeia e as práticas docentes desenvolvidas na escola. Como metodologia definimos fazer um estudo etnográfico, pois, permite a compreensão de processos educacionais,  buscando explicar a realidade com base na percepção, atribuição de significados e opiniões dos atores, assim, na operacionalização da pesquisa optou-se por uma abordagem qualitativa, que trabalha com o universo dos significados, dos motivos, das aspirações, das crenças, dos valores e das atitudes. Na coleta de dados durante a pesquisa de campo realizamos a observação participante, seguida de entrevistas com os sujeitos (lideranças, professores e alunos).  Na construção do referencial teórico que sustenta nossa pesquisa, utilizamos como principais referenciais os seguintes autores: Nascimento (2006); D’Ambrósio (2021); Tomazetti (1998), Xavier (2018) e Julião (2017). A pesquisa foi desenvolvida na aldeia Sítio Fernandes, Município de Aratuba, Estado do Ceará, com foco na organização curricular e nas práticas docentes desenvolvidas pelos indígenas no processo educacional e organização curricular da Escola Indígena Manoel Francisco dos Santos. Nosso principal achado de pesquisa foi: a escola pensada pelo povo Kanindé, hoje, é uma instituição fundamental para preparar e fortalecer as novas gerações para o movimento de luta pela terra e em defesa da cultura Kanindé, destacando-se a práxis do docente emancipatória, com ensino contextualizado e libertador, com inovações pedagógicas, aulas vivenciais e metodologias que se tornam diferentes no contexto local, valorizando assim os saberes tradicionais do povo Kanindé.  

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  • MARCIO FERNANDES DE SOUZA
  • FORMAÇÃO DE PROFESSORES NA PERSPECTIVA DA EDUCAÇÃO INCLUSIVA: UM ESTUDO DE CASO NAS ESCOLAS HERMENEGILDO ROCHA PONTES E MARIA AMÉLIA PONTES EM MULUNGU - CE

     

  • Data: 30/09/2022
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  • A educação é um dos principais mecanismos que a sociedade possui na perspectiva de uma ascensão efetiva, logo, ela deve ser vista com muito respeito e responsabilidade, de forma que nenhum dos seus envolvidos deva ser prejudicado no ato de recebê-la e/ou fazê-la. Neste sentido, uma escola verdadeiramente inclusiva se faz necessária para a realização de um processo educativo que supra as necessidades dos seus integrantes, imprescindível se faz ainda uma formação docente que englobe os preceitos da inclusão. Objetivando analisar e refletir sobre a formação de professores na perspectiva da inclusão dos alunos do ensino fundamental I da cidade de Mulungu – CE, esta pesquisa explicativa, embasada na abordagem qualitativa e quantitativa, será realizada através de um estudo de caso com entrevistas semiestruturadas, análise documental e bibliográfica, dentre outros mecanismos. Justificado pela importância que tem a inclusão na vida dos seres humanos e pela falta de conhecimento que se tem como ela é vista e trabalhada na fase inicial da educação básica de Mulungu, este trabalho torna-se atividade de suma importância ao sistema educacional, pois tem a pretensão de apresentar um documento advindo de um fiel trabalho de pesquisa, elaborado sob à luz do respeito àqueles que possuem o direito de um sistema de ensino que se molde as suas particularidades. A então investigação culminou em achados importantes à educação do município e do país, dentre eles: percebeu-se que as leis de inclusão, quando não são colocadas em prática, aplicam-nas de forma branda, não havendo, desta forma, um processo inclusivo que obedeça aos anseios legais; a formação inicial e continuada de professores são elaboradas e vivenciadas de forma desconexa com a realidade contemporânea, além disso, não suprem as necessidades do educador, que, sem os conhecimentos necessários, age de forma a contribuir com a exclusão. Formar-se e educar para a inclusão têm sido um grande desafio aos professores investigados, desafio que representa um recorte da educação do Brasil, que, por sua vez, necessita de urgentes reformulações, a fim de que seja uma educação de todos e para todos.

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  • MARIA LUIZA DE FREITAS GUIMARÃES
  • A VIAGEM: o percurso do tornar-se docente no Ensino Fundamental em uma Escola Waldorf e na Educação Infantil Municipal em Fortaleza

  • Data: 04/10/2022
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  • Esta pesquisa de mestrado, de cunho autobiográfico com ênfase na escrita de si, foi, metaforicamente, sendo construída numa nau em viagem ao passado, onde memórias da minha história de vida, narradas em primeiro lugar no texto, me levaram a revisitar os caminhos que percorri até que, aos quase cinquenta anos de idade, minha vocação docente tenha se revelado. Fundamentada em DELORY-MOMBERGER, (2006) e em PASSEGGI, (2010) a opção pela autobiografia pautou-se no caráter auto reflexivo dessa abordagem em que o autor é seu próprio intérprete e narrador de suas próprias vivências e experiências. No segundo momento, relato o início da trajetória docente e prática formativa na Pedagogia Waldorf, conversando com autores como STEINER, (1996, 1999, 2000, 2013), LANZ, (2005) e ROMANELLI, (2008). Em seguida, narro o caminho como docente e formadora de Professores na Educação Infantil da Prefeitura Municipal de Fortaleza, traçando um histórico das políticas públicas para esse nível de ensino e dialogando com teóricos como OSTETTO, (2017), FREIRE, (1967, 1975), KOHAN (2021), MARTINS FILHO, (2020), compartilhando, simultaneamente, os aprendizados dos estudos e pesquisas com bebês e crianças bem pequenas fundamentados na Abordagem Pikler com autores como FALK, (2010, 2011), PIKLER, (2010), SOARES (2019), GRUSS, ROSEMBERG (2019) Nas considerações finais reflito sobre o aprendido e o desaprendido para então reaprender. A bordo da nau vivi tormentas e calmarias, dores e alegrias, afetos e desafetos. Observei que, apesar da singularidade de cada pedagogia, há muitas interseções entre elas, e a necessidade do educador trilhar o caminho constante do auto desenvolvimento é unânime em todas elas.

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  • EMILIO DOS SANTOS FERNANDES JUNIOR
  • Filosofia da ancestralidade e da educação: Exu como interpretação de práticas e significados nas culturas africanas e afro-brasileiras

  • Data: 25/10/2022
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  • Nesta dissertação, com base em nossa ancestralidade comum, analisaremos a Filosofia da Ancestralidade, a partir de significados e práticas culturais de tradições africanas e afro-brasileiras. São saberes, valores e práticas culturais preservados pelos nossos antepassados e intermediados pelo agenciamento de Exu: como força de contínuo movimento e recomeço civilizacional. Intenta-se, nesse mesmo sentido, o pensamento da Filosofia da Ancestralidade como agência de educação antirracista, descolonização do conhecimento, do currículo e do ensino de filosofia no Brasil. Esboça-se, conforme esse intuito, a discussão da mandjuandadi, como uma manifestação cultural da Guiné-Bissau, baseada na tradição oral (oralitura), na qual as cantigas de ditos são criadas, ganham corpo, ritmo e performance (SEMEDO, 2010), tal como movimentação vital continuamente reinaugurada e revigorada na corporeidade de Exu. A pesquisa seguirá uma abordagem qualitativa, orientando-se pela descrição conceitual, explicativa e bibliográfica, com embasamento teórico balizado por aspectos epistemológicos, éticos, estéticos e políticos afrorreferenciados. Justificam-se a atualidade e a importância desse tema para a comunidade acadêmica e para todos os coletivos negros, especialmente para os povos brasileiros, no sentido de combate a todas as formas de racismos (étnicos, epistêmicos, religiosos, contra as matrizes e as presenças africanas de formação do povo brasileiro). O principal aporte teórico-conceitual desta dissertação é a Filosofia da Ancestralidade assentada em Exu: como agência de pensamento e prática filosófica. O pressuposto é o de contribuir para descolonizar o pensamento eurocêntrico ou “deseuropeizar” o currículo de Filosofia, sugerindo alternativas às/aos professoras/es e estudantes de Filosofia, na reconstrução de memórias e comportamentos de vida historicamente negados e apagados pelo ocidente, sobretudo no tocante ao respeito das ancestralidades negro-africanas guineenses e brasileiras.

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  • GERALDO BARBOSA DA SILVA FILHO
  • AS PRÁTICAS CULTURAIS DO POVO TAPEBA COMO FORTALECIMENTO DO CURRÍCULO DA ESCOLA INDÍGENA ÍNDIOS TAPEBA

  • Data: 22/11/2022
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  • O ato de pensar a respeito do currículo escolar, sobretudo numa perspectiva de educação escolar indígena, é pensar em um currículo que leve em consideração não só os saberes da matriz curricular da base comum, mas também analisar e refletir de que forma o currículo da escola, sendo uma construção social, contribui para fortalecer o projeto societário do Povo indígena Tapeba. No primeiro capítulo, apresentaremos os fundamentos metodológicos utilizados na pesquisa fornecendo a sequência das ações realizadas no decorrer do processo durante as etapas desenvolvidas com a participação dos sujeitos. No segundo capitulo, apresentaremos as reflexões sobre os processos de formação da educação formal indígena do povo Tapeba, marco da resistência e luta na busca de superação dos preconceitos sofridos pelos alunos nas experiências de educação com a educação regular. No terceiro capítulo, abordaremos as reflexões sobre a formação da identidade educacional do povo e sua construção a partir da revisita ao currículo no processo de formação dos profissionais, formação da escola como espaço de resinificados e consolidação dos princípios que regem a escola na busca da autonomia da comunidade e na formação dos índios como proposta de fortalecimento dos valores sociais e culturais, respeitando a elementos indenitários, tendo em vista a sustentabilidade cultural e econômica, assegurando um pilar na busca da autonomia do povo, assegurando às futuras gerações a garantia dos processos formativos educacionais, identitários e culturais. O processo metodológico para além dos conceitos foi uma etapa difícil de realizar em decorrências dos efeitos da pandemia do novo coronavírus, SARS-CoV-2, em especial nos processos educacionais formais e nas relações familiares de convívio.

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  • MARIA ESTEFÂNIA SABINO FREITAS
  • EDUCAÇÃO, TRABALHO DOMÉSTICO E RELAÇÕES DE GÊNERO: UM ESTUDO SOBRE A TRAJETÓRIA DE MULHERES COM FORMAÇÃO DOCENTE EM TAPIÚNA/CE

  • Data: 21/12/2022
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  • Esta pesquisa parte de uma discussão teórica sobre educação, trabalho doméstico e gênero, para entender como uma sociedade marcada por características patriarcais e conservadoras subjuga o gênero feminino em diversas esferas da vida. Pretende-se analisar as relações de gênero construídas e vivenciadas por mulheres de Itapiúna/CE, com formação superior (Licenciatura Plena em Pedagogia e Geografia) e que trabalharam como empregadas domésticas nas primeiras décadas do século XXI. Para isso, faremos a coleta de dados e entrevistas semiestruturadas com quatro sujeitas que têm em comum um curto período de atuação na Educação e a permanência em trabalhos domésticos precarizados, em Itapiúna/CE e na capital do estado. A pesquisa é construída a partir de uma perspectiva interdisciplinar, com abordagem qualitativa e quantitativa, a fim de associar os fatores que levam ao estado de subjugação das mulheres nas relações de trabalho, tendo como marcadores o gênero e a classe social. Os resultados obtidos até aqui demonstram que as mulheres permanecem enfrentando muitas situações adversas ao tentarem se inserir no marcado de trabalho, nas instituições e na qualificação com os estudos. As profissões ditas femininas, mal remuneradas e desvalorizadas, são reservadas (nesse contexto interiorizado e de precarização) às mulheres mais pobres, e o fato de terem que escolher entre ser empregada doméstica ou professora mostra o seu limitado campo de escolhas.

2021
Dissertações
1
  • ADILSON VICTOR OLIVEIRA
  • Cultura e poder em Casamansa: uma leitura sobre a bibliografia colonial da região

  • Data: 22/03/2021
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  • Nos últimos tempos tem aumentado estudos em relação a costa da África ocidental no que tange suas culturas, políticas, economia, tanto nos períodos antes da presença árabe e europeia no continente, quanto nos períodos pós-coloniais. Nossa pesquisa vem nesta perspectiva de estudar a região de Casamansa, localizada hoje na República de Senegal como parte importante na construção da identidade regional de Senegâmbia. Entendemos que umas das formas privilegiadas para a compreensão das culturas e vivências de vários grupos étnicos que ali vivem  é um olhar endógeno, no sentido que a oralidade se apresenta como centro de comunicação e de preservação de memória destas sociedades e que o pesquisador local está inserido nesse contexto. Este olhar é um  desafio mesmo para os nativos, na medida que muitos documentos consultados sobre a região têm apresentado vazios ou silenciamento que acabam negando o protagonismo da história ao africano em detrimento dos colonizadores e continuam sendo as grandes referencias para a escrita da história da região. Ao analisar, os autores que publicaram no Boletim Cultural da Guiné Portuguesa, os quais tomamos como fontes, percebe-se uma conotação do africano como incivilizado, suas culturas representadas como selvagens na maioria dos casos. Reivindicamos e propomos uma revisão, uma análise crítica dos documentos escritos nestes períodos pelos europeus, que partiam de um olhar de fora das realidades destas sociedades, a partir de um olhar de dentro, referendado pela perspectiva da oralidade. Reconhecemos os avanços que os estudos africanos têm dado desde o final do século XX e é nesta perspectiva que, nossa pesquisa vem complementar neste debate em relação às sociedades africanas e seus grupos étnicos que ao longo dos séculos têm preservados suas culturas, identidades, suas organizações sociais.

2
  • DIÊGO MATOS ARAÚJO BARROS
  • REPRESENTAÇÕES DOS NEGROS NOS LIVROS DIDÁTICOS DE CIÊNCIAS NATURAIS EM ITAPIÚNA (CE): ENSINO FUNDAMENTAL (6° AO 9° ANO).

  • Data: 09/07/2021
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  • A presente pesquisa, de caráter bibliográfico e documental, teve como objetivo analisar as representações imagéticas da população negra nos livros didáticos de Ciências do 6º ao 9º ano do ensino fundamental, aprovados no PNLD/2017, adotados pela rede pública municipal de educação da cidade de Itapiúna (CE). A investigação apresentou como pergunta norteadora a seguinte indagação: De que forma as pessoas negras têm sido representadas neste material? O referido problema parte da experiência do pesquisador como professor de Ciências Naturais para os anos finais do Ensino Fundamental dentro de um cenário de mobilização do magistério do município de Itapiúna (CE) em 2007 até os dias atuais que nos motivaram a pensar como os livros didáticos poderiam, ou não, contribuir para a educação para as relações étnico-raciais. Para efetuar esta análise, adotamos a observação direta seguida de descrição e interpretação das imagens, tendo em vista que as iconografias foram estudadas à luz do Parecer CNE/CP/003/2004, bem como do conceito de representação, proposto por Chartier (1990, 1991, 2002a, 2002b) seguido das categorias raça, racismo, preconceito, discriminação racial, identidade negra e democracia racial, atreladas a análise de conteúdo via temática, proposta Bardin (2011) para construção de categorias temáticas. Os resultados obtidos demonstram uma baixa representatividade da população negra seguida de uma frequência mais intensa de pessoas brancas. Por fim observou-se na investigação um ―alinhamento‖ gradual das representações imagéticas a luz dos três princípios presentes no Parecer CNE/CP 003/2004: consciência política e histórica da diversidade; fortalecimento de identidades e de direitos; fortalecimento de identidades e de direitos.

3
  • VITÓRIA RAMOS DE SOUSA
  • FEMINISMO NEGRO COMO PROPOSIÇÃO CURRICULAR E DIDÁTICO-PEDAGÓGICA AOS CURSOS DE GRADUAÇÃO DO INSTITUTO DE HUMANIDADES DA UNILAB

  • Data: 30/07/2021
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  • Ante a necessidade da materialização de igualdade e justiça social, para grupos e indivíduos historicamente excluídos em nossa realidade, a educação antirracista e antissexista torna-se uma premissa fundamental. Na articulação dos processos de conscientização e construção de novas identidades positivas para as mulheres negras, essa educação traduz-se igualmente como compromisso institucional da UNILAB: para a promoção de um projeto educacional decolonial, em parceria com os países da integração - PALOPs -, e alinhada à produção de novos saberes, de epistemologias afro-perspectivadas, contra hegemônicas, de igualdade de gênero, e de reconhecimento e valorização dos anseios e agendas dos movimentos populares. Diante disso, esta pesquisa perfaz uma análise documental dos currículos e diretrizes didático-pedagógicas dos cursos do Instituto de Humanidades da UNILAB, em busca à evidenciação quanto à compreensão e ao compromisso de seu ensino de graduação com as pautas históricas e políticas do feminismo negro. Parte-se da indagação sobre se esses cursos têm, de fato, promovido a valorização histórica e o reconhecimento epistemológico das bases, das lutas, dos movimentos sociais e das produções intelectuais e científicas das mulheres negras: em combate aos preconceitos e às opressões as quais lhes são estruturalmente contrárias, e em formação ao seu efetivo empoderamento. O procedimento metodológico utilizado é o da análise documental de natureza qualitativa, na perspectiva da pesquisa interdisciplinar em Humanidades. Na discussão teórica, dialogamos com HOOKS (1952-), COLLINS (1948-), DAVIS (1944-), ANZALDÚA (1942-2004), LUGONES (1944-2020), GONZÁLEZ (1935-
    1994), CARNEIRO (1950-), GOMES (1961-), RIBEIRO (1960-), entre outras. Os resultados alcançados demonstram a incidência de políticas educacionais e curriculares antirracistas e antissexistas. Entretanto, denota-se a necessidade da ampliação de diretrizes e disposições nesse sentido, dada a dimensão estrutural e funcional das violências interseccionais de raça e gênero, ora plenamente vigentes em nossas sociedades.

4
  • ALCIDES ANDRÉ DE AMARAL
  • “Ensino de sociologia entre poderes”: História e Institucionalização do Curso de Licenciatura em Sociologia na Universidade Eduardo Mondlane (1995 a 2012)

  • Data: 17/08/2021
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  • O questionamento da relevância das ciências sociais nas Instituições de Ensino Superior e a preocupação com a questão da autonomia das universidades em Moçambique, descrevem alguns dos principais tópicos de discussão entre os cientistas sociais, no mundo no geral, e em Moçambique em particular. Por um lado, este trabalho procura tomar parte desta discussão e, por outro, mas em consequência disso, propor uma outra formulação do problema prestando mais atenção no discurso que questiona a relevância das ciências sociais no ensino superior. Esta proposta sugere a compreensão do contexto econômico e político que tornou possível a emergência deste discurso como forma de melhor tomar posições morais sobre ele. Para esse feito, o trabalho foca-se na análise do processo de institucionalização do Curso de Licenciatura em Sociologia na Universidade Eduardo Mondlane considerando os diferentes contextos que determinaria a história do Ensino superior em Moçambique. Para esse propósito, com base em Análise documental e bibliográfica, à luz da teoria de “campo social” de Bourdieu articulado com toda uma abordagem teórica que perpassa, entre outros, entre Michel Foucault e Carlos Serra e chega até Martin Wight no campo das Relações Internacionais procura-se estudar o processo de institucionalização do ensino do Curso de Licenciatura (graduação) em Sociologia na Universidade Eduardo Mondlane de 1995 a 2012 no contexto dos cinquenta anos do ensino superior moçambicano. Pretendemos, a partir deste estudo, refletir sobre a relevância que é atribuído ao ensino das ciências sociais no contexto contemporâneo em Moçambique, considerando a discussão sobre a autonomia das universidades num contexto político e econômico neoliberal que caracteriza a contemporaneidade. Chegamos, entretanto, em algumas considerações do resultado: o ensino de Sociologia, enquanto Curso de Licenciatura, dá-se em um contexto complexo de relações de poder que se estrutura a partir de uma relação entre Moçambique com o Sistema Capitalista Global sendo a subalternidade a sua posição neste sistema.

5
  • ANA MARIA EUGENIO DA SILVA
  • AS QUILOMBOLAS DO SÍTIO VEIGA E A DANÇA DE SÃO GONÇALO EM QUIXADÁ-CE

  • Data: 03/09/2021
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  • Esta pesquisa é fruto de um trabalho acerca dos conhecimentos ancestrais das mulheres quilombolas do Sítio Veiga, Quixadá-CE. A referida buscou trazer reflexões sobre a contribuição no fortalecimento identitário das mulheres quilombolas, através das matriarcas Mãe Veia, Maria Luzia, Socorro Eugenio e a pesquisadora da presente pesquisa, pois sou a quinta geração dessas mulheres e ocupo o lugar que elas me concederam, tendo em vista as lutas e resistências para a manutenção da vida no território quilombola. Nesse trabalho será utilizado o método autobiográfico, esse mesmo que me coloca como fonte protagonista da minha própria pesquisa, pois permite compreender com mais precisão como as quilombolas, por meio de suas próprias narrativas, expressam os valores, sentidos e significados da vida cotidiana. Tendo como base a existência de uma linguagem subjetiva representada nessas narrativas, foi possível entendê-las no diálogo com Goldenberg (2004), Minayo, (2001). Esse processo de reconhecimento dos saberes ancestrais via oralidade, passa por mim, mas também pelo trabalho de interlocução com minhas mais velhas e minhas mais novas, além de todo material bibliográfico e documental. Compreende-se que o território quilombola é o espaço relevante para a manutenção social, econômico, político e cultural, destes povos.  É sobre este chão que acontece a Dança de São Gonçalo, repleta de rituais como: o ritmo, a música, a corporeidade, as promessas, o ato. A singularidade dos sujeitos e sua contribuição nos rituais sagrados para fortalecimento da identidade estão nos relatos vivenciados. Entende-se, que as narrativas das matriarcas estão permeadas de experiências, possibilitando uma pesquisa sobre a realidade das mulheres quilombolas do Sítio Veiga. A pesquisa possibilitou conhecer a história das mulheres do Veiga; a relevância das matriarcas para manutenção dos saberes e sabores, no âmbito social, político, econômico e cultural do Quilombo Veiga e do entorno; o território como espaço sagrado e a Dança de São como fonte de luta, resistência e resiliência das famílias quilombolas.

6
  • DAVID FERREIRA LIMA
  • Entre a integração e o estranhamento: interculturalidade e conflitos na inserção de estudantes migrantes dos Países Africanos de Língua Oficial Portuguesa (PALOP) na Unilab/CE.


  • Data: 30/09/2021
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  • A vinda da Universidade da Integração Internacional da Lusofonia Afro-Brasileira para o Ceará, na região do Maciço de Baturité, trouxe consigo diversos desafios, a partir dos pressupostos da criação dessa Universidade no processo de interiorização do ensino superior no Brasil, e no ideário de integração do Brasil com a Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP). Entre esses desafios, apontamos a integração de estudantes migrantes dos Países Africanos de Língua Oficial Portuguesa (PALOP), seja no ambiente acadêmico da UNILAB, seja nas vivências nas cidades do entorno da Universidade. Assim, a presente pesquisa objetiva analisar os fatores que permeiam os processos de integração desses estudantes, através de experiências no convívio com a população local, com os demais estudantes e os corpos técnico administrativo e docente da UNILAB, e com isso, contribuir para o apontamento de fatores que fazem parte da problematização desse processo e que possam ajudar no surgimento de uma nova sociabilidade que respeite e valorize as diversas culturas que passam a se encontrar, contribuindo com a transformação de um sociedade, que  venha a ter uma visão ampliada e positiva da interculturalidade como elemento que valorize as novas relações estabelecidas através da integração entre os países. Pretendemos ainda com os apontamentos da pesquisa, contribuir com a elaboração /ou reorientação das políticas que atendam aos estudantes migrantes, tendo por base as experiências por estes vivenciadas e os desafios por estes apresentados, objetivando uma experiência acadêmica, cultural e social que possa estar orientada pela diversidade cultural e pelo respeito às diferenças.

7
  • GEYSA DANIELLE BARBOSA DE MOURA SILVA
  • CROCHÊ E ATIVISMO: RESSIGNIFICAÇÃO DA ARTE TÊXTIL NAS INTERVENÇÕES URBANAS DO COLETIVO LINHAS, SÃO LUÍS – MA

  • Data: 07/10/2021
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  • O presente trabalho busca compreender o processo de ressignificação da arte têxtil contemporânea no Brasil no início do século XXI por meio da investigação das intervenções urbanas em crochê do Coletivo Linhas (São Luís – MA). Como recurso metodológico para o aprofundamento da compreensão do objeto, nossa pesquisa fará um estudo de caso do Coletivo Linhas e seu ativismo através de suas intervenções urbanas em crochê. Costurando aproximações com estudos da historiografia da arte, arte contemporânea, sociologia e estudos de gênero, procuramos propor reflexões sobre alguns mecanismos empregados no campo artístico que resultaram numa subvalorização da arte têxtil dentro de um contexto sócio-histórico da subalternização da mulher nesse mesmo espaço. Esta mirada contribuiu para entendermos como e por que as manualidades têxteis foram ressignificadas ao longo dos anos e transbordaram o espaço tradicionalmente empregado como privado, alcançando o âmbito do urbano, do interativo do espaço aberto. A arte têxtil exposta em muros, fachadas de prédios, praças, ou nos mais diversos espaços urbanos, tem exercido um impacto significativo na percepção das pessoas. Esse novo modo de fazer arte têxtil, no âmbito da arte contemporânea, intenta não somente dar um novo significado enquanto subversão em sua técnica de produção e forma de exposição, mas também, é atravessado por críticas sociais através da relação arte e ativismo. Procuramos compreender acerca dessa nova tendência de arte têxtil contemporânea, como e por que as produções manuais têxteis se expandiram para as ruas. Analisar algumas das intervenções urbanas do Coletivo Linhas nos permitiu descortinar algumas das motivações presentes em suas produções artísticas, das quais são tramadas enquanto instrumento de resistência, crítica e ativismo. Essa pesquisa foi fundamentada, principalmente: nos estudos sobre mulheres artistas no Brasil de Ana Paula Cavalvanti Simioni (2007; 2010; 2019); no conceito de campo artístico proposto por Pierre Bourdieu (1996); na relação do gênero feminino e arte têxtil de Rozsika Parker (1996); no conceito de modos de fazer de Claudia Paim (2009); nos estudos sobre intervenções urbanas e Yarn Bombing de Minna Haveri (2016); na abordagem acerca do Yarn Bombing e Craftivismo sobre uma perspectiva criminológica de Alyce MacGovern (2019); e o livro Yarn Bombing: The Art of Crochet and Knit Graffiti (2019) das autoras Mandy Moore e Leanne Prain.

8
  • ROSANE LORENA DE BRITO
  • A CONSTRUÇÃO DO ESTEREÓTIPO DE SUBALTERNIDADE DAS MULHERES NEGRAS NAS NOVELAS DE 1960 E 1970: UMA PERSPECTIVA FEMININA NEGRA
  • Data: 14/10/2021
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  • A partir das noções de representação, ethos, gêneros textuais e referenciação, a presente pesquisa tem por finalidade analisar como ocorreu a naturalização da visão estereotipada da mulher negra como serviçal em telenovelas brasileiras exibidas entre os anos de 1960 e 1970. Para tanto, buscamos observar de que forma ocorreram os processos referenciais para a construção dos estereótipos subalternos veiculados pelos papéis atribuídos às atrizes personagens negras. Lançamos mão de um paradigma qualitativo de fazer pesquisa e, majoritariamente, bibliográfico a fim de alcançarmos os objetivos. No intuito de nos aprofundarmos, buscamos recuperar o contexto histórico brasileiro no período em tela – as décadas de 1960 e 1970, visto que todo discurso está ancorado num momento social, histórico, político e econômico, isto é, situado. O surgimento e a escalada das telenovelas no Brasil encontraram e reverberaram diversos discursos em circulação daquela e de outras épocas. Portanto, empreendemos a investigação a fim de averiguarmos: a (re)produção do estereótipo de subalternidade atribuído à mulher negra em telenovelas brasileiras, como os processos de referenciação, presentes nestas novelas, discursivizam a mulher negra brasileira como um corpo subalterno, de que maneira o estereótipo tem servido para cristalizar as imagens de subalternidade dos corpos negros femininos, os contextos históricos/ideológicos em que foram construídas as posições subalternas das mulheres negras através de imagens das telenovelas brasileiras do século XX. Nessa perspectiva, argumentamos que os processos referenciais podem participar na projeção e na reiteração do racismo por meio da construção de estereótipos de subalternidade.

9
  • JOEL ALVES BEZERRA
  • "UMA NOITE NA BAHIA?": UMA PERSPECTIVA HISTÓRICA DAS AFRICANIDADES E DA CAPOEIRA NO CEARÁ (1853-1955)

  • Data: 25/10/2021
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  • Este trabalho pretende refletir o processo de invisibilidade do negro no Ceará a partir de apresentações de capoeira e do candomblé, africanidades brasileiras, de sujeitos vindos da Bahia em espaços privados de Fortaleza, como a apresentação “Uma Noite na Bahia”, realizada no clube Náutico Atlético Cearense e demais apresentações em outros espaços, como o Teatro José de Alencar e a Sociedade Cearense de Tiro, Caça e Pesca, na capital do Ceará no ano de 1955. Para tanto, é necessário compreender os discursos produzidos, a negação e a formação de identidades locais, suas teias de relações com o mundo do trabalho, e com determinados espaços (jornais, revistas, clubes sociais, teatros etc.). Espaços sociais e culturais que passam a ser percebidos como lócus de atuação política dos sujeitos e que nos coloca questões para o empreendimento deste estudo. Na possibilidade de responder as inquietações provocadas na pesquisa iremos recorrer ao campo interdisciplinar na perspectiva de Frigotto (2011), onde a produção do conhecimento se dá a partir do caráter dialético da realidade social, sobretudo num processo de concorrência solidária nas relações entre duas ou mais disciplinas. Tomaremos como fundamentação teórica os estudos históricos e antropológicos de Cunha Júnior (2005); Lopes (2004); Sodré (2014); Bastide (1989); Araújo (2015); Almeida (2019), apoiados em uma abordagem metodológica documental de natureza qualitativa de fontes bibliográficas e jornalísticas (periódicos e uma revista). Lançamos mão da análise de discurso mobilizada por Eni Orlandi (2020) e da análise das performances culturais de Milton Singer (1959), apresentadas por Robson Corrêa de Camargo (2013). Os resultados obtidos demonstraram que a ampla cobertura pela imprensa local das apresentações de capoeira e do candomblé não foram articuladas com as africanidades cearenses, ratificando o processo de invisibilidade e de negação pelas quais foi submetida a população afrocearense.

     

     

     

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  • FRANCISCO EVANDRO DE ARAÚJO
  • SILÊNCIOS E OMISSÕES: AS PERCEPÇÕES DO RACISMO ANTINEGRO NA ESCOLA DE ENSINO MÉDIO FRANKLIN TÁVORA EM ITAPIÚNA-CE

     

  • Data: 26/10/2021
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  • Esta pesquisa buscou problematizar os silêncios e omissões em torno do racismo antinegro na Escola de Ensino Médio Franklin Távora em Itapiúna-CE. Buscamos responder a seguinte questão: em que a negação da existência das populações negras e da cultura negra influencia no entendimento e percepção do racismo antinegro na educação, no ensino brasileiro e cearense e, em especial no Município de Itapiúna? O silêncio não é a ausência de palavras, mas a impossibilidade de um outro discurso. (ORLANDI, 2018). Diante disso, nossa pesquisa gira em torno da necessidade de uma discussão das relações étnico-raciais no ambiente escolar que parta da sociedade e dos movimentos sociais para as universidades e, das universidades para os sistemas de educação básica em todo país a fim de enfrentar o racismo e suas consequências. Nosso objetivo geral consistiu em investigar o racismo antinegro por meio do silenciamento em torno das populações negras no âmbito do Ensino Médio em Itapiúna-CE. Especificamente, discutimos os conceitos de raça e racismo, negritude e branquitude e suas relações com a educação; problematizamos a histórica negação do negro no Ceará e no Brasil e como o movimento social negro tem contribuído para desconstruir/reconstruir essa história; por fim analisamos a compreensão e a percepção do racismo antinegro entre os professores do Ensino Médio da área de Humanidades na escola da rede estadual no município de Itapiúna. A Interdisciplinaridade de Frigotto (2018) e Japiassu (1976), assim como os conceitos de colonialidade do poder de Quijano (2005) e decolonialidade de Maldonado-Torres (2019) nos forneceram bases teóricas para esta investigação. A partir da análise do Projeto Político Pedagógico-PPP e das entrevistas coletadas percebemos o total silêncio em torno das questões étnico-raciais. O recolhimento de entrevistas se deu a partir de questionários semiestruturados com base na História Oral Temática. (ALBERTI, 2019; BOM MEIHY, 2002). Os documentos recolhidos e produzidos foram analisados a partir da Análise de Conteúdo. (BARDIN, 2016; FRANCO, 2021). Isso nos possibilitou mostrar os motivos por trás dos silêncios que reproduzem o racismo. Esperamos colaborar, a partir dos resultados aqui expostos, com a causa antirracista e para uma sociedade mais equânime em suas relações étnico-raciais.

     

     

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  • JOÃO PAULO DE CASTRO
  • Vestígios Arqueológicos Indígenas encontrados no Quilombo da Serra do Evaristo como Fonte para o Ensino de História

  • Data: 26/10/2021
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  • Esta dissertação é fruto dos diálogos ocorridos durante a minha caminhada no Mestrado Interdisciplinar em Humanidade - MIH, da Universidade da Integração Internacional da Lusofonia Afro-Brasileira-UNILAB e na minha jornada no Grupo Interdisciplinar Marxista – GIM. Vinculada a linha de pesquisa: Trabalho, Desenvolvimento e Migrações, o objeto de problematização é compreender os vestígios arqueológicos indígenas encontrados na Comunidade Quilombola da Serra do Evaristo, zona rural do município de Baturité no estado do Ceará, como fontes para o ensino da cultura e história indígena. Em uma perspectiva interdisciplinar, se articula os vestígios arqueológicos indígenas para a implementação da Lei 11.645/08, analisando o possível entrelaçamento interdisciplinar entre os estudos arqueológicos e históricos. Cabe aqui expor o caráter diferenciado das escavações realizada na referida comunidade quilombola, visto que durante o processo foram formados agentes da própria comunidade que atuaram como auxiliares de pesquisas, formando um grupo de jovens que participaram durante o contraturno escolar nas escavações arqueológicas. Da mesma forma, esta pesquisa busca dialogar com as construções narrativas oriundas do museu arqueológico na comunidade e das possíveis ações educativas a serem desenvolvidas na construção da consciência histórica associada aos grupos étnicos que habitavam a região desde antes a invasão europeia.

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  • SUZENALSON DA SILVA SANTOS
  • UM MUSEU INDÍGENA COMO ESTRATÉGIA INTERDISCIPLINAR DE FORMAÇÃO ENTRE OS KANINDÉ NO CEARÁ

  • Data: 27/10/2021
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  • Nos últimos anos, o povo indígena Kanindé tem atuado na apropriação de um processo museológico, protagonizando a construção de um museu, um espaço de memória e centro de documentação em seu território onde este espaço tem assumido um importante papel na luta e resistências do povo ao se constituírem em um potente espaço de reivindicação de uma educação diferenciada, de valorização dos processos tradicionais de transmissão de conhecimento, de afirmação étnica, de construção de autorrepresentação e contra narrativas, de produção, difusão cultural e de luta pela demarcação do território, produzindo um processo de autonomia. Atualmente o envolvimento do povo Kanindé nesse projeto de construção de um espaço específico que represente a sua cultura, tem sido em torno de uma consciência sobre a importância de se preservar seus ritos, saberes, fazeres e ecossistemas presentes em seu território. O presente trabalho pretende demonstrar as experiências que se entrelaçam diretamente aos processos museológicos próprios dos Kanindé em Aratuba no Ceará em busca do direito a uma memória indígena preservada.

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  • MARIA CESALÂNIA PEREIRA DOS SANTOS
  •   AS NARRATIVAS DE INFÂNCIA EM CONTEXTO DE GUERRA - ANGOLA E GUINÉ-BISSAU

  • Data: 29/10/2021
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  • Este trabalho tem como objeto de estudo duas novelas africanas em língua portuguesa enredadas na história do pós-independência em Angola e Guiné-Bissau: A bicicleta que tinha bigodes: estórias sem luz elétrica, do angolano Ondjaki (2015a ) e Comandante Hussi, do cabo-verdiano Jorge Araújo (2006). O objetivo é compreender, de maneira interdisciplinar, as manifestações de violências e representações de infâncias que se revelam por meio do discurso literário nos contextos históricos, políticos e sociais das décadas de 80 e 90 do século XX, tendo em conta as novas configurações sociais instauradas depois da independência em Guiné-Bissau e Angola. Partindo das temáticas que as narrativas têm em comum: a guerra civil e seus desdobramentos, como medo, violência, carência; e a infância, simbolizada pelas bicicletas,  os trabalhos de Mahmood Mamdani (2016), Frantz Fanon (1968), Homi Bhabha (1998), Édouard Glissant (1995) e António Cândido (2010), norteiam a nossa perspectiva. Em hipótese, a pesquisa procura demonstrar que o silêncio é um dos meios pelo qual a violência se manifesta e traz à tona as configurações sociais e rastros de violências que, após os desejos utópicos projetados durante a luta de libertação, afloraram ainda mais nos contextos de guerra civil depois da independência. A guerra civil configura os espaços e brincadeira, na qual notamos através do amadurecimento das crianças em seus comportamentos que os modifica psicologicamente e fisicamente, as tomadas de consciência sobre a guerra e os artifícios de proteção e de defesa usados pelas personagens para preservar a infância em contexto de violência de guerra civil pós independência em Guiné e Angola.

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  • JOÃO PAULO DA SILVA LIMA
  • A ESPIRITUALIDADE PITAGUARY COMO COMPONENTE CURRICULAR NA ESCOLA INDÍGENA CHUÍ

  • Data: 16/12/2021
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  • Esta dissertação é parte da difícil aventura de minha inserção como indígena no mundo acadêmico dos brancos e fruto da luta do movimento indígena. A pesquisa é sobre a espiritualidade Pitaguary como componente curricular na Escola Indígena Chuí, que fica no município de Maracanaú, Estado do Ceará. Como método de pesquisa, produzi um relato autobiográfico, em que rememoro minha espiritualidade Pitaguary e a forma como esta espiritualidade está presente na escola. Apresento também fontes escritas diversas sobre o assunto, correlacionando e analisando com as referências bibliográficas. Sobre os fundamentos teóricos que utilizo nesta pesquisa, tenho me aproximado da possibilidade de uma escrita de si, em que, autobiograficamente, posso contar sobre a cosmologia da espiritualidade praticada por nós, povo Pitaguary, dando especial detalhes disso na Escola Indígena Chuí. A escrita autobiográfica permite que eu, enquanto indígena, seja sujeito da minha própria história e da minha cultura. Mostro como a espiritualidade está intimamente ligada à terra e às matas, Casa dos Encantados, e que, junto com a espiritualidade, vem o movimento de luta pelo território. Como conclusão, apresento a escola como continuidade da cultura e da tradição dos Pitaguary, onde, a partir do nosso exemplo, a partir das nossas falas, damos continuidade à formação de novos líderes, despertando nos estudantes o desejo de pertença e de participação nesse movimento.

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  • RITA PAZ DA SILVA
  • MOBILIDADE ENTRE LUGARES: SEUS IMPACTOS NA DINÂMICA E NA ORGANIZAÇÃO DO TRABALHO DOCENTE EM ARATUBA - CE

  • Data: 21/12/2021
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  • A mobilidade, vista sob um olhar mais amplo, traz consigo um conjunto de situações concretas e particularidades que definem a identidade individual e socioprofissional das pessoas. Essa perspectiva nos conduz a estudos e reflexões sobre os sentidos e significados que trazem essa dinâmica (do descolar diário e/ou mudança de moradia) e suas influências na dimensão da prática docente. Essa pesquisa tem como objetivo geral investigar se/como a mobilidade socioespacial impacta na trajetória profissional de professores/as no município de Aratuba/CE. Partimos do pressuposto de que, ao vivenciar diferentes territorialidades, os/as docentes (re)significam sua identidade pessoal e profissional. Buscamos, com este estudo, apresentar um conjunto de reflexões que visam contribuir para a compreensão do fenômeno da mobilidade, a partir da percepção dos/as trabalhadores/as docentes. Vislumbramos, por meio de entrevistas pessoais, analisar essas trajetórias, refletindo sobre o cotidiano socioprofissional e as relações estabelecidas entre os sujeitos inseridos nesse contexto. De forma específica, buscamos analisar como o deslocamento socioespacial impacta no desenvolvimento das atividades docentes e nas relações pessoais e familiares. Este estudo, numa perspectiva interdisciplinar, se apresenta como relevante para o contexto socioeducacional, por discutir os sentidos dos intensos deslocamentos socioespaciais como um processo de subjetivação e de profissionalização, cheio de significados na percepção dos/das atores/as que narram os fatores e efeitos dessa dinâmica na vida dos/das profissionais da educação. Foi realizado por meio de uma pesquisa qualitativa, de caráter exploratória e, ao mesmo tempo, descritiva, dialogando, em seu escopo, com Beaujeu-Garnier (1980), Martins (2004), Cunha (2011), Pinheiro (2013), autores que nos apoiam com pressupostos metodológicos acerca da questão da mobilidade-trabalho, aqui discutida.

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  • TINO TAMBA
  • Concepção de ensino, pesquisa e extensão nas Instituições de Ensino Superior da Guiné-Bissau: caso da Universidade Amílcar Cabral entre os anos de 1999 e 2019

  • Data: 28/12/2021
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  • Concepção do Ensino, Pesquisa e Extensão nas instituições de ensino superior da Guiné-Bissau: Caso da Univeridade Amílcar Cabral entre os anos de 1999 e 2019  é o tema de investigação do mestrado no Programa de Pós-Graduação Interdisciplinar em Humanidades na Universidade da Integração Internacional da Lusofonia Afro-Brasileira - UNILAB. A temática tem como objetivo geral compreender a concepção de ensino, pesquisa e extensão nas instituições de ensino superior da Guiné-Bissau com foco na Universidade Pública do país. Também tem os seguintes objetivos específicos: compreender como a Lei de Bases do Sistema Educativo da Guiné-Bissau sustenta o funcionamento da universidade Amílcar Cabral em ensino, pesquisa e extensão; Entender como Estatuto de Ensino Superior da Guiné-Bissau trata a questão da concepção de ensino, pesquisa e extensão na universidade Amílcar Cabral; E saber como a Carta da Política Educativa da Guiné-Bissau aborda a concepção de ensino, pesquisa e extensão na Universidade Amílcar Cabral. Busca-se compreender com esta discussão como essa concepão está sendo desenvolvida nas instituições de ensino superior no país. Com relação à discussão dessa concepção, Passarin e Separovic (1989, p. 11) afirmam que “Ensino é o processo de construção do saber, com apropriação do conhecimento historicamente produzido pela humanidade” e a “Pesquisa é o processo de materialização do saber a partir da produção de novo conhecimento baseado em problemas emergentes da prática social”. Enquanto que a “Extensão pode ser entendida como processo educativo, cultural e científico, de intervenção nos processos sociais e identificação de problemas da sociedade”. Já para Santos (2016, p. 217-218), “Ensino: procura articular as ciências existentes, conhecer seus produtos e formar profissionais (...)” . A “pesquisa: Almeja construir novos, confirmar ou contestar conhecimentos existentes (...)”. Ao passo que a “Extensão: Tem a função de estabelecer conexão entre os interesses do ensino e da pesquisa cientifica como os interesses sociais. Legitima-se pela presença de agentes universitários nos setores sociais, executando ações de serviços, assistênciais, projetos culturais” etc. O caminho metodológico percorrido na produção desta temática consistiu na consulta das fontes bibliográficas e documentais. Com relação ao resultado desta pesquisa, é existente o desenvolvimento da concepção de ensino e pesquisa, porém não há o desenvolvimento da extensão universitária na Universidade Amílcar Cabral.

     

2020
Dissertações
1
  • VALDINEZ CLAUDIO OLIVEIRA DA SILVA
  • Ressonâncias Mouras na Música de Elomar

  • Data: 15/01/2020
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  • A presente dissertação procura estabelecer um diálogo entre os aspectos literários, historiográficos e estéticos da obra musical de Elomar Figueira Mello, considerando o processo histórico cultural que pode ser apontado como uma das consequências do silenciamento da influência da cultura moura sobre a obra em análise. A cultura moura pode ser compreendida como um amálgama cultural de origem negra do Norte da África, dos berberes, que chega ao Nordeste brasileiro por meio da presença europeia, principalmente, ibérica, mas também pelos escravizados vindos da borda do Saara. A discussão teórica e a análise da música de Elomar perpassam o pensamento de autores como Gilberto Freyre (2004), Câmara Cascudo (1978), Ariano Suassuna (1974), Luis Soler (1978), Jacques Rancière (2005), Gilles Deleuze (1997), Nietzsche (2007) numa interlocução entre a produção da ideia de identidade nacional, cultura popular regional e a linguagem popular como espaço de criação do artista. A pesquisa se desenvolve a partir da perspectiva de que a obra do compositor Elomar está inserida numa teia de práticas e representações, expressão e circulação de elementos temáticos do sertão nordestino, consequentemente, ressonâncias do mundo mouro. Entre estas representações e práticas encontram-se a oralidade que é a proclamação verbal dos saberes guardados na memória humana; o cantador, personagem que apresenta suas histórias em cantoria, acompanhados da viola, onde sua musicalidade expressa aspectos cotidianos do sertão; o cenário é um sertão ficcional criado para ambientar as narrativas; e a cantoria – o cordel e o repente como fórmulas de uma literatura oral musicada estruturada em rima e em versos cantados, próprios da musicalidade moura.

2
  • FRANCISCO DEOCLÉCIO CARVALHO GALVÃO
  • Ações governamentais e práticas pedagógicas escolares no ensino de história e cultura afro-brasileira e indígena em Cascavel – CE (2013 – 2019)

  • Data: 16/01/2020
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  • Ao estabelecer a obrigatoriedade do ensino de História e Cultura Afro-brasileira e Indígena nas instituições educacionais de ensino básico, públicas e particulares do país, a partir da sanção da Lei 10.639/2003 e, posteriormente, 11.645/2008, o governo brasileiro gerou dúvidas e inquietações diversas quanto à formação de professores, metodologias de ensino e o próprio conteúdo a ser ministrado no intento de atender à legislação. É importante frisar que não foi a primeira vez que surgiu, em textos oficiais, a necessidade de abordar as matrizes étnicas do país, posto que a Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional (LDB 9.394/96) já previa a inclusão, nas aulas de História, de discussões relativas a participação de africanos, europeus e indígenas na construção da “formação do povo brasileiro”; todavia, foi a primeira vez que o tema apareceu de maneira explícita e impositiva, fazendo com que alguns educadores questionassem a necessidade da abordagem nestes moldes. Isto posto, buscamos compreender como se dá o tratamento de tais temáticas na rede púbica municipal de Cascavel (CE) através da realidade de duas escolas, uma da zona urbana e outra, da zona rural. Fazendo uso de entrevistas semiestruturadas com professores das disciplinas de História, Língua Portuguesa e Arte, buscamos compreender como se dá a transformação do currículo prescritivo em currículo interativo e, ainda, como é implementada a legislação nestas duas instituições. Nos encontros com estes educadores os questionamentos levaram em consideração as suas formações acadêmicas, pertencimentos étnico-raciais e os subsídios que lhes foram oferecidos para uso em sala de aula. A democracia racial propalada desde a Era Vargas cai por terra quando compreende-se que a questão afrodescendente e indígena é marcada pela invisibilidade e silenciamento destes dois grupos étnicos, seja pelo elogio à miscigenação, quando buscou-se clarear a tez da população, seja pela negação da existência destes povos, como foi o caso no Estado do Ceará, que construiu para si uma identidade miscigenada excluindo o negro e assimilando o indígena. É nítido que a pretensa harmonia racial descrita por Freyre (1933) não é possível de encontrar na práxis cotidiana. Em se tratando da abordagem sobre a história e cultura afrodescendente e indígena nos materiais didáticos e em sala de aula, percebemos que o currículo ainda é tímido, negando espaços e cristalizando os sujeitos, ainda atuando sob a estereotipia construída no colonialismo e continuada na colonialidade da nossa sociedade.

3
  • JOSÉLIA CRUZ DA SILVA
  • COMPREENSÃO LEITORA E O TEXTO VERBO-IMAGÉTICO

  • Data: 29/01/2020
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  • O ambiente escolar é o espaço instigador de ideias e ressignificações de sentido no campo textual.
    A leitura proporciona ao aluno não somente a formação crítica, mas também permite um delinear de
    diferentes estratégias para melhorar a compreensão leitora de textos verbo- imagéticos. Esta pesquisa tem como objetivo refletir sobre a articulação entre leitura e composição do texto verbo-imagético como um saber a mais para a compreensão leitora do aluno. Para análise da construção
    interpretativa nos pautaremos em estratégias de leitura, inferências, horizontes de compreensão, conhecimentos prévios e elementos multimodais (sons, imagens, cores….), que precisam ser trabalhados para o aluno atingir a compreensão leitora desejada da leitura de um texto. Os pressupostos teóricos desta pesquisa se apoiam no estudo de Kato (1985), Alliende (1987), Solé (1998), Kleiman (2007), Marcuschi (2008), Koch e Elias (2013), Oliveira (2014), no campo da compreensão leitora; e no de Kress e Van Leeuwen (2004), Dionísio (2011), no campo da Gramática do Desing Visual – GDV. O recurso metodológico desta pesquisa é de natureza intervencionista, pois seu intuito é promover o desenvolvimento da compreensão leitora, produzindo conhecimento para uma aplicação prática. As intervenções foram aplicadas em uma turma de 1º ano do ensino médio em uma escola pública do município de Aratuba. A partir das análises das sequências didáticas realizadas, observou-se que os alunos desenvolveram a compreensão leitora através dos trabalhos didáticos com textos verbo-imagéticos associados aos estímulos dos elementos: conhecimento prévio, inferências, estratégias de leituras e horizontes de compreensão, junto aos direcionamentos dos professores. Essas ações são identificadas como recursos colaboradores para construção da compreensão leitora pelos discentes.

4
  • MAYCOM CLEBER ARAUJO SOUSA
  • Educação indígena na América portuguesa quinhentista: estudo do teatro anchietano.

  • Data: 29/01/2020
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  • O encontro cultural entre jesuítas e povos indígenas, ocorrido no século XVI, em decorrência
    da colonização do Brasil pelo Império português, produziu uma relação intercultural entre os
    dois grupos, que aqui será analisada a partir do prisma de Caterine Walsh (2009). Partimos da
    ideia de interculturalidade funcional apresentada pela autora, para compreender o desenrolar
    desse contato. O termo interculturalidade denota a ideia de que existam possibilidades de
    diálogo entre culturas, portanto, podemos conceber o contato entre jesuítas e índios como um
    encontro intercultural, tendo em vista a comunicação estabelecida pela troca de elementos
    simbólicos. No entanto, essa relação, possui um prisma funcional Walsh (IDEM), pois atendia
    as intensões colonizadoras da sociedade imperial portuguesa. Os jesuítas surgem como
    responsáveis pela inserção desses sujeitos no corpo social lusitano. Pela catequese,
    relacionavam-se intercultural mente com os nativos, objetivando a salvação de suas almas.
    Logo, existe uma relação intercultural funcional ao estado português. Além disso, buscamos
    demonstrar como a Companhia de Jesus utilizava elementos pedagógicos para projetar a sua
    própria imagem no outro, nesse caso, o índio. Para tanto, pensamos a alteridade jesuítica com
    base em François Hartog (1999). Temos como objeto o Auto da Festa de São Lourenço
    (1583), de José de Anchieta, onde identificamos aspectos da identidade jesuítica, bem como
    os processos pedagógicos empregados pela Ordem, na tentativa de catequização do outro.
    Objetivamos, portanto, compreender a missionação inaciana que, através de sua alteridade,
    busca na salvação do outro, sua ascese, ao mesmo tempo que projeto a sujeição dos povos
    indígenas a Respublica Christiana quinhentista lusa, por meio da ideia de corpo social e sua
    respectiva concepção de integração do outro mediante a catequese. Buscando entender de
    forma crítica uma enunciação da alteridade, Hartog (IDEM), desenvolve um conceito ao qual
    denomina de desvio sistemático. Para o autor, como requisito mínimo para que haja a
    comunicação, é necessária a existência de um conjunto de saberes semântico, enciclopédico e
    simbólico comum a ambos os grupos. Dessa forma, a cultura passa a ser interpretada de
    acordo com o seu homologo presente no mundo do narrador. No caso do Auto em análise,
    aparecem outras categorias de Hartog (IDEM), como inversão e comparação, para realizar a
    tradução do outro, buscando, ao fim de tudo, que ocorresse a conversão do seu espectador.

5
  • FÁBIO PAULINO DE OLIVEIRA
  • IDEOLOGIA DO ÓDIO SOCIAL E AGENDA ECONÔMICA: análise do discurso crítica da sessão parlamentar do impeachment de Dilma Rousseff

  • Data: 30/01/2020
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  • Esta pesquisa propõe-se a empreender a análise crítica dos pronunciamentos em razão dos votos favoráveis à admissibilidade da denúncia de crime de responsabilidade da Presidenta da República, emitidos na Sessão do Plenário da Câmara dos Deputados de 17 de abril de 2016. O objetivo é o de investigar a relação entre a manipulação cognitiva de afetos sociais e a disputa de agendas econômicas, encerrada nas intenções dos pronunciamentos desses parlamentares votantes. Partimos da hipótese de que tais pronunciamentos se integram à conformação de uma espécie de populismo moral, como insumo ideológico a serviço do consenso hegemônico e conservador - em torno da defesa e da aprovação de uma agenda econômica específica. Para o tratamento teórico-metodológico da análise desta hipótese, adotamos, como base, a abordagem crítico-discursiva e sociocognitiva dos estudos de Teun van Dijk (2008). Três aspectos perfazem a pesquisa: i) teórico-conceitual; ii) metodológico e iii) analítico. No primeiro, consideramos a relação entre discurso político, cognição política e manipulação ideológico-afetiva da cognição social, a partir do aporte dos estudos de van Dijk (2008), e abordamos os estudos sobre pathos, a partir da pesquisa de Charaudeau (2005). Sob esse aspecto, importa-nos ainda a presumida estrutura cognitiva dos receptores dos discursos, em conformidade com Charaudeau (2005, 2016, 2010) bem como as possíveis articulações de interesses e disposições entre as classes econômica e política, de acordo com Alysson Mascaro (2018), Jessé Souza (2016, 2017), e Ladislau Dowbor (2017). No enfoque metodológico, específico à caracterização do procedimento da pesquisa e de suas categorias de análise, recorremos às concepções dos Estudos Críticos do Discurso (ECD), também em van Dijk (2008), relacionando-as ao tratamento dos pronunciamentos em uma perspectiva quantitativo-categorial e qualitativo-analítica. Por fim, no momento então analítico, submetemos o corpusa uma análise sociocognitiva, com foco na identificação de estruturas e estratégias discursivas e contextuais que, conforme van Dijk (2008; 2011), influenciam representações mentais individuais e socialmente compartilhadas em torno do compromisso com uma agenda econômica específica. A ação de diversos dispositivos discursivos, agindo em uma dupla perspectiva - de hostilização moralmente paradigmática, associada a grupos constituintes de determinado espectro político, e de exaltação de um Éthos conservador - possibilitou, conforme a nossa análise, a construção do cenário propício ao impeachment da então Presidenta Dilma Rousseff, em agosto de 2016. Toda a estratégia discursiva de acusação e de imprecação moral, associada à presumida representação mental dos receptores, buscou a conformação de arquétipos de valores e costumes - como específica visão conservadora de mundo: rejeitada consecutivamente nos últimos quatro pleitos eleitorais.

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  • WENDEL DAMASCENO OLIVEIRA
  • Unidade africana em Mário Pinto de Andrade e em Amílcar Cabral: cultura e revolução nas reflexões e experiências dos intelectuais e líderes africanos.

  • Data: 30/01/2020
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  • Este trabalho possui como objeto de estudo as formulações teóricas de Amílcar Cabral e de Mário Pinto de Andrade, respectivamente, duas lideranças políticas do Movimento Popular de Libertação de Angola (MPLA) e do Partido Africano para Independência da Guiné e Cabo Verde (PAIGC) no que se referem as suas concepções de unidade africana, de cultura e de revolução elaboradas no contexto de emergência da luta de libertação nacional das                ex-colônias portuguesas, que conquistaram suas independências nacionais, sobretudo a partir da década de 1970. A problemática do estudo é identificar quais os elementos de convergência e de divergência encontradas nas reflexões de Amílcar Cabral e de Mário Pinto de Andrade, relacionadas aos conceitos de unidade africana, cultura e revolução, tendo como objetivo analisar as razões políticas e ideológicas de tais elementos. Este trabalho se justifica pela necessidade de reflexão epistemológica do processo de retomada da iniciativa histórica realizado pelos indivíduos, grupos, classes e povos no processo de libertação nacional das ex-colônias portuguesas, questionando assim o problemático conceito historiográfico de “descolonização africana”, elaborado pelos agentes sociais que perpetraram o imperialismo e o colonialismo no século XIX e XX. Navarro (2018) considera que o desenvolvimento de uma pesquisa historiográfica tendo como eixo central a questão da unidade, permite a pesquisa de uma teoria do conhecimento a partir da análise dos conceitos, das estruturas lógicas, das estruturas argumentativas e dos desdobramentos históricos dos movimentos políticos. Os conceitos de cultura e de revolução foram analisados, na medida em que são necessários para a compreensão da concepção de unidade africana proposta por Amílcar Cabral e Mário Pinto de Andrade. A metodologia utilizada no trabalho segue os parâmetros da pesquisa documental, utilizando-se de textos, artigos, conferências e livros de Amílcar Cabral e Mário Pinto de Andrade, além do cruzamento de dados pessoais e parte do acervo documental disponibilizados na Fundação Mário Soares.

     

7
  • FARA VAZ
  • COOPERATIVISMO SOCIOEMANCIPATÓRIO: O CASO DA COOPERATIVA AGROPECUÁRIA DE JOVENS QUADROS (COAJOQ) NA GUINÉ-BISSAU

  • Data: 03/02/2020
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  • O presente trabalho resulta de estudo de cooperativismo como agente de processo desenvolvimento socioemancipatório, ancorado na relação de solidariedade Ubuntuista na África, tomando como nosso agente colaborador a Cooperativa Agropecuária de Jovens Quadro na Guiné-Bissau.  Assim, entendemos que, o cooperativismo é o modo de atores sociais se organizarem em redes que emergiu na Europa através do processo da industrialização e, com a tomada das independências dos países africanos, foi incorporado com base de princípios de solidariedade africana - Ubuntu - como seu fundamento. O trabalho analisa processos de desenvolvimento socioemanicpatório na região de Cacheu, setor de Canchungo; assim como, entender a concepção de cooperativismo e desenvolvimento local a partir do associativismo na Guiné-Bissau, identificar a concepção de desenvolvimento que orienta a política da intervenção da COAJOQ na agricultura familiar camponesa em Canchungo; compreender a relação de produção da COAJOQ com a segurança alimentar. Para tanto, a pergunta que nos mobiliza é essa: como a Cooperativa Coajoq influência o desenvolvimento na Canchungo? Como a COAJOQ através de suas ações com a famílias camponesas gerencia o processo de desenvolvimento local? A metodologia adotada aqui, compreende a pesquisa qualitativa, na perspectiva interdisciplinar e complexidade (MORIN, 2000), com base na pesquisa bibliográfica e documental e avaliação da quinta geração. Estas técnicas são mecanismo de operacionalização de categorias de análise, agricultura familiar, cooperativismo, associativismo, desenvolvimento emanocipatório, segurança alimentar. Para tanto, considera-se que, as ações de cooperativa COAJOQ além de ser diferente na sua noção ocidental, está carregado da solidariedade Ubuntu, em que o coletivo sempre está em jogo de afirmação. Assim, as ações da Coajoq, assumem nesse coletivo, o papel de emancipador, na geração de novos saberes endógenas que visam ampliar a liberdade de novas aspirações e utopias nos jovens e mulheres nas zonas rurais. E neste processo que, a Coajoq, assumi ser agente colaborador e influenciador de novas utopias, aspirações nas associações, comunidades com o papel promotores de desenvolvimento local, germinado a partir das iniciativas das capacidades existentes, nas comunidades que a representação de Estado tem desafios.

8
  • IANES AUGUSTO CÁ
  • IDENTIDADE E VIOLÊNCIA NA CONSTRUÇÃO DA NAÇÃO GUINEENSE: UMA LEITURA DAS NARRATIVAS DE ABDULAI SILA

  • Data: 03/02/2020
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  • Este trabalho tem como objeto de estudo quatro dos romances do escritor guineense Abdulai
    Sila (1958-), a saber, Eterna paixão (1994), A Última Tragédia (1995) e Mistida (1997) -
    correspondentes ao que o próprio Sila denomina de trilogia -, mais Memórias SOMânticas
    (2016). A escolha destas obras atende, conforme sua composição narrativa, à representação
    metafórica e diegética da construção histórica da identidade nacional guineense,
    continuamente atropelada por diversos matizes e ciclos de violências. Acreditamos que estes
    romances correspondem à representação dos diferentes períodos da história mais recente de
    Guiné-Bissau, retratando, precisamente, a colonização, as lutas pela independência e a
    situação pós-independência. As narrativas de Sila nos proporcionam, com efeito, uma
    investigação extensiva para que se possa compreender as persistentes atualizações de
    violências na formação da identidade nacional guineense, antes e pós-independência. Para
    isso, na perspectiva dos estudos culturais e da abordagem interdisciplinar, os nossos aportes
    teóricos e analíticos voltam-se ao prisma dos estudos pós-coloniais, decoloniais e africanos.
    Nessa concepção, para além da denúncia ao colonialismo e às tentativas de invisibilização
    das identidades culturais autóctones, é necessário se levar em conta o entrecruzamento entre o
    discurso histórico e o ficcional, haja vista que a proposta silariana da construção da
    identidade guineense se configura pelo pressuposto do hibridismo entre o tradicional e o
    moderno. As narrativas de Abdulai Sila caracterizam-se, portanto, como metáfora de
    construção histórica da identidade nacional guineense, assinalando as suas diversas faces de
    violências, em suas múltiplas dimensões políticas, culturais e sociais.

9
  • FRANCISCO REJANIO DE SOUSA SILVA
  • UMA LEITURA DE ELEMENTOS REPRESENTADOS NO CULTO EVANGÉLICO PENTECOSTAL PROCEDENTES DAS PRÁTICAS CULTURAIS DA UMBANDA.

  • Data: 04/02/2020
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  • RESUMO

    O propósito deste trabalho é fazer uma leitura de como elementos culturais próprios das celebrações da Umbanda são representados nas práticas religiosas de alguns segmentos evangélicos pentecostais. O pentecostalismo é um movimento religioso que tem sua origem nas Igrejas Protestantes dos Estados Unidos da América no final do século XIX e chega ao Brasil em 1910. Após alguns desdobramentos ao longo do século XX, hoje é representado no cenário evangélico por igrejas pentecostais tradicionais, como as Assembleias de Deus, grandes grupos neopentecostais, como a Igreja Universal do Reino de Deus e uma infinidade de pequenas agremiações pentecostais independentes. Esse último segmento evidencia-se por representar em suas práticas religiosas um conjunto de elementos cujas características se aproximam aos de religiões afro-brasileiras, em particular, a Umbanda, numa relação ambígua de negação e acolhimento. A pesquisa desenvolveu-se, principalmente, a partir da observação de celebrações de uma igreja pentecostal independente no município de Maracanaú-CE e em um Centro Espírita Umbanda no mesmo município; observou ainda as celebrações da Igreja Universal do Reino de Deus, de vertente neopentecostal, e de igrejas remanescentes do protestantismo histórico, além da análise de documentos históricos sobre os desdobramentos do protestantismo e da formação da cultura afro-brasileira. Espera-se, com este trabalho, trazer luz para as relações aparentemente incomuns, a um primeiro olhar, entre elementos de culturas religiosas tradicionalmente antagônicas e aprofundar o debate sobre as transformações socioculturais no espaço religioso, sobretudo entre religiões de narrativas divergentes, que por vezes implicam em constantes casos de racismo religioso.

10
  • GEORGE SOUSA CAVALCANTE
  • O QUE TEM ESSE POVO DE ÍNDIO? – UM ESTUDO DE CASO ACERCA DA IMAGEM QUE A POPULAÇÃO DE MARACANAÚ TEM DO POVO PITAGUARY

  • Data: 25/06/2020
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  • A situação dos povos indígenas da região Nordeste do Brasil, por conseguinte do Ceará, tem sido caracterizada historicamente pela expropriação das suas terras; pelo etnocídio; pelo não-reconhecimento e pelo preconceito. Não obstante a resistência, permanência e continuidade histórica (no sentido de luta política) dos índios cearenses, esse processo de etnocídio provocou prejuízos que ainda hoje repercutem no reconhecimento de sua identidade e da sua territorialidade. Assim sendo é intrigante questionar: Como as pessoas não-indígenas do município de Maracanaú, localizado no estado do Ceará, veem os povos Pitaguary, no tocante sua identidade indígena e o seu direito à terra? Qual a visão que os Pitaguary têm de si mesmo e como eles percebem o olhar da sociedade ao seu redor, no que diz respeito à questão identitária e territorial? Pressupomos que os processos de “invisibilização” e de “caboclização”, aos quais os povos indígenas do Nordeste brasileiro, por conseguinte, os do Ceará, foram submetidos a quase duzentos anos, implicam, de alguma forma, na imagem que os maracanauenses não-indígenas carregam dos Pitaguary, resultando nas seguintes indagações e afirmações, presentes nas falas dos interlocutores: “o que tem esse povo de índio? ” “No Ceará não tem índio! ” “Existe muita terra sem ser aproveitada porque dizem que pertence aos índios”. Norteado por estas questões objetivamos aqui examinar a etnicidade e territorialidade Pitaguary a partir da abordagem teórica-metodológica das representações sociais (JODELET, 2018; MINAYO, 1992) com sua perspectiva interdisciplinar, dialogando com as seguintes áreas do conhecimento: História, Antropologia, Filosofia e Ciências Sociais. Fundamentado em uma orientação teórica composta pela análise social processualista (FELDMAM-BIANCO, 1987) e histórica (OLIVEIRA FILHO, 1999; GINZBURG, 1991; LEVI, 1992; GRENDI, 1978) para analisar o processo de territorialização. Tomando ainda como aporte teórico Barth (2011), Cardoso de Oliveira (1978; 2000) para analisar a etnicidade. Optamos pelo o estudo de caso – com pessoas não-indígenas que residem em Maracanaú – como método empregado para atingir o fim proposto através da generalização analítica. Lançando mão de entrevistas semiestruturadas, da análise histórica-documental de longa duração e da observação participante como técnicas das coletas dos dados, comparando os resultados empíricos. Vale lembrar que o estudo de caso se propõe a investigar um fenômeno da vida real contemporânea com profundidade (YIN, 2010). Sendo que complexidade e totalidade do caso podem ser melhor compreendidas a partir da utilização de várias fontes no delineamento dos dados (VANCOCELOS 2016). Assim posto, trazemos como resultado dessa pesquisa, além da contribuição com outras pesquisas – acerca da etnicidade e da territorialização dos Pitaguary, por conseguinte, dos povos indígenas do Ceará –, a denúncia registrada, via dissertação, contra a estigmatização étnica sistémica, observável no cenário interétnico das relações sociais (CARDOSO DE OLIVEIRA, 2000) em Maracanaú, reflexo de uma conjuntura sócio-histórica, no que tange aos povos indígenas cearenses – especificamente o povo Pitaguary. Ensejando uma proposta epistemológica dialógica, colaborativa e crítica.

11
  • HELIO CASTRO LIMA JUNIOR
  • As experiências de precarização do trabalho dos agentes comunitários de saúde do município de Fortaleza CE

  • Data: 29/07/2020
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  • A presente dissertação tem o objetivo de analisar as experiências de precarização do trabalho dos agentes comunitários de saúde do município de Fortaleza - CE, em suas ações interdisciplinares na comunidade. A pesquisa parte do processo histórico da criação da categoria profissional na referida cidade, a conjuntura política do Estado do Ceará, bem como os debates políticos realizados naquele momento e a efetivação da categoria através do governo federal. É descrito o mundo do trabalho dos agentes comunitários de saúde em Fortaleza através das informações de como e quantos são os atendimentos realizados pelo trabalhador, o ambiente de trabalho e suas condições de moradia e insalubridade da micro área localizada na cabeceira do Rio Ceará, estando diretamente relacionado ao desempenho do agente. Questões relacionadas à saúde e às doenças que acometem os agentes também são pautados na pesquisa. A organização sindical também é tema desta dissertação em que são descritas as três instituições que representam a categoria que (des)organizam a luta sindical dos agentes comunitários de saúde em Fortaleza. Por fim é analisado o perfil salarial e econômico da categoria.

     

     

     

     

     

2019
Dissertações
1
  • ISABELLE MARQUES BARBOSA
  • Trabalho Contemporâneo e Adoecimento: uma análise dos Centros de Referência de Assistência Social de Maracanaú-Ce.

  • Data: 22/01/2019
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  • A Organização Mundial de Saúde destacou que os problemas de saúde ocupacional configuram-se como os maiores desafios da atualidade. O Observatório Digital de Saúde e Segurança do Trabalho registrou no município de Maracanaú-CE 1.126 auxílios-doença por acidente de trabalho no período de 2012 a 2016. A administração pública geral ocupa a sétima colocação geral com mais afastamentos. Em relação aos trabalhadores da política de assistência social a Norma Operacional Básica de Recursos Humanos visa assegurar um processo contínuo de valorização e cuidado com a saúde dos trabalhadores desta política pública. Objetivo Analisar em que medida aspectos relacionados ao trabalho podem impactar na saúde física e mental dos trabalhadores dos Centros de Referência de Assistência Social de Maracanaú – CE. Metodologia Estudo qualitativo e de corte transversal analítico com os servidores de nível superior que compõe o Serviço de Proteção Integral à Família. Para o estudo transversal analítico foi utilizado um questionário com base na Escala de Avaliação do Contexto de Trabalho com os trabalhadores que teve como objetivo obter informações relevantes de como é o contexto de trabalho nos CRAS. Para o estudo qualitativo realizamos entrevista individual que apreendeu aspectos relacionados à identidade, situações de trabalho, vivências e representações sobre o adoecimento. Os dados coletados foram categorizados através da análise temática, com auxílio da observação participante com registro em diário de campo. Resultados e Discussões A amostra estudada apresentou como perfil: 90,24% do sexo feminino; 78,04% são pardos/negros; 51% são casados; 48,78% possuem formação em serviço social; 82,92% possuem algum tipo de pós-graduação; 71,17% são servidores efetivos, com cargas horárias que variam de 40h a 24h; 56,1% possuem uma média salarial de 4 a 5 salários mínimos e o maior percentual de tempo de serviço na prefeitura é de 6 anos, com 19,51%; 56,1% da amostra disseram ter adoecido por conta das condições de trabalho. As doenças identificadas com maior recorrência foram ansiedade (26,09%), alergia (26,09%) e fadiga/estresse/estafa (21,73%). A percepção dos trabalhadores sobre seu contexto de trabalho apresentou indicadores críticos para os itens relacionados às condições de trabalho e organização do trabalho. Os itens das condições de trabalho que apresentaram indicador grave são: precariedade das condições de trabalho e instrumentos/equipamentos de trabalho insuficientes. O item da organização do trabalho que apresentou indicador grave foi: a insuficiência de trabalhadores para realizar os serviços. A pesquisa identificou que os trabalhadores percebem o seu trabalho como fonte de adoecimento. Que o cotidiano é cheio de desafios, sem que sejam dadas as condições de realização do trabalho. As péssimas condições de trabalho desencadeiam insatisfação e intensificação do trabalho. Conclusão Diante desse cenário e de uma redução no orçamento para o funcionamento do Sistema Único de Assistência Social para o ano de 2019 em 50% acreditamos que a degradação do trabalho e a ofertas dos serviços tenderão a piorar nos próximos anos, aumentando assim a possibilidade do trabalhador das unidades de CRAS adoecerem com maior frequência, caso não haja a recomposição orçamentária necessária.

2
  • MIQUEIAS MIRANDA VIEIRA
  • AS ESCOLAS ESTADUAIS DE ENSINO PROFISSIONALIZANTE- EEEPS: EXPERIÊNCIAS DE FORMAÇÃO INTEGRAL A PARTIR DO HABITUS DOCENTE NO CEARÁ

  • Data: 24/01/2019
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  • O ensino profissionalizante e a formação integral são duas categorias que têm ganhado centralidade mediante diversas articulações governistas na promoção do desenvolvimento e da expansão desta modalidade de ensino – mais precisamente nos 14 últimos anos pelo Brasil. No Ceará, tendo 2018 completado 10 anos da criação e expansão das Escolas Estaduais de Educação Profissionais- EEEPs, a formação tem sido balizada por dois eixos: a cidadania e mundo do trabalho. Nesse estudo buscamos refletir como a formação integral é pensada/ construída por docentes em 2 EEEPs (Redenção e Pacatuba) no Ceará. As  escolas pesquisadas foram selecionadas pelo fato de ofertarem a integralização desde 2008 e  por sua maior proximidade da capital Fortaleza. Problematizamos: Como a formação integral – humanística e técnica – é possível dentro da realidade escolar nas EEEPs implementadas? Quais os desafios/implicações/motivações dessa modalidade no ensino médio a partir do habitus docente e escolar?. Nosso posicionamento epistemológico e teórico-metodológico parte da análise complexa e fenomenológica (TRIVIÑOS, 1987; MORIN, 2005; MACEDO; et. al, 2005; MELUCCI, 2005), utilizando de entrevistas semiestruturadas para compreender o habitus que se constrõe nas experiências das EEEPs (BOURDIEU, 1983). Discorremos sobre a formação integral na educação (PARO, 1999; FRIGOTTO, 2001; SAVIANI, 2003; KUENZER, 2005; GADOTTI, 2009), os diálogos entre educação e trabalho no ensino médio (GENTILI, 1995; SAVIANI, 2007; KUENZER, 2004; MOLL, 2009; CIAVATTA, 2005; RAMOS, 2011) e caminhos dados para a integralização no ensino médio (SAVIANI, 2008;  KRAWSYK, 2011, FRIGOTTO, CIAVATTA e RAMOS, 2012). Como resultado de pesquisa, os/as docentes pesquisados assimilam a formação integral numa aferição multidimensional e reflexiva dos estudantes, tomando o mundo do trabalho como finalidade e o diálogo direcionado para o mercado de trabalho e ensino superior. Esses/as apontam o trabalho como princípio pedagógico, evidenciando a integralização no ensino médio para amadurecimento dos/as estudantes diferenciarem e inserirem no mercado de trabalho. A integralização aponta implicações positivas para o trabalho docente, como desafio e diferencial na carreira, flexibilidade de atuação em disciplinas diversificadas e trabalho com projetos interdisciplinares e relações interpessoais pelo tempo de trabalho. E negativo pela hierarquização entre áreas, a dinâmica e tempo de trabalho e as pressões externas por resultados, bem como os resultados a nível Enem e Spaece. Concluímos que as experiências de formação integral imprimem diversas influências para o trabalho e identidades docentes nas EEEPs, na proporção em que as escolas Cearenses evidenciam novas configurações do trabalho integrado a dinâmica do ensino médio.

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  • FRANCISCO ÉRICK DE OLIVEIRA
  • TRAJETÓRIAS DE LONGEVIDADE ESCOLAR E DISPOSIÇÕES SOCIAIS DE ESTUDANTES NEGROS/AS COTISTAS DOS CURSOS DE GRADUAÇÃO DA UNILAB.

  • Data: 28/01/2019
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  • O objetivo central deste trabalho é analisar, em escala individual, a longevidade escolar de seis estudantes negros/as (quilombola e pardos) cotistas ingressos/as na Universidade da Integração Internacional da Lusofonia Afro-brasileira (UNILAB) via Sistema de Seleção Unificada (SISU), por meio das vagas reservadas para estudantes autodeclarados pretos, pardos ou indígenas, oriundos/as de escolas públicas (Lei nº. 12.711, de 29 de agosto de 2012). Tencionamos a reconstrução de suas disposições sociais, com ênfase nas configurações familiares e suas relações de interdependência com a escolarização formal. A entrada no ensino superior é considerada como indicador de sucesso escolar, mas se adota o conceito de longevidade escolar por se fazer mais evidente falar de percursos de escolarização duradoura do que apenas de sucesso escolar. Acessar a Universidade através de seleções rigorosas exige muito mais do que uma trajetória de sucesso, e sim, uma trajetória de sucessos subsequentes (que não excluem os percalços na formação), entre os diversos níveis da educação básica, desembocando na escalada dos altos muros do ensino superior público. A pertinência dada à reconstrução de disposições sociais deriva da problematização das origens sociais deste universo de estudantes que, em situação de longevidade escolar, atravessa e contesta as determinações estatísticas e sociais que relegam às camadas populares e às minorias políticas um lugar de fracasso provável na escolarização pela posse insuficiente dos capitais cultural, econômico e social. A proposta se situa em uma esteira de debates que recorrem à relação família-escola como fator de explicação do sucesso ou do fracasso escolares e os dados dela resultantes são potencialmente especiais por efeito do universo empírico e do destaque aos marcadores sociais étnico-raciais, pouco considerados pela literatura pertinente. A primeira aproximação com os/as estudantes se efetivou por meio de um questionário socioeconômico e cultural que nos proporcionou conhecer superficialmente os perfis individuais e familiares do grupo, abrindo espaço para o planejamento da etapa principal que se desenvolveu por meio de entrevistas semiestruturadas e em profundidade. Desta forma, pudemos identificar um conjunto de configurações que possibilitaram a produção, potencialização e/ou transferência de disposições de longevidade, tais como a influência e apoio majoritariamente maternos, fortemente engajados no reconhecimento da educação como oportunidade de mobilidade social; a construção de relações de significado prático e positivo com a escola; o trabalho docente afetivamente engajado; a imersão em atividades culturais, científicas e intelectuais extraescolares no ensino fundamental e ensino médio; o ingresso no ensino médio profissionalizante e em tempo integral; e morais domésticas organizadas em torno da educação e da escola.

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  • BRUNA SORAIA RIBEIRO MAIA
  • A ATUALIZAÇÃO DA POLÊMICA RACIAL NAS POSTAGENS DOS NOVOS ESPAÇOS VIRTUAIS DE SOCIALIZAÇÃO

  • Data: 29/01/2019
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  • Partindo do pressuposto de que a partir do discurso é possível compreender o contexto sócio-histórico dos interlocutores como atores sociais, neste trabalho, nosso objetivo foi o de analisar como se atualiza a polêmica em torno da discriminação racial contra a população negra a partir de novos espaços, nas mídias sociais do domínio virtual, especificamente nas postagens no site de relacionamentos FACEBOOK. A polêmica se apresenta neste estudo como norteadora para a seleção do material a ser investigado e analisado, portanto, primeiro construímos o contexto discursivo em que aparecem e interpretamos as marcas que evidenciam a dicotomização, a polarização e a desvalorização do outro nesse contexto, características que marcam a polêmica, conforme Amossy (2011). Em seguida, procedemos as análises da discriminação racial nas mídias sociais com base nos estudos e teorias sociológicas dos autores descoloniais, entre eles Quijano (2005) e Fanon (2008), Mignolo (2008), Lugones (2014) e Mbembe (2014), para compreender os já ditos, preconcebidos, que são bases para os posicionamentos racistas, e como esses posicionamentos se atualizam nos novos espaços das mídias sociais. Como resultado, encontramos a atualização da modalidade argumentativa polêmica em dois modos distintos: a polêmica que se forma por meio de um comentário, através de uma notícia que tem um viés direcionado para determinada questão social e faz com que os actantes se posicionem; a polêmica que se desenvolve por meio do encadeamento de gêneros: de um vídeo é gerada uma notícia que gerou um meme que pode gerar outra notícia. Também encontramos a discriminação racial que ocorre no dia a dia transferida para o novo espaço de interação, a internet, que se dá principalmente partindo de estereótipos e sempre com a negação, através de uma discriminação velada. Além deste aspecto, também foi possível identificarmos que a discriminação racial pode ser interseccional, em alguns casos encontrados ocorre em razão da raça e também do gênero, no caso da mulher negra a imposição é dupla.

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  • RAMON FERNANDES RAMOS
  • MARCAS DA LGBTFOBIA NA ESCOLA: ANÁLISE DE HISTÓRIAS ORAIS DE ALUNOS/AS LGBTT EM UMA ESCOLA DA PERIFERIA DE FORTALEZA

  • Data: 30/01/2019
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  • A LGBTfobia é um problema sério que está presente nas escolas brasileiras, sobretudo nas escolas públicas. Nesse contexto, alunos LGBTs são forçados a abandonar a escola e ao mesmo tempo são apresentados como alunos evadidos ou transferidos. Ao discutir esse tema, este trabalhou buscou analisar a LGBTfobia como realidade de uma escola da periferia de Fortaleza. Para isso, a pesquisa consistiu em três fases, a saber: (i) experiências, registros e vivências do pesquisador participante; (ii) leitura dos documentos escolares e construção do arcabouço teórico-metodológico e (iii) exame dos posicionamentos, condições e experiências de vida, revelados pelo(a)s sujeito(a)s participantes nos discursos de narrativas e trajetórias em enfrentamento à LGBTfobia no contexto da escola. A análise dos dados da pesquisa e seus resultados evidenciam que, para o estudo proposto, a LGBTfobia apresenta marcas bem nítidas dentro do processo educativo e do convívio escolar, sentidas especificamente por aluno(a)s que desafiam as normas vigentes quanto à sexualidade e aos padrões de identidade e comportamento de gênero. Recorrentes sentimentos de exclusão, negação e apagamento existenciais e institucionais são camuflados e segmentados para outros aspectos do contexto escolar e, por isso, não contabilizados nas estatísticas da evasão e do fracasso escolar de estudantes LGBTs. As vítimas de violências LGBTfóbicas, nesse contexto, são silenciadas e muitas vezes impedidas de compreender a própria realidade. Dessa forma, a principal marca que a LGBTfobia corrobora, ou seja, a exclusão de gays, lésbicas, bissexuais, transexuais e transgêneros, acaba sendo desviada ou mascarada por questões como o desinteresse ou a inaptidão do(a)s aluno(a)s LGBTs. Os resultados da pesquisa permitem, então, observar, para além das estatísticas genéricas de evasão e fracasso escolar, aspectos e nuances que o(a)s estudantes LGBTS especificamente enfrentam dentro da escola pesquisada, pelo simples fato de serem sujeito(a)s cujas identidades e orientações sexuais destoam dos padrões heteronormativos de nossa sociedade.

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  • MARCELO FRANCO E SOUZA
  • AS EXPERIÊNCIAS DE TRABALHO PARA PESSOAS COM AUTISMO EM FORTALEZA: DIÁLOGO INTERDISCIPLINAR ENTRE O BIOLÓGICO E O SOCIAL

  • Data: 04/02/2019
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  • Esta dissertação, pautada na metodologia interdisciplinar em humanidades,
    vinculada ao Mestrado Interdisciplinar em Humanidades da Universidade da
    Integração Internacional da Lusofonia Afro-Brasileira – UNILAB, tem como objetivo
    geral pesquisar as experiências de trabalho para pessoas com autismo, mais
    especificamente na cidade de Fortaleza-CE. Especificamente dialogar com jovens
    adultos autistas que estão se preparando para entrar na universidade, universitários
    ou recém formados, para, a partir das memórias de suas experiências de vida
    individual e familiar, compreender o percurso de alguém com Transtorno do Espectro
    Autista (TEA) ao longo da vida e como tem sido seu acesso ao Mundo do Trabalho.
    O TEA é um transtorno de natureza biológica, o que em si mesmo já traz diversas
    limitações e dificuldades para jovens que desejam começar sua vida profissional,
    mas que também traz grandes dificuldades sociais como acesso à educação, saúde
    e trabalho. É um Transtorno Mental que exige olhar sobre seus mais diversos
    aspectos, visto que não é possível compreender e problematizar o autismo em
    fronteiras disciplinares. É preciso pensá-lo como uma condição biológica, mas
    também como uma condição que produz subjetividades e geram necessidades
    sociais para o indivíduo e para a família, colocando-o não só nos limites do cérebro,
    em seus aspectos biológicos, mas um cérebro inserido num contexto social, cultural
    e histórico. Busco, portanto, nesta pesquisa, a partir do diálogo por meio de
    entrevistas com autistas e instituições que os amparam, de um lado a descrição
    neurobiológica e neuropsicológica do TEA e por outro a problematização sociológica
    e psicológica como forma de entender quem são esses jovens e como estão
    relacionados ao Mundo do Trabalho atual. Entendendo, deste modo, que em Saúde
    Mental o método investigativo deve incorporar os conceitos de totalidade,
    historicidade, complexidade e contraditoriedade das formas materiais da vida em
    seus aspectos biopsicossociais.

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  • JEAN CARLOS BARBOSA DE SOUSA
  • IDENTIDADE E ALTERIDADE NA ESCOLA:

    ANÁLISE DO PROJETO "RAÍZES DO BRASIL: A FORMAÇÃO DO POVO BRASILEIRO" ENQUANTO PRÁTICA PEDAGÓGICA INTERDISCIPLINAR NA ESCOLA ESTADUAL DE ENSINO PROFISSIONALIZANTE DONA CREUSA DO CARMO ROCHA

  • Data: 04/04/2019
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  •  

    Os debates sobre identidade na contemporaneidade surgem como elemento necessário para desenvolvimento de práticas educacionais em países com composição multiétnica e pluricultural como o Brasil. Nesse contexto, foi desenvolvido no período de 2011 até 2016, em Fortaleza (CE), na EEEP Dona Creusa do Carmo Rocha, o projeto “Raízes do Brasil: a formação do povo brasileiro” como uma intervenção pedagógica interdisciplinar e multicultural, a partir de uma perspectiva de prática da interculturalidade. Tornou-se necessário, então, investigar até onde é possível, a partir de tal projeto, encarar a pluralidade cultural e a multietnicidade dentro de uma escola de ensino médio profissionalizante, ao ponto de desconstruir as barreiras epistemológicas dos professores, e instigar os estudantes a terem uma visão crítica sobre as questões sociais e raciais que permeiam suas relações interpessoais e suas concepções de mundo, rompendo com a visão eurocêntrica e monocultural do currículo escolar. A partir disso, chegou-se ao principal objetivo desta pesquisa, que é analisar os discursos de professores e estudantes da EEEP Dona Creusa do Carmo Rocha que participaram do projeto “Raízes do Brasil: a formação do povo brasileiro", para verificar as repercussões desse projeto pedagógico na construção discursiva de suas identidades e subjetividades dentro do ambiente escolar. Para alcançar tal objetivo, buscou-se identificar as relações de poder entre os discursos dos professores e estudantes que legitimam saberes e interferem na construção de suas subjetividades e identidades, assim como também verificar quais seriam as barreiras epistemológicas mais resistentes para as práticas interdisciplinares e interculturais na escola. O referencial teórico-metodológico escolhido foi a análise arqueogenealógica do discurso a partir de Foucault. Para a construção dos dados usados foram operacionalizadas as técnicas de: i) pesquisa bibliográfica; ii) pesquisa documental, a partir do Manual da Tecnologia Empresarial Socio-Educacional (TESE) e do Projeto Político-Pedagógico (PPP) da EEEP Dona Creusa do Carmo Rocha; iii) observação participante; iv) aplicação de questionário; e v) entrevistas semi-estruturadas. Com uma perspectiva interdisciplinar, a presente pesquisa seguiu sua metodologia por meio de diálogos entre algumas áreas das ciências humanas. Constatou-se que a práxis pedagógica intercultural foi capaz de estimular uma abertura para rompimento com a epistemologia colonial na escola pesquisada, a partir dos diálogos entre as identidades de professores e estudantes.


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  • EDMAR LUIZ DE SOUSA
  • Paisagens da seca em Pacatuba-Ceará 1845 - 1958. Controle social de retirantes, trabalho e política de socorros públicos.

  • Data: 10/04/2019
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  • O presente trabalho propõe analisar o processo de aglomeração de retirantes na cidade de Pacatuba, ocasionado pela migração durante as grandes secas que confrontou o Estado do Ceará a partir do Século XIX. A pesquisa propõe abordar as condições sociais de vida e trabalho em meio à perturbação e a desordem causada pela fome e os deslocamentos que arremessaram milhares de famílias ao sopé da Serra da Aratanha. Busca-se investigar o homem e a mulher retirante enquanto sujeito social frente ao discurso oficial e reconhecer sua forma de vida e resistência condicionada a uma série de dramas sociais. Para esse fim, o estudo desse processo tem abordagem qualitativa no procedimento analítico das fontes e das referências bibliográficas: relatórios da câmara municipal local; relatórios da comissão de socorros públicos; do presidente da província do Ceará; Rodolfo Teófilo (1992); Neves (2000), entre outros que contribuem com a temática. Destaca-se que a região da serra da Aratanha foi um ponto de atração de retirantes devido às obras públicas de construção da Estrada de Ferro de Baturité, empreendimento provincial que aproveitou da capacidade produtiva e da falta de oportunidades dos retirantes para expandir sua construção, além de ser um dos caminhos que ligavam os sertões ao centro do poder político e econômico concentrado na capital cearense.

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  • DANIEL DOS SANTOS CARNEIRO
  • Trabalho, secas e epidemias em Sobral-CE (1877-1925)

  • Data: 29/04/2019
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  • Este trabalho tem por objetivo analisar a relação entre o trabalho, a saúde pública e as doenças que acometeram a população cearense e sobralense nos períodos de estiagem, buscando estabelecer as formas de controle a partir de tais vertentes.  Para discorrer sobre tal problema de pesquisa, considerou-se o contexto no qual o Ceará estava inserido às épocas de secas, dento como delimitação os anos de 1877 a 1925. Esta delimitação de tempo faz-se necessária para compreender as diversas modificações e adaptações do processo de institucionalização da seca e das formas de socorros praticadas no desenrolar dos períodos. Compreende-se que o termo saúde pública engloba saúde coletiva, quando trabalhado na perspectiva de identificar variáveis de cunho social, econômico e ambiental que possam culminar no desenvolvimento de epidemias em determinadas regiões. Consideram-se no decorrer da pesquisa, as formas e tipos de adoecimentos, as políticas de gestão de diferentes classes sociais desenvolvidas pelo poder público frente às moléstias, medidas de saúde coletiva desenvolvidas pelo Estado e ações de caridade provenientes da Igreja Católica e demais esferas da sociedade. O estudo apresenta como fonte os seguintes dados: relatórios do Presidente de Província e Estado; os jornais A Lucta, Correio da Semana, Mão Negra, O Retirante, O Cearense, A República, O Cearense, Jornal do Ceará, e Diário do Ceará; e as obras A Seca de 1915, Varíola e Vacinação, História da Seca no Ceará (1878-1880), do farmacêutico Rodolfo Teófilo,  Salubridade, do médico Thomaz Pompeu de Sousa Brasil, e História das Secas – séculos XVII a XIX, do odontólogo e Inspetor Regional do Ensino Joaquim Alves; além dos relatórios da Santa Casa de Fortaleza 1877-1879, direcionados ao presidente da província e às revistas do Instituto do Ceará. Assim, problematizaram-se as ações no campo da saúde, que visavam combater epidemias e disseminação de doenças, tais como a varíola, febres e disenterias, principalmente, quando políticas e projetos relacionados ao tema eram utilizados como instrumentos de afirmação de hierarquias sociais e disciplinamento da população pobre. Desta forma, busca-se compreender como as formas de adoecimento contribuíram para a modificação e reorganização do espaço urbano sobralense a partir do processo de implantação da Santa Casa de Misericórdia de Sobral e demais ações encabeçadas pela Igreja católica em Sobral, valendo-se dos dogmas da igreja e práticas de caridade como forma de tentativa de manutenção da ordem.

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  • MARIA DE CLEOFAS SILVA SOUZA
  • FORMAÇÃO DOCENTE E INTERCULTURALIDADE NO CONTEXTO DO PROGRAMA ALFABETIZAÇÃO NA IDADE CERTA - PAIC: UMA ANÁLISE A PARTIR DA PERSPECTIVA DAS PROFESSORAS ALFABETIZADORAS DO MUNICÍPIO DE ARACOIABA-CE



  • Data: 20/05/2019
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  • O presente trabalho analisa a formação docente e a interculturalidade no contexto do Programa Alfabetização na Idade Certa – PAIC, a partir da perspectiva das professoras alfabetizadoras de Aracoiaba-Ce. O PAIC é uma política pública do governo do Estado que está presente nos 184 municípios do Ceará desde 2007. Dentre as ações do programa está a formação continuada para os professores que tem uma caminhada de doze anos. Esta pesquisa busca compreender os limites e possibilidades da perspectiva intercultural nos contextos teóricos e práticos da formação contínua do PAIC e da prática docente em sala de aula em três escolas de ensino fundamental do município de Aracoiaba- CE (2007-2019). A abordagem metodológica utilizada foi à qualitativa numa perspectiva interdisciplinar, devido à complexidade do objeto de estudo. Para isso, utilizou-se como método de coleta de dados a entrevista, tendo como arcabouço teórico os seguintes autores: Minayo (1994), GALEFFI (2009), Chizzotto (2014), Gil (2007). Para discutir a formação docente, Imbernón (2010), Gatti (2011), Saviani (2009), Freitas (2014), Pimenta (2000), Marin (1995), Martins (2014), Nóvoa (2016), entre outros. Para refletir sobre a interculturalidade, os estudos de Quijano (2000), Santos (2009), Walsh, (2009,2010), Candau (2010, 2014). A pesquisa revela que o programa não traz dentro das formações a diversidade cultural no sentido de problematizar, discutir ou propor um trabalho sistematizado. O eixo do leitor aponta para uma possibilidade de diálogo entre as culturas com as coleções de paradidáticos Paic Prosa e Poesia que possuem histórias que podem contribuir neste sentido, pois abordam temas regionais como a figura do vaqueiro, cajueiro, Dragão do mar, o índio e trazem também a temática africana e foi muito citado pelas docentes como uma maneira de trabalhar a cultura.

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  • EDGAR DJÚ
  • Concurso público e desenvolvimento de capacidades na Guiné-Bissau.

  • Data: 24/05/2019
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  • Esta pesquisa faz parte dos estudos africanos, usa autores africanos na investigação Hountondji (2008), analisa a formação do Estado guineense, Forrest (1993), Estado pós-colonial e o desenvolvimento, Chabel (1991) e estratégia de desenvolvimento na Guiné-Bissau, Silá (1992), usa interdisciplinaridade como procedimento teórico-metodológico, Capes/Dav (2013) e, discute a questão de desenvolvimento de capacidade na Guiné-Bissau, Lopes (2005) e (2004) através de Concurso Público e a partir da aplicação da burocracia clássica definida por Weber (1999); Bobbio, Matteucci e Pasquino, (1983). O trabalho é novo, analisa o Concurso Público desde o período da independência a 2018. E visa compreender as relações existentes entre a realização dos concursos públicos e desenvolvimento de um Estado-nação. Compreender as relações existentes entre a implementação de uma Administração Pública eficiente e de qualidade no Estado-nação guineense no contexto de pós-independência e o desenvolvimento de sua população. Conhecer os impactos que a realização dos concursos públicos pode ter no desenvolvimento de um Estado. Conhecer em que momento o Estado independente da Guiné-Bissau realizou seus primeiros concursos; saber como foram realizados e os setores beneficiados. Conhecer os impactos que a realização ou não realização dos concursos públicos pode ter no desenvolvimento da Guiné-Bissau. Averiguar por quê o Estado da Guiné-Bissau realiza pouco concursos públicos. Apreender a percepção que os guineenses, servidores públicos e não servidores públicos têm referente à realização de concursos públicos e o desenvolvimento do país. Identificar a legislação que trata de Concurso Público na Guiné-Bissau para saber de que forma os concursos já realizados contribuem para a profissionalização e qualificação dos serviços oferecidos pela Administração Pública. O trabalho será desenvolvido através de uma abordagem qualitativa (pesquisa documental e no campo), tendo por objetivo o desenvolvimento de uma pesquisa exploratória, e a utilização da pesquisa bibliográfica/teórica com consultas a livros nacionais, revistas científicas e, artigos pesquisados na Internet, acessando site de INEP Instituto Nacional de Estudos e Pesquisa, Soronda em quanto principais fontes de pesquisa do país, usar a Constituição da República da Guiné-Bissau (1996), a Colectânea de Legislação Administrativa da Guiné-Bissau, Nora e Carvalho, (2007). E levantando as seguintes preocupações ou questões: qual é a importância dos concursos públicos para profissionalização dos serviços públicos? Que mudanças e impactos a realização de concursos públicos pode ter na Administração Pública guineense? Para tal indagação, lançamos hipóteses: o Concurso Público surge para selecionar os melhores servidores públicos; contribuir para o desenvolvimento de capacidade. A não realização de Concurso Público na Guiné-Bissau impede os técnicos e quadros mais instruídos de ocupar os cargos estratégicos para o desenvolvimento no Governo.

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  • LIANA CAVALCANTE COSTA
  • Cultura como caminho de resistência: o Grande Pirambu a partir do Bumba Meu Boi

  • Data: 05/07/2019
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  • A presente pesquisa visa refletir sobre o grande Pirambu, comunidade litorânea de Fortaleza no estado do Ceará, através da manifestação tradicional do Bumba meu boi, que ganha na comunidade características peculiares, procurando identificar a resistência dos elementos afro-indígenas. A pesquisa analisa o boi enquanto símbolo e rito na formação da comunidade, o processo migratório que colaborou para a sua formação inicial e a constituição da brincadeira do Bumba meu boi, tal como ela se apresenta no território, refletindo sobre seus enredos, signos e símbolos afro-indígenas presentes no brinquedo. Também reflete sobre as pessoas nela envolvidas e como as mesmas se mantém como brincantes, apesar das necessidades de subsistência impostas pelo capitalismo na urbanidade. Este estudo identifica- se com uma metodologia interdisciplinar, buscando dialogar principalmente com a história, antropologia, sociologia e arte. Identifica-se também com os estudos decoloniais, compreendendo que estudar esta comunidade periférica é dar visibilidade a pessoas historicamente silenciadas, e cuja identidade cultural foi e ainda permanece sendo negada em detrimento da necessidade de fazer prevalecer a cultura eurocêntrica, mas que encontra no seio do seu território mecanismos de resistência, presente no seu modo de fazer, no seu cotidiano e nos elementos e significados que o acompanham.

     

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  • THALES EMMANUEL MARTINS FERNANDES DE SÁ LEITÃO
  • OPA!

    ASPECTOS ORGANIZATIVOS DE UMA CONSTRUÇÃO DE PODER POPULAR.

  • Data: 30/07/2019
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  • O capitalismo não está em crise. Ele é a própria crise. O modo de funcionamento desse sistema que tomou conta do planeta não pode ser outro, vai sempre fazer da morte fonte de mais lucro. Do século XIX para cá, fracassaram todas, absolutamente todas, as tentativas de controlar seu poder destruidor. O que tem se comprovado ao longo da história é que, não importa seu rosto, se fascismo ou democracia, capitalismo só gera mais capitalismo. Estudiosos alertam hoje em dia sobre o que povos inteiros já denunciavam há tempos com o dizimar suas carnes, almas e culturas: é a sobrevivência da humanidade que está em risco! Como um poder só pode ser derrubado por outro poder, grandes revoluções se sucederam ao longo do século XX. Infelizmente, perderam força com o passar das décadas e a roda da história voltou a girar com o capital em plena hegemonia. Foram muitas conquistas, muitos aprendizados. Entre estes, a compreensão de que a revolução, para se manter viva, precisa ser permanentemente revolucionarizada. Para tanto, faz-se imprescindível a construção de um poder que, nas condições presentes, já se apresente como um antipoder. Que signifique a participação direta da classe explorada e oprimida no anúncio de um novo tempo e no confronto necessário e incontornável com o poder que existe para negar vida digna às imensas maiorias, o poder privado. A esse mecanismo de libertação, de revolucionarização, chamamos Poder Popular. Muitas são as vivências desde a década de 1980 que apontam nesse rumo no Brasil e no mundo. Algumas se tornaram mais conhecidas, mas todas possuem igual importância quando o verbo é esperançar. A presente pesquisa tem por objetivo mostrar reflexivamente, através de seus principais aspectos organizativos, a tentativa de sete anos (2010 - 2017) feita pela Organização Popular (OPA), em sua fase germinal, no município de Aracati, litoral cearense.

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  • MARIA DO SOCORRO MENDES DE VASCONCELOS
  • MEMÓRIAS, EDUCAÇÃO E RESISTÊNCIA DAS PESSOAS ATINGIDAS PELA HANSENÍASE NO CEARÁ (1928 -2018)

  • Data: 31/07/2019
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  • O presente trabalho reflete sobre as experiências das pessoas atingidas pela hanseníase, através das memórias e narrativas dos sujeitos que vivenciaram o adoecimento de lepra/hansen que foram separados da convivência em sociedade. Entende-se a doença como fenômeno bio-social que incorpora e reafirma valores estruturados em sociedade hierárquica, desigual que constitui modos de ser e estar dos corpos em múltiplas culturas ao longo dos tempos em diversos espaços. Faz-se necessário para compreensão, utilizar os diversos saberes para além da disciplinaridade, contemplando história da saúde e da doença, antropologia, sociologia, as políticas públicas de saúde, revelando as formas de resistência individuais/coletivas desenvolvidas durante o período de segregação, bem como a articulação de movimento oficial. A extensão do isolamento dos acometidos pela lepra/hanseníase seguiu o tripé colônia/dispersário/preventório (CUNHA, 2005), foi além do internamento dos doentes, atingindo a todos os que com eles conviviam, os filhos sadios eram encaminhados aos preventórios/educandários em nome da proteção à sociedade. Entender as vivências dessa separação pela escuta dos que foram alocados no Educandário Eunice Weaver em Maranguape, Ceará, a partir do diagnóstico e internamento dos pais na Colonia Antonio Diogo é primordial para compreensão da extensão da política profilática da lepra/hanseníase.  Em 1928, instala-se o primeiro leprosário, denominado “Leprozaria Canafístula”, hoje Centro de Convivência Antonio Diogo, em Redenção. No isolamento, foram obrigados a se reinventarem para sobreviver, estabelecendo relações no cotidiano afetivas e profissionais, pois o espaço entre os muros reproduzia uma cidade, caracterizando a forma de controle encontrada em “instituições totais” (GOFFMAN, 1961). Com a possibilidade de cura e retorno à sociedade, os ex-pacientes da hansen, em busca de direitos e de uma vida digna, organizam-se na década de 80 na entidade MORHAN – Movimento de Reintegração das Pessoas Atingidas pela Hanseníase. Pretende-se com foco nas memórias, entrevistar os participantes do isolamento na Colônia, líderes do MORHAN do Núcleo Redenção e dos internados no Educandário Eunice Weaver, que hoje buscam a reparação do Estado pela separação da família.

2018
Dissertações
1
  • SANTANA GLICIA MENEZES MAIA
  • Gênero e Trabalho no Maciço de Baturité: protagonismo, poder e artesanato de mulheres.

  • Data: 09/01/2018
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  • Esta pesquisa busca dar visibilidade às mulheres comuns como protagonistas da história, onde muitas vezes são ocultadas: delas sempre foi possível falar, definir, explicar, mas, nem sempre ouvir; afirma a importância de promover estudos de gênero que rompam com concepções universalistas e excludentes, primando pela investigação de cunho feminista e interdisciplinar ao produzir conhecimento. Parte das atuais vicissitudes do mundo do trabalho para pensar as ocupações femininas, suas peculiaridades e seus desafios. Sendo múltiplas atividades possíveis de serem exercidas pelas mulheres problematiza a esfera artesanal. Portanto, este estudo objetiva a compreensão do protagonismo das artesãs participantes de associações no Maciço de Baturité - CE, analisando no fazer artesanal diferentes exercícios de poder das mulheres no lugar de atuação profissional. A abordagem metodológica da pesquisa é qualitativa, usando o recurso da observação participante e das entrevistas semiestruturadas de narrativas de vida, ressaltando a escolha de compartilhar saberes entre pesquisadora e pesquisadas. Na perspectiva de construir conhecimento a partir de experiências narradas, este trabalho fala de mulheres produzindo peças, comercializando, criando, socializando, enfim, fazendo do artesanato uma atividade econômica e culturalmente referenciada em nossa sociedade, mas, sobretudo, do reconhecimento, das manifestações e usos do poder das e pelas mulheres. 

2
  • FERNANDO ANTONIO FONTENELE LEÃO
  • A relação Universidade e Sociedade em comunidades camponesas com conflitos ambientais: o olhar dos moradores da comunidade do Tomé, Chapada do Apodi, Ceará.

  • Data: 12/01/2018
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  • Já há algumas décadas, há um avanço das fronteiras de acumulação capitalista sobre os territórios camponeses no Brasil, gerando injustiças e conflitos sociais e ambientais (MARTINS, 1981). O quadro de conflitos e as denuncias por movimentos sociais organizados e por moradores de comunidades atingidas chamam a atenção de pesquisadores e grupos de pesquisa de diferentes universidades públicas no país – a exemplo de grupos da UFC, da UFMG, da UFMA – que reagem com uma série de ações acadêmicas nesses territórios. Nesta perspectiva, considerando um conjunto de reflexões acerca das relações existentes entre Universidade e comunidade, cumpre indagar: Como tem se dado as ações das universidades nessas comunidades que vivenciam conflitos ambientais? Como os sujeitos da Universidade se relacionam com os sujeitos e os saberes da comunidade e que estratégias buscam para a efetivação de ações relevantes para o contexto comunitário? O que pensam os moradores dessas comunidades acerca de tais ações? Neste cenário, esta pesquisa intenta compreender os desafios, os limites e as potencialidades da atuação da Universidade em comunidades camponesas com conflitos ambientais, a partir do olhar dos moradores da comunidade do Tomé, Chapada do Apodi, Ceará, acerca de ações realizadas entre 2007 e 2017. Nossa definição do universo da pesquisa passou pela compreensão de que o conflito instalado nessa comunidade, situada na macrorregião cearense do Baixo Jaguaribe, é um caso representativo dos conflitos ambientais que se multiplicam no país e a comunidade do Tomé se transformou no epicentro dos conflitos na região, principalmente, pela atuação de Zé Maria do Tomé, agricultor e liderança nesta comunidade, assassinado em 2010. Considerando a perspectiva reflexiva da relação Universidade e Sociedade e a análise do olhar dos moradores acerca das ações da Universidade, o viés metodológico desta pesquisa fundamentou-se na articulação entre i) observação participante; ii) entrevistas semi-estruturadas; iii) análise de um texto teatral; iv) pesquisa bibliográfica (OLIVEIRA, 2007), compreendendo, principalmente, o estudo da produção acadêmica relacionada aos conflitos ambientais na região do Baixo Jaguaribe, na Chapada do Apodi e, especificamente, na comunidade do Tomé, entre os anos de 2007 e 2017 (RIGOTTO, 2011; ROCHA, 2013; SILVA, 2014) e a produção teórica sobre comunidades camponesas (MARTINS, 1981; 1989; 1993), sobre educação e emancipação (FREIRE, 1977; 2005; SANTOS, 1991;2006) e sobre Universidade (RIBEIRO, 2003; SANTOS, 2013). Nossa hipótese é que a experiência dos moradores – que participaram, tiveram conhecimento ou apenas ouviram falar sobre as ações da Universidade em sua comunidade – pode oferecer elementos para avaliar o que foi realizado e para arquitetar uma práxis acadêmica mais democrática, socialmente referenciada e comprometida ética e politicamente com as transformações sociais na direção da liberdade, da justiça ambiental e da emancipação do ser humano.

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  • MÁRCIA MARIA DE ALBUQUERQUE
  • Projeto Consciência Negra da Escola Mário Schenberg 2014-2016:
    possibilidade pedagógica de descolonização do currículo e
    identidades

  • Data: 12/01/2018
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  • No Brasil, a Lei 10.639/03 estabelece a obrigatoriedade dos conteúdos relativos à história e cultura africana e afro-brasileira no currículo da educação básica. De acordo com a lei, o conteúdo programático a ser considerado deve incluir, ainda, aspectos relativos à luta do povo negro brasileiro e suas contribuições para a formação da sociedade nacional e promover o ‘Dia Nacional da Consciência Negra’.  Durante o período de 2014 a 2016, desenvolvemos na escola, por iniciativa dos professores (as), uma série de atividades relacionadas às questões étnico-raciais através do Projeto Consciência Negra. A pesquisa que ora desenvolvemos se coloca como uma possibilidade de escuta dos sujeitos da escola, no sentido de compreendermos as questões que envolvem os temas raça/racismo, a partir das suas contribuições individuais e coletivas, partindo da hipótese de que a negritude é um processo em construção. Por meio de uma abordagem crítico-reflexiva e considerando a escola um espaço em movimento, propício à produção de novos sujeitos e a uma práxis revolucionária, pretendemos revisar aspectos conceituais, epistemológicos, pedagógicos e políticos implicados na ideia de raça/racismo, onde o pensamento decolonial (ARIAS, 2010), (WALSH, 2009), (GROSFOGUEL, 2007, 2008, 2013) e (QUIJANO, 2000) entraria como pressuposto metodológico principal. Para o desenvolvimento deste trabalho, utilizamos a pesquisa qualitativa, documental, bibliográfica, autobiográfica e participativa, através de uma perspectiva transdisciplinar, onde a prática dialógica de (FREIRE, 1987) significa um recurso para a abordagem dos sujeitos da pesquisa e do conhecimento produzido pelos mesmos, principalmente quando propomos trabalhar com os “círculos de cultura”.  A principal referência bibliográfica para desenvolver minha autobiografia se dá através dos estudos de (SOUZA, 1983). O racismo é conduzido pela mão de (CÉSAIRE, 1978) e a partir de (QUIJANO, 2000) abordaremos a questão da raça. As Diretrizes Curriculares, através de seus princípios, colocam para as escolas a possibilidade de entender os dispositivos normativos da Lei 10.639/03, não apenas como uma política de reconhecimento e valorização da história e cultura negra, que não deixa de ser extremamente relevante, mas abre a possibilidade para que sejam repensadas identidades, portanto dos (as) profissionais de ensino poderem abordar questões relativas à raça e ao racismo, temas centrais nesta pesquisa.

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  • DANIELLE GOUVEIA FERNANDES
  • Capacitação em artesanato: uma visão crítica face ao modelo gerencialista e uma experiência junto ao grupo de bordados na Linha da Serra, Guaramiranga-Ce

  • Data: 19/01/2018
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    A pesquisa discute acerca dos projetos de capacitação voltados para o artesanato e suas práticas homogeneizantes, alinhadas às práticas que têm como conceito o ideal fabril de produção no desenvolvimento de produto, que findam por gerar um produtor subalterno, desestruturando a dinâmica social local ao se retirar do campo. Aponta a importância da arte na formação de cidadãos mais conscientes de si e do mundo ao seu redor, discutindo a aura exclusivista que se gera ao se reservar a arte para poucos eleitos, bem como o seu elitismo para diletantes, trazendo o foco para os processos criativos individuais como caminho possível para uma capacitação que rompe com o ciclo vicioso criativo que se forma ao se levar um designer e uma estética alheia a grupos de artesãos. Adota como metodologia a pesquisa-ação na busca por compreender a produção de subjetividades e por realizar prática não invasiva que, partindo do sujeito, fosse capaz de impulsionar processos criativos individuais. Estes objetivos nos levaram a comunidade da Linha da Serra, do município de Guaramiranga-Ce, onde foi desenvolvida a ação cultural proposta cujo resultado foi a criação de uma estética própria e autoral. Ao final, foram organizados grupos de discussão a fim de avaliar a metodologia adotada e de apontar adequações possíveis.

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  • ELISANGELA MARIA RICARDO
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    Entre Indícios e Vestígios dos Tempos da Ditadura Civil Militar em Parnaíba-PI

  • Data: 19/01/2018
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  • O presente texto, trata-se de uma investigação interdisciplinar em humanidades, na qual, utilizou-se como fio condutor os pressupostos epistemológicos do paradigma indiciário de Carlo Ginzburg (1989), para pesquisa e escrita da dissertação do Mestrado Interdisciplinar em Humanidades da Universidade da Lusofonia Afro-Brasileira – UNILAB. Nosso objetivo geral compreendeu a análise do Inquérito Policial Militar em Parnaíba - PI processo crime contra o Estado e a Ordem Política e Social, instaurado após o golpe civil militar que ocorreu no Brasil em 01 de abril de 1964, mediante as pistas e vestígios deixados à margem da história oficial contada pela classe dominante, para averiguar o que levou estudantes e sindicalistas serem considerados subversivos. Inspirados em Ginzburg (1989), que analisou meticulosamente o processo crime de Menocchio, moleiro friulano queimado por ordem do Santo Ofício durante a Inquisição, analisamos o IPM, seguindo as pistas e vestígios infinitesimais deixados nas minúcias do processo, contrapondo dialeticamente com as narrativas do tempo presente de Ademir Alves de Melo, um dos 34 indiciados do IPM, acusado de subversão à ordem política social. Entrelaçando a todos os outros depoimentos dos demais acusados nos Termos de Perguntas ao Indiciado (TPIs) (IPM nº 349, 1964). Confirmando a importância do trabalho com a História Oral, uma vez que os sujeitos excluídos pela “História Oficial” dos IPMs têm a possibilidade de narrar suas memórias contra hegemônicas (GRAMSCI, 1979) e desta forma, “[...] escavando os meandros dos textos, contra as intenções de quem os produziu, podemos fazer emergir vozes incontroladas” (GINZBURG, 2007, p. 11), sobre as possíveis outras histórias da ditadura civil-militar em Parnaíba-PI. E assim como os processos foram notoriamente esquadrinhados pelos militares, reanalisar e aliar os mesmos a história oral daqueles que contribuíram para construção dos fatos naquele período, colaborou com o debate político de disputa da memória dos tempos da ditadura civil-militar em Parnaíba/Piauí, evidenciando que sindicalistas e estudantes foram considerados subversivos, por serem ativos na luta travada entre a classe trabalhadora e o capital.

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  • JOVIANO DE SOUSA SILVA
  • Instituição, implementação e revogação da Lei 10.693/03: uma discussão genealógica. 

  • Data: 22/01/2018
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  • A lei 10.639, de 9 de janeiro de 2003, e a lei 11.645, de 10 de março de 2008 instituíram nos currículos escolares brasileiros a obrigatoriedade do ensino de história e cultura africana, afro-brasileira e indígena. A partir das leis escolas públicas e privadas foram incumbidas de resgatar as contribuições desses povos em todos os aspectos para a formação da nação brasileira (BRASIL, 2003; BRASIL, 2008). As leis representam uma conquista para toda a sociedade, enquanto direito histórico que foi negado a todos os brasileiros e no combate a crença equivocada da existência de uma democracia étnico-racial (MUNANGA, 2000). Neste trabalho propõe-se examinar a gênese do surgimento das leis 10.639/03 e 11.645/08 buscando compreendê-las historicamente a partir das forças que deram origem a instituição de um projeto educativo que precede a criação das referidas leis. Pretende-se tecer de forma sistemática a ligação entre as relações políticas e as condições históricas e culturais, questões cruciais à proposta de uma abordagem genealógica (FOUCAULT,1979), que se apresenta neste como uma estratégia metodológica (FOUCAULT,1979), objetivando problematizar as práticas sociais, buscando mapear os fragmentos que permitam conhecer a gênese da instituição desse projeto educativo voltado à uma proposta de educação para as relações étnico-raciais (MUNANGA, 2000).

7
  • EDIMILSON SILVA BARRETO
  • A Reforma Agraria no Brasil vista a partir do Assentamento Antonio Conselheiro, Ceará (1960-2010)

  • Data: 25/01/2018
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  • O trabalho aborda a questão agrária no Brasil durante a gestão Lula. Objetiva compreender o que é a questão agrária no Brasil e como ela evoluiu. Utiliza a metodologia de analise bibliográfica e documental. Problema: O que é e como evoluiu a questão agrária no Brasil?

8
  • PAULO CESAR ALVES GARCIA
  • REPRESENTAÇÕES SOCIAIS SOBRE O RACISMO NO DISCURSO DE DISCENTES MOÇAMBICANOS DA UNILAB/CE -VOZES, IMAGENS E TRAJETÓRIAS COLETIVAS

  • Data: 29/01/2018
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  • Esta pesquisa objetiva, de modo geral, analisar as representações sociais sobre o racismo (re) produzidas no discurso dos discentes moçambicanos na UNILAB/CE, considerando a organização estrutural e temática da referida representação e suas condições de produção intergrupal. Do ponto de vista teórico, para dar conta desse objetivo, foram mobilizados dois requisitos conceituais centrais: (i) os pressupostos da Teoria das Representações Sociais, a partir dos estudos de Moscovici (1976), Jodelet (2001), Abric (1994) e Doise (2001), dentre outros, e (ii) as discussões sobre racismo e relações étnico-raciais, a partir dos trabalhos de Munanga (2003), Nogueira (2006), Guimarães (2009), van Dijk (2010), Monsma (2016), dentre outros. Do ponto de vista metodológico, traçou-se uma abordagem sociodiscursiva, de natureza qualitativa, para analisar o corpus proveniente de evocações sociocognitivas, advindas da aplicação de Teste de Livre Associação de Palavras, e de narrativas de vida, coletadas a partir da realização de entrevista aberta. O referido material foi interpretado em três etapas, a saber: (i) análise dos vetores lexicais que organizam, estruturalmente, a representação analisada, (ii) descrição dos elementos que sumarizam, tematicamente, as dimensões da representação em questão e (iii) exame dos posicionamentos que revelam as condições de produção intergrupal reveladas no discurso dos sujeitos participantes. Por fim, do ponto de vista analítico, os resultados evidenciaram que, para o grupo social analisado, o racismo é representado como um tipo de preconceito e discriminação contra o preto/negro que corrobora mecanismos de exclusão, mantendo-o afastado do acesso aos recursos disponíveis na sociedade. Esses resultados permitiram observar, ainda, para além dos elementos estruturais, temáticos e intergrupais da representação, aspectos da subjetividade dos participantes, a exemplo das dores decorrentes do racismo institucional vivenciado, em terras brasileiras, a partir da experiência como discentes na UNILAB/CE.

9
  • ANA ELIZIANE SABINO
  • Muçulmanos africanos no Ceará: narrativas e práticas religiosas contemporâneas

  • Data: 30/01/2018
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  • A presente dissertação tem como objetivo compreender como ocorrem as práticas religiosas de muçulmanos de Guiné Bissau, nas cidades de Acarape e Redenção, e os sentidos que eles atribuem às suas práticas, observando tanto a memória das práticas em seu país, quanto as diferenças notadas no local onde vivem. Os sujeitos desta pesquisa são estudantes da Universidade da Integração Internacional da Lusofonia Afro-Brasileira – a UNILAB, e residem provisoriamente nos municípios citados, que são onde estão instalados os campi no Estado do Ceará. A partir da observação das reuniões do grupo em questão e de entrevistas com os sujeitos da pesquisa, busca-se a construção de uma narrativa etnográfica que analise as práticas religiosas da religião muçulmana como um dos elementos para a compreensão da complexidade que envolve os sujeitos que estão em trânsito, fora de seus países. A pesquisa colabora, ainda, para os estudos sobre a diversidade dos grupos islâmicos e do campo religioso brasileiro.

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  • ISAAC BRUNO OLIVEIRA ARAÚJO
  • Os múltiplos sentidos da interdisciplinaridade: concepções e práticas docentes nas escolas públicas de ensino médio do maciço do Baturité.

  • Data: 30/01/2018
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  • A relação educação, ensino e interdisciplinaridade vem, desde a reformulação da Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional em 1996 (LDB 9.394/96), tendo destaque nas demais políticas educacionais que a sucederam. Refletir a perspectiva interdisciplinar como estratégia didática e mediadora do processo ensino/aprendizagem envolve, especialmente na educação básica: a) analisar as fronteiras impostas pela disciplinarização do conhecimento; e, em consequência disso, b) examinar a disposição dos conteúdos programáticos e as ínfimas condições de flexibilização dos currículos previamente estabelecidos. Decorre daí algumas inquietações: a interdisciplinaridade é, afinal, uma preocupação dos docentes da educação básica? Se sim, como tem sido pensada, trabalhada, desenvolvida no ambiente escolar? Enfim, como os professores refletem e desenvolvem ações consideradas por eles e pela escola como interdisciplinares? Este trabalho discute como a perspectiva interdisciplinar é percebida, planejada e vivenciada nas escolas públicas de ensino médio da macrorregião do Maciço do Baturité no Estado do Ceará a partir das práticas dos docentes deste nível de ensino. Foram realizadas visitas às escolas com o intuito de compreender como os grupos gestores encaram estas questões institucionalmente e, em sequência, foram realizados grupos focais nas escolas com professores de diferentes áreas do saber. Constatamos, ao longo da pesquisa, que o sistema de ensino apresenta vários desafios para a implementação da interdisciplinaridade e que quando esta é efetivada, consolida-se a partir da iniciativa pessoal e articulação coletiva entre os professores de cada disciplina, estabelecendo-se, prioritariamente, a partir de projetos extracurriculares e do uso criativo de “brechas” institucionais que o sistema de ensino oferece. 

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  • MAYARA MARTINS DE LIMA SILVA
  • A Presença Negra em Aratuba: Memórias e Práticas de Cura

  • Data: 31/01/2018
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  • Esta dissertação é um estudo sobre a participação negra na formação social de Aratuba, cidade interiorana do Ceará. No qual se enfatiza a significância das matrizes africanas na construção da cultura cearense, ao abordar as permanências de manifestações culturais no Maciço de Baturité, do qual Aratuba faz parte. Tem como ponto de partida a investigação histórica da presença negra no Estado do Ceará, buscando identificar espaços e experiências de manifestações de cultura negra em Aratuba para investigar as contribuições na formação social da região do Maciço de Baturité e, consequentemente, do Estado, problematizando a relação entre o negro e a escravidão, a construção identitária negra dentro de religiões de matrizes africanas, a partir do contato com rezadeiras e rezadores de Aratuba. A análise parte do pensar das diversas identificações dos indivíduos, desvinculado de conceitos ocidentais, dando visibilidade às sensibilidades, subjetividades e traços culturais com uma postura crítica e racional diante do estudo da formação identitária aratubense. Com isso não se objetivou quantificar a presença africana nessa cidade, mas dar visibilidade à presença do negro na fragmentação de identidades neste período de plena globalização, através das religiões de matrizes africanas, no hibridismo a partir da relação com o cristianismo, nas tradições preservadas para as gerações futuras.  Foram estas permanências visíveis na sociedade que nos fizeram conhecer através da sabedoria oral e pesquisas bibliográficas as persistências culturais que representam traços da presença e da cultura negra. 

12
  • ALEXANDRA ANDRADE SALES
  • A participação do usuário no Conselho Municipal: implicações no processo de emancipação do sujeito na gestão da política pública de Assistência Social de Maracanaú/CE.

  • Data: 30/04/2018
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  • Apresento aqui os fatores que mobilizam o usuário enquanto público atendido pela política de Assistência Social através dos afetos, levando em consideração sua inserção numa condição social de invisibilidade no cenário político e econômico brasileiro, e enquanto membro a demarcar assento no Conselho Municipal de Assistência Social Maracanaú/CE. Verifico como o discurso oficial justifica sua participação, a partir dos marcos legais desde a concepção da Assistência Social como política pública na Constituição Federal Brasileira de 1988 até a atualidade, especificando essa participação no município de Maracanaú/CE, cidade da região metropolitana de Fortaleza. Considero que a participação do usuário está configurada na legislação que rege a Assistência como condição estruturante de gestão desta política pública e que tais usuários levam para esta instância deliberativa uma vivência diferente dos demais representantes, especificamente por estarem inseridos num contexto de sofrimento ético-político, conceito este refletido por Bader Sawaia (2001; 2009; 2014) e que retrata a dor mediada pelas injustiças sociais. Apresento o perfil destes usuários que atuam no CMAS, incluindo aqueles que foram conselheiros, e que conseguiram cumprir seus mandatos, bem como as implicações que se convertem em ação política no âmbito da gestão da Política Pública de Assistência Social de Maracanaú/CE. Para tanto realizei pesquisa documental, hemeroteca e bibliográfica, assim como também utilizei o aspecto qualitativo inerente ao instrumento gerador de mapas afetivos (IGMA), agregando a ele um roteiro de entrevista semi-estruturado. A partir daí analiso o que levou os usuários a participarem no Conselho Municipal de Assistência Social, buscando perceber quais afetos os mobilizam a participar do CMAS, compreendendo esta participação e suas implicações no processo de emancipação do sujeito na gestão da Política Pública de Assistência Social de Maracanaú/CE. Destaco nesta reflexão que o sentido do humano-genérico e do “comum” surge no cotidiano como ideia reguladora da ação política ativa, a anunciar a resistência ativa contra a dominação a qual só pode existir na potência do comum e não no individualismo, uma vez que quando os homens agem em comum, acabam descobrindo o aumento de sua força para agir e existir. Este sentido é o que potencializa os sujeitos e os estimulam a participar, formando uma democracia de alta intensidade.

13
  • RITIÉLLY NUNES FELIX
  • SAÚDE DO TRABALHADOR: NOTAS INICIAIS SOBRE AS CONDIÇÕES DE TRABALHO DE COMERCIÁRIAS DO MUNICÍPIO DE REDENÇÃO – CE

  • Data: 30/04/2018
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  • A centralidade da presente dissertação é compreender as condições de trabalho das comerciárias de Redenção – CE, sendo este o objetivo geral desta pesquisa. Também sendo necessário debruçar-se sobre os objetivos específicos, a saber: (1) averiguar quais as afetações das transformações no mundo do trabalho sobre o dia a dia das comerciárias; (2) avaliar o cumprimento ou descumprimento com relação ao direito à saúde e os direitos trabalhistas e (3) analisar a presença ou ausência de assédio moral no cotidiano das comerciárias e as sintomatologias que as mesmas vivenciaram com interligação direta ao labor. Para serem analisadas as condições de trabalho das comerciárias, em conformidade com os dados das entrevistas, foi ressaltado o uso de uma abordagem epistemológica arrolada em um marxismo em constante movimento e no esquadrinhamento da análise crítica das contradições da realidade do capitalismo contemporâneo. Ao todo, foram cinco ex-comerciárias entrevistadas, sendo utilizados nomes fictícios para todas as colaboradoras, pois não foi possível a colaboração de comerciárias atuantes. A metodologia adotada neste trabalho foi elaborada a partir da pesquisa qualitativa de campo e bibliográfica paralelamente, na práxis que condiz com o método de Marx e Engels, no qual o método se constitui da unidade da investigação histórica e da exposição lógica dos resultados obtidos. A relevância deste estudo está na riqueza das falas das colaboradoras, que falaram não somente sobre seu passado como comerciárias, mas sobre uma parte de suas vidas, como mulheres, pobres e residentes em um município periférico, de um Estado e de um País também periférico, que permanece subalternizado pelas demandas e mandos do capital estrangeiro e de suas potências nacionais. Faz-se necessário concluir com a fala das ex-comerciárias, colaboradoras, que é impossível negar fatos, nos quais não é possível esquivar-se entre as linhas para que esta pesquisa seja o mais leve possível com relação à temática, pois ao partir da materialidade, do concreto, para depois serem trabalhados esses dados, é possível ter minimamente o dever da lealdade com as colaboradoras assim como estas devotaram confiança e abriram a realidade de precariedade e de humilhações vivenciadas no passado. O que foi encontrado foi mais um indício de trabalhadoras, mulheres, pobres e de regiões periféricas que sofrem intensamente as mazelas do capital em crise.

2017
Dissertações
1
  • JOSIARA GURGEL TAVARES
  • ENTRE O LITERÁRIO E A VIVÊNCIA SOCIAL: JUVENTUDES E PRÁTICAS
    LEITORAS NA CONTEMPORANEIDADE

  • Orientador : ANTONIO VIEIRA DA SILVA FILHO
  • Data: 20/12/2017
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  • Esta dissertação é resultado de uma pesquisa que procurou perceber os sentidos assumidos pelas práticas leitoras de jovens de duas escolas públicas de Fortaleza que leem literatura por iniciativa própria, a saber: Centro de Atenção Integrada a Criança e ao Adolescente – CAIC - Maria Alves Carioca e a Escola de Ensino Fundamental e Médio Doutor César Cals. Para isso, busquei identificar os textos literários lidos pelos jovens, os elementos de caráter subjetivo-social que mobilizam os interesses literários, assim como conhecer as práticas de leitura literária realizadas pelos mesmos fora do ambiente escolar. A literatura é abordada dentro de uma perspectiva plural, contemplando diferentes gêneros, atos, gestos, como prática construída socialmente, continuamente afetada pelas mudanças sociais. Aproprio-me dos referenciais teóricos apresentados por Roger Chartier, para as questões relativas às práticas de leitura, pelo sociólogo José Machado Pais e educadores Juarez Dayrell e Paulo César Carrano para às questões concernentes às juventudes e por Michel Maffesoli para fundamentar as análises sobre as relações construídas na contemporaneidade, através da noção de socialidade. Com o interesse em me aproximar das vivências juvenis, tenho como hipótese que as relações que os jovens estabelecem com o campo literário revelam elementos desse universo. A ideia de “conversação” se apresenta como método nesta pesquisa, enquanto palavras livres e até silenciadas ocorridas nos encontros casuais com os jovens nos corredores e bibliotecas das escolas e nos encontros programados em formato de “Rodas de Conversa”. Compõem ainda o percurso metodológico desse estudo, Entrevistas Narrativas e as Notas presentes no Diário de Campo. O entrecruzamento dos saberes teóricos e empíricos apontou neste estudo uma multiplicidade de práticas leitoras e de experiências dos jovens com a literatura que exprimem relações de alteridade diante dos textos que leem encontrando sintonia com a complexidade do que vivenciam.

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